<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506</id><updated>2012-02-13T23:42:22.394Z</updated><title type='text'>Poesia &amp; Pensamento Filosófico</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-6288546560511659358</id><published>2012-02-13T23:42:00.000Z</published><updated>2012-02-13T23:42:22.402Z</updated><title type='text'>para quem pensa"</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Para quem pensa que existe liberdade, devo dizer, está completamente equivocado, pois crente está, num pré-suposto conceito de mera ilusão artificial. Chamemos-lhe o actor virtual da sua própria vidinha requintada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Nietzsche tinha absoluta razão, ao perceber a individualidade do mito apolíneo e a sua incapaz suficiência, pois aquilo que contém em si alguma liberdade, nada mais é do que snobe aparência, falsa plena beleza, inverdade e pura ignorância, termo predilecto para medíocres pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Na minha vida, feita a pulso ou não, pois por vezes por considerá-la relativa a certas circunstâncias extrínsecas, sou também por isso mesmo, alvo de certos enganos; por detrás de qualquer escolha que eu faça, de sua subjacente intenção e adequada acção que pretenda tal realização ou aspiração, apenas encontro tragédia e figuras dionisíacas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Garanto-te, que por muito pouco que me tente esquivar, por ali além, por aqui ou aquém ou por acolá, o destino está de tal maneira em mim enraizado, que nem chega a ser fatal, mesmo que sempre dele a levar, valentes chapadas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E já são tantas, que nem atordoado desperto para uma possível realidade em si mesmo, a de que não tenho, nem em última instância, qualquer tipo de escolha na minha vida, senão debruçar-me em duplo devir ao encontro de um pré-destino a cumprir, para então pelo menos sentir alguma falsa esperança, e por minutos afastar em liberdade, tudo o que me sufoca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E porque algo está, de tal forma tão intrinsecamente enraizado na minha vida, qualquer tentativa hercúlea ou não, qualquer passo em falso que seja, que logo acordo deste exuberante sonho, com mais uma delicada estalada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Daí que, por tão imensa ser a força desta raiz, eu só poderei muito tardiamente perecer e longos dias viver, até há humilde glória, porque seria fácil de mais a sublime tragédia da minha vida terminar já, aqui e agora, pois o verdadeiro poder que emerge de qualquer mito por cumprir, jamais o permitiria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Tal aconteceu com Nietzsche, que ao ter a visão da força por detrás de qualquer ilusão, paralisou o seu pensamento. E não faleceu apenas por que desistiu, pois ele sabia, que jamais podia comandar o seu destino. E chorou por tanta ilusão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E em pura consciência, creio se transformou num estado tão potencialmente avassalador, que em demência colidiu. Eis o que aconteceria se um quarto da humanidade apreende-se tal estado de espírito. Com tamanha ressonância, em poucos minutos tudo mudava ou tudo rebentava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Quem tem em si o desejo de encontrar o ausente que une o povo e esse génio que paira no ar? E quem com um qualquer perfume desconhecido, sem que se apodere do país moribundo, para ressuscitar o esquecido mito de Portugal? E com tudo isto ou com todos estes tipos acabar?&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-6288546560511659358?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6288546560511659358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6288546560511659358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2012/02/para-quem-pensa.html' title='para quem pensa&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-2690686812600165248</id><published>2012-02-01T16:02:00.004Z</published><updated>2012-02-01T16:18:43.747Z</updated><title type='text'>O Dado Radical de Ortega y Gasset "</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;   &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Sobre o texto da autoria de José Ortega y Gasset, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O que é a filosofia? &lt;/i&gt;(Ortega, 1999) uma compilação de 11 conferências dadas pelo autor em 1929, e alguns artigos publicados na Argentina nos anos 1930 e 1931, iremos apresentar a matriz central do seu pensamento e avaliar a dimensão que o seu heroísmo intelectual alcançou em nós e na Filosofia em geral. E de encontro às nossas preferências e razões vitais, a síntese que da sua filosofia fazemos, conduz-nos por variadíssimos motivos, a escolher abordar mais concretamente o seu último capítulo, pois como diz Ortega: “ a vida é uma actividade que se executa para diante ” (ob.cit.p.171) “ um incessante, original preferir “ (p.187) “ constante antecipação e pré-formação do futuro ” (p.188). E sendo o dado radical do Universo, aquela realidade primordial que comum a tudo existe e permanece em tudo quanto há, nas suas palavras, a “ minha vida, (…) simultaneamente geral e individual ” (p.180), e que “ Tudo o que não seja definir a filosofia como filosofar e o filosofar como um tipo essencial de vida é insuficiente e não é radical” (p.183) Por isto, decidimos debruçar o nosso ser no capítulo 11, para podermos também nós, ousar Filosofar, pois “A verdade desce só sobre quem a pretende, quem a ansiava e leva já em si pré-formado o oco mental onde a verdade pode alojar-se.” (p.139). E em comunhão intelectual com as propostas de Ortega, vamos antecipadamente acentuar, que este inicia as suas lições, precisamente com termos semelhantes àqueles conceitos últimos pelos quais irá terminar: &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;“ E todo o ser é feliz quando satisfaz o seu destino, (…) quando segue a encosta da sua inclinação, da sua necessidade essencial, quando se realiza, quando está a ser o que é na verdade.” (p.12) E desta forma, Ortega começa por demonstrar a riqueza e o alcance da perenidade e da mutabilidade da verdade, estimulando a necessidade inexorável, de uma articulação entre estas duas faces, pois: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Elas por si pré-existem eternamente, sem alteração nem modificação. Contudo, a sua aquisição por um sujeito real, submetido ao tempo, proporciona-lhes um cariz histórico. (p.15) [Daí que:] É inútil tentarmos violentar a nossa sensibilidade actual, que se recusa a prescindir de ambas as dimensões: a temporal e a eterna. Unir ambas tem que ser a grande tarefa filosófica da geração actual, (…) sair de novo para uma filosofia plena, completa (…) para um máximo de filosofia. (p. 21).&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;E após abordar o drama e a dimensão das gerações, as suas fatalidades e elasticidades, Ortega expõe os motivos que deram origem à retracção da filosofia e argumenta, terem sido os mesmos elementos, que subjacentes, ajudaram à sua posterior expansão. E faz uma longa, rigorosa e severa crítica às ciências particulares em geral, especialmente à física, pois “ A filosofia ficou esmagada, humilhada pelo imperialismo da física e apavorada pelo terrorismo intelectual dos laboratórios. ” (p.37) E por considerar os métodos experimentais uma manipulação experimental de dados, continua a refutar o pragmatismo, o excesso de sensualismo no positivismo, e conclui que o objectivo último destas ciências expira logo à partida, pois ao encontro de uma mera solução parcial, utilitarista e não cognoscente do problema, rejeitam o verdadeiro acto teorético, pois “ não há duvida de que tanto mais pura será a atitude teorética quanto mais problema for o seu problema, e vice-versa, “ (p.62) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Por ser o da filosofia o único problema absoluto, é ela a única atitude pura, radicalmente teorética. (…) é o heroísmo intelectual. Nada deixa sobre os seus pés o filósofo que lhe sirva de cómoda base, de terra firme e sem temor. Renuncia a toda a segurança prévia, põe-se em perigo absoluto, pratica o sacrifício de todo o seu crer ingénuo, suicida-se como homem vital para renascer transfigurado em pura intelectualização. (p.63) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E preparando muito bem o terreno, pois “ ao partir não sabemos o que é que há “ (p.68) Ortega argumenta sobre a possibilidade de o problema do Universo e de uma teoria cognoscível sobre tudo quanto há ser insolúvel, pois “ talvez a nossa capacidade de conhecer seja limitada (…) e mesmo sendo ilimitada a nossa inteligência, o ser, o mundo, o Universo pode ser em si mesmo irracional.” (p.63) E porque “ o filósofo que está disposto ao máximo perigo intelectual, que expõe integralmente o seu pensamento, tem obrigação de exercer plena liberdade” (p.68) Ortega concentra-se no imperativo de autonomia do filósofo, de não partir de verdades supostas nem de admitir nenhuma que não seja ele mesmo a fabricá-la, para astuciosamente, através do dado problemático que abrange o mundo, “ o eterno e essencial ausente, “ (p.74) desobstruir a porta que nos conduz a um novo ser fundamental, através da ” ferida que a sua ausência deixou ” (ibid). Pois “o mundo (…) grita o que lhe falta, proclama o seu não-ser e obriga-nos a filosofar, “ (p.73) E sendo a filosofia um conhecimento teorético, um sistema de conceitos e de enunciados, após criticar as ciências particulares, Ortega contesta o misticismo, para de uma vez por todas marcar claramente a posição da filosofia, pois “ Não lhe interessa submergir-se no profundo, como a mística, mas, pelo contrário, emergir do profundo até à superfície. “ (p.83) E por ser a verdade uma proposição de uma intuição sensível ou não sensível e a coincidência entre o falar de uma coisa e a própria coisa, ou seja, os dados visíveis, “ O seu propósito radical é trazer (…) declarar, descobrir o oculto ou velado (…) a grande nudez e transparência da palavra (…) dizer o ser ” (p.84) fundamentá-lo: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;[Se] de tudo o que nos for presente com intuição adequada, podemos falar com verdade rigorosa e não meramente aproximada. (p.100) [Então] ficam em suspenso, as nossas crenças mais habituais e plausíveis, [e assim sendo] a filosofia é (…) paradoxal em sua própria raiz. (p.101) [Pois se] Todo o problema supõe dados. [E contudo] Os dados são o que não é problema. (…) dão-nos uma realidade incompleta, insuficiente, apresentam-nos algo (…) que se contradiz ” (p.102) [Logo] Para que o pensamento actue tem que haver um problema diante de nós e para que haja um problema tem que haver dados. [E assim] O que necessitamos de buscar será exactamente o que nos falta porque não nos é dado. (p.103)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E de seguida anuncia a descoberta de Descartes da dúvida metódica e do pensamento, como sendo um dado indubitável, o início da filosofia moderna e o momento histórico decisivo que divide a filosofia em duas metades, os antigos realistas e medievais de um lado e os modernos do lado de cá. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Pela primeira vez (…) o mundo material e o espiritual separam-se pela sua própria essência (p.119) [porque] O mundo antigo (…) só conhece um modo de ser que consiste em exteriorizar-se, (…) para fora. Mas o pensamento cartesiano consiste, opostamente, em ser para si (p.118) [e assim] Descartes (…) corta as amarras que nos unem e misturam com o mundo, [e ao criar esta disjunção, qualifica o eu] na sua própria essência, (…) solidão radical. (p.120) [E como resultado] Esta dualidade e interior contradição (…) foi o idealismo e a modernidade, foi a Europa. (p.144) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;E admiravelmente, Ortega faz uma depuração da tese idealista e presta-se para ” a difícil tarefa de abrir o ventre ao idealismo, libertar o eu da sua exclusiva prisão, (…) tentar a sua evasão “ (p.138) Pois “ o ser do pensamento é inquietação, não é estático ser, mas activo” (p.142)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;E assim, abraçando parte do Idealismo, Ortega refuta os seus excessos, pois “ O erro do idealismo foi converter-se em subjectivismo, em sublinhar a dependência em que as coisas estão de que eu as pense, (…) fazer que o eu engolisse o mundo, em vez de os deixar a ambos inseparáveis” (p.150) pois:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;É, (…) indubitável que penso as coisas, que existe o meu pensamento e que, portanto, a existência das coisas é dependente de mim, é o meu pensá-las [mas quando o idealismo diz:] as coisas dependem de mim, são pensamentos no sentido de que são conteúdos da minha consciência, do meu pensar, estados do meu eu. Esta é a segunda parte da tese idealista (…) que não aceitamos. (…) porque (…) não tem sentido (p.158) [Logo] a superação do Idealismo é a grande tarefa intelectual, a alta missão histórica da nossa época (p.139)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E porque a realidade não está nem dentro nem fora do pensamento, mas inseparavelmente junto ao pensá-los, “ precisamos de conceitos radicalmente novos, (…) uma reforma radical da filosofia.” (p.141) pois “ A consciência continua a ser intimidade, mas agora (…) não só com a minha subjectividade, mas com o mundo ” (p.152) pois o pensamento o eu e o mundo, existem correlacionados com o dado radical. Logo, “ Esta nova situação já não é paradoxal ” (ibid) “ a realidade primordial, (…) o dado para o universo, (…) é… a minha vida,” (p.153) ou seja:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;A verdade é que existo eu com o meu mundo e no meu mundo, (…) ocupando-me com esse mundo, em vê-lo, imaginá-lo, pensá-lo, amá-lo, odiá-lo, estar triste ou alegre nele (…) mover-me nele, transformá-lo e aguentá-lo. (…) apertando-me, manifestando-se, entusiasmando-me, afligindo-me. (p.152) [E] a filosofia (…) é o facto de alguém que filosofa, que quer pensar o universo e para isso busca algo indubitável. Mas encontra, (…) não uma teoria filosófica, mas o filósofo a filosofar (…) melancólico pela rua, a dançar ou a sofrer (…) a amar a beleza que passa. (p.153) [pois] filosofar é (…) viver - como o é correr, enamorar-se, jogar, indignar-se (p.154)&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E sendo a realidade da vida de cada ser, um dado radical completamente novo, Ortega supera a antiguidade e a modernidade e inicia uma nova ideia do ser, uma nova ontologia, pois “ Para os antigos, realidade, ser, significava coisa; para os modernos, ser significava intimidade, subjectividade; para nós, ser significa viver (…) intimidade consigo e com as coisas.” (p.158) Isto é, enquanto este texto for um texto não pode ser um conteúdo do meu eu, mas ambos são, coexistência da minha vida. Logo, tanto organismos corporais como psíquicos, são particularidades secundárias do ente primário que é a vida. E porque “ chegamos pela primeira vez e novos a uma praia intacta. Vamos submergir-nos, (…) para voltar depois à superfície, ” (p.163) e começar a filosofar: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Vida é o que somos e o que fazemos: é, pois, de todas as coisas a mais próxima de cada homem. (p.164) (…) é, além do mais, uma revelação, um não contentar-se com ser mas compreender (…) assuntos que o afectam. (p.165) (…) é ver coisas e cenas, amá-las ou odiá-las, desejá-las ou teme-las. (…) é ocupar-se com o outro que não é o próprio, (…) é conviver com uma circunstância. (p.167)&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;[E porque] a vida é sempre imprevista. (p.168) [e] em todo o instante, nos sentimos como forçados a escolher entre diversas possibilidades. (…) vida é, pois, a liberdade na fatalidade e a fatalidade na liberdade. (p.169) Eis aqui outro paradoxo. (p.171)&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;No livro 11, através de uma analogia, Ortega começa por reforçar a ideia de que para superar os limites da antiguidade e da modernidade, os seus conceitos têm que ser conservados e a eles os novos acrescentados: “ O espírito, para viver, necessita de assassinar o seu próprio passado, negá-lo, mas não pode fazer isto sem, ao mesmo tempo, ressuscitar o que mata, mantê-lo vivo no seu próprio interior. “ (p.173) E numa indução de correlação temporal: “ Se o nosso pensamento não repensasse o de Descartes, e Descartes não repensasse o de Aristóteles, o nosso pensamento seria primitivo. “ (ibid) E para se referir à supremacia da contemporaneidade, explica que os antigos e os modernos, embora coincidam na procura do conhecimento do universo ou de tudo o quanto há, discordam no essencial, pois os antigos nunca colocaram o problema da evidência e do &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;dado radical&lt;/b&gt;. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Se é teísta dirá que a realidade mais importante que explica as coisas é Deus; se é materialista, dirá que é a matéria; se é panteísta dirá que é uma entidade indiferente, simultaneamente matéria e Deus [mas] Nós (…) somente discutimos com os modernos sobre qual é a realidade radical e indubitável. Achámos que não é a consciência, o sujeito – mas a vida, que inclui, além do sujeito, o mundo. Desta maneira escapámos ao idealismo e conquistámos um novo nível. (p.174)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E contudo, se o problema desta nossa nova realidade radical é a vida, os seus atributos ou predicados têm necessariamente que se apoiarem neste dado, contê-lo em si, para assim serem indestrutíveis, pois caso contrário, tornar-se-ão fenómenos não radicais, fracos e sem firmeza. E consequentemente anuncia: “ O &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;atributo primeiro&lt;/b&gt; desta realidade radical a que chamámos a nossa vida é o existir para si mesma, (…) O «encontrar-se», «inteirar-se» ou «ser transparente» é a primeira categoria que constitui o viver. “ (p.177)&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Nem sequer o pensar é anterior ao viver, porque o pensar encontra-se a si mesmo como um pedaço da minha vida. “ [assim como] “ o filosofar é, (…) uma forma particular do viver (p.175) Em suma, qualquer realidade (…) como primária, (…) supõe a nossa vida (…) não é um mistério, mas todo o contrário: é o visível, o mais visível que existe (p.176) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;E após introduzir a realidade primária, Ortega aproveita e faz uma implacável crítica aos espanhóis, à falta de porosidade intelectual do homem e à sua insuficiência na alma feminina: “ tem que se avançar para formas de entusiasmo pela mulher muito mais enérgicas, difíceis e ardentes. “ (p.179) E ao fazer como que um apelo à condição da mulher espanhola, Ortega aborda a sua ética e afirma que a ideia primária da moral não é o dever, mas a &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;ilusão&lt;/b&gt;: “ Sempre me julguei muito poucas vezes com deveres durante a minha vida. Tenho-a vivido e vivo-a (…) impelido por ilusões, não por deveres. “ (p.178)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;E para explicar o seu conceito de realidade filosófica, faz a seguinte distinção:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Há, contudo, (…) uma diferença radical entre a realidade «minha vida» e a realidade «ser» da filosofia habitual. As categorias Aristotélicas são (…) do ser em geral. Mas minha vida, (…) implica o individual; de onde resulta que encontrámos uma ideia raríssima que é simultaneamente geral e individual. (p.180). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E mais uma vez, com uma magnífica analogia, Ortega analisa as semelhanças da atitude teorética do pensamento filosófico com o não viver, e compara-os com o autêntico &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;amor desinteressado&lt;/b&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;[Se] encontrar-se é, sem dúvida, encontrar-se ocupado com algo do mundo. [Então] (…) é fazer isto ou aquilo; é, por exemplo, pensar. (p.180) [E se] Pensar é fazer, por exemplo, verdades, fazer filosofia. Eu sou o que faz – pensa, corre, revoluciona e espera; [logo] abstrair é também um fazer e um ocupar-se (…) em fingir que não vivo, [e] Esta atitude fingida – o que não quer dizer insincera nem falsa, (…) é a atitude teorética. (p.181) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;[E assim sendo] A teoria e o seu modo extremo – a filosofia – é a experiência que a vida faz de transcender de si mesma, de des-ocupar-se, de desviver-se, de desinteressar-se das coisas. (…) a saber, interessar-se por uma coisa cortando os fios de interesse intravital que a ligavam a mim, salvando-a da sua imersão na minha vida, deixando-a só, ela, na pura referência a si própria. (…) dotá-la de independência, de subsistência, diríamos de personalidade – pôr-me eu a olhá-la a partir dela própria, não a partir de mim. [Em um] acto de amor, dado que ao amar, de modo diferente do desejar, tentamos viver a partir do outro e desvivemo-nos por ele (p.182) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E submerso em amor, Ortega infere e acrescenta amplos atributos à vida, pois se “ (…) a realidade concreta (…) o ser da filosofia é o que faz o filósofo, é o filosofar uma forma do viver (…) ocupação (…) que radica em e surge por um propósito (…) uma finalidade. “ Logo, “ (…) a minha vida antes de um simples fazer é decidir um fazer, é decidir a minha vida “ (p.183) ou seja, entre as possibilidades inseparáveis das circunstâncias, da liberdade de escolha e do &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;destino.&lt;/b&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;A vida encontra-se sempre em certas circunstâncias (…) [como] (…) algo determinado, fechado, mas simultaneamente aberto e com amplidão interior (…) onde mover-se, onde decidir-se; [E se] A vida é, ao mesmo tempo, fatalidade e liberdade, é ser livre dentro de uma fatalidade dada. [Então] Nós aceitámos a fatalidade e nela decidimo-nos por um destino. [Ou seja] (…) ao dizer eu que a vida é, simultaneamente, fatalidade e liberdade, é possibilidade limitada mas possibilidade, portanto, aberta; (p.184) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E sendo a vida “ essa realidade paradoxal que consiste em decidir o que vamos ser (…) em ser o que ainda não somos, em começar por ser futuro “ (p.185) Ortega aborda as &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;3 dimensões do tempo&lt;/b&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;O passado é agora real porque o revivo, e quando encontro no meu passado os meios para realizar o meu futuro é quando descubro o meu presente. [E nele] (…) a vida dilata-se nas três dimensões do tempo real interior. O futuro repele-me para o passado, este para o presente, daqui vou outra vez para o futuro, que me atira ao passado, e este a outro presente, num eterno girar. [Logo] Vivemos no presente, no instante actual, [e] (…) a partir dele, como de um solo, vivemos assim o imediato futuro. (p.186)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E para realçar a importância das inclinações de cada um como &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;sensibilidades inaptas,&lt;/b&gt; pois “ Antes que vejamos o que nos rodeia somos já um feixe original de desejos, de anseios e de ilusões. Vimos ao mundo, sem dúvida, dotados de um sistema de preferências e desdéns (…) que cada qual leva dentro de si “ (p.186) Ortega cita a necessidade de renovar e inverter a crença da perspectiva empírica que afirma &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;que tudo são &lt;span style="mso-bidi-font-style: italic;"&gt;cópias de impres­sões&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;, pois Ortega considera que não desejámos uma coisa porque já a vimos antes, “ mas ao contrário: porque já no nosso fundo preferíamos aquele género de coisas, vamo-las buscando com os nossos sentidos pelo mundo. “ (p.187)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;Pois se “ Todo o ver é um olhar, (…) [então] (…) todo o viver um incessante, original preferir e desdenhar. “ (p.187)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;E para em elevação concluir e provar este argumento, Ortega apresenta mais um extraordinário raciocínio analógico, baseado na magnífica metáfora da &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;bela adormecida&lt;/b&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;No fundo dormente da alma feminina, a mulher quando o é plenamente, é sempre a bela adormecida do bosque vital que precisa de ser acordada. No fundo da sua alma, sem que ela dê por isso, leva pré-formada uma figura de varão; não uma imagem individual de um homem, mas um tipo genérico de perfeição masculina. E sempre adormecida, de um modo sonâmbulo, caminha entre os homens que encontra, comparando a figura física e moral destes com aquele modelo pré-existente e preferido. Isto explica os factos que se produzem em todo o autêntico amor. (…) parece-lhe ter querido àquele homem desde sempre, desde as misteriosas profundidades do passado, desde não se sabe que dimensões do tempo em anteriores existências. (p.187)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E para enfatizar a importância do futuro e do passado no momento do aqui e agora, porque “ Constantemente estamos a decidir o nosso futuro e para realizá-lo temos que contar com o passado e servir-nos do presente actuando sobre a actualidade, e tudo isto dentro do agora “ (p.188) Ortega oferece-nos outra belíssima comparação baseada em semelhanças, mas desta vez, com a &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;lua&lt;/b&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;Vivemos a avançar no nosso futuro, apoiados no presente, enquanto o passado, sempre fiel vai ao nosso lado, um pouco triste, um pouco inválido, como, ao fazer o caminho na noite, a lua, passo a passo, nos acompanha apoiando no nosso ombro a sua pálida amizade. (p.188) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E de forma notável, quase assombrosamente perfeita, como que apreendendo em absoluto uma qualquer beleza paradoxal, Ortega infere duas potentes analogias e compara as riquíssimas e abundantes semelhanças da vida com aquela primazia ou ampla supremacia contida na &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;arte&lt;/b&gt;: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt 21.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;O presente em que se resume e condensa o passado (…) individual e histórico – é, pois, a porção de fatalidade que intervém na nossa vida e, neste sentido (…) essa armadilha não sufoca, deixa uma margem de decisão para a vida e permite sempre que da situação imposta, do destino, dêmos uma solução elegante e forjemos para nós uma vida bela. Por isto, porque a vida está constituída de um lado pela fatalidade, mas de outro pela necessária liberdade de decidirmos frente a ela, há na sua própria raiz matéria para uma arte, e nada a simboliza melhor que a situação do poeta que apoia na fatalidade da rima e do ritmo a elástica liberdade do seu lirismo. Toda a arte implica a aceitação de um freio, de um destino, e como Nietzsche dizia: «O artista é o homem que dança acorrentado». A fatalidade que é o presente não é uma desgraça, mas uma delícia, é a delícia que sente o cinzel ao encontrar a resistência do mármore. Não se diga (…) que a fatalidade não nos deixa melhorar a nossa vida, porque a beleza da vida está precisamente não em que o destino nos seja favorável ou adverso – já que sempre é destino – mas na gentileza com que o enfrentemos e talhemos da sua matéria fatal uma figura nobre. (p.189)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E para finalizar de forma admirável, Ortega oferece-nos a agradável fluidez espontânea do seu elevado pensamento, pois se “o viver consiste em estar a decidir o que vamos ser.” Então “vida é preocupação, e é-o não somente nos momentos difíceis, mas é-o sempre e, em essência, não é mais do que isso: (…) ocupar-se antecipadamente “ (p.190) No entanto, ironicamente, “ a maior parte da vida, e também a sua, vai fluindo despreocupada “ (ibid) porém, Ortega sublinha, que isto não é deixar a vida flutuar à deriva, ao sabor do ondular da colectividade e das correntes preconceituosas da sociedade, pois “ isto é o que faz o homem médio e a mulher medíocre, isto é, a imensa maioria das criaturas humanas. “ (p.191)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt; mso-add-space: auto;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Simplesmente afrodisíaco e inspirador. Um delicioso contributo para a filosofia em geral e um ponto de vista admiravelmente original. Pois eis que indubitavelmente, o seu dado fez renascer em nós o entusiasmo, veio reforçar o interesse pelo filosofar e apelar a uma constante apreensão da nossa vida, inclinando-nos a absorver e a designar a filosofia mais como uma arte que como uma ciência. Logo, considerámos correctas e adequadas aquelas censuras feitas tanto ao desregramento da mística, como ao sectarismo das ciências particulares, pois ainda que relevantes, ambas são a nosso ver secundárias, relativamente à supremacia do pensamento filosófico, que em síntese tudo abrange numa holística visão do mundo. E quanto ao xeque-mate feito aos modernos, não podíamos estar mais de acordo, pois corroborámos a posição de que no âmbito do nosso ser fundamental nem o pensamento precede ao viver. Contudo, iremos justificar a crença de que para nós, só uma tarefa que não a de Platão, um destino que não o de Ortega, mas um tipo de &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;missão&lt;/b&gt;, pode encerrar no seu âmago a semente de todo o viver. Então, submergindo mais aquém, iremos do além emergir com o misterioso e transparente ente ausente, aquele que sendo causa, proporciona o correlacionar das coisas, pois utilizando o princípio do 3º excluído, uma coisa deve ser ou não ser, não há terceira possibilidade, ou seja: &lt;u&gt;se&lt;/u&gt; por um lado o nosso destino é &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;circunstancial&lt;/b&gt; (individual e histórico) &lt;u&gt;e&lt;/u&gt; por outro é um sistema &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;inapto&lt;/b&gt; (de preferências que cada um carrega dentro de si) &lt;u&gt;porém&lt;/u&gt; (ao encontro de uma fatal) &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;liberdade&lt;/b&gt;; &lt;u&gt;então&lt;/u&gt;, precisamos ainda de sobre esta abdução extrair algo mais, excluir uns e apreender o outro, para inferir a nossa proposta ao fenómeno da vida. Pois &lt;u&gt;se&lt;/u&gt; como o des-viver de Ortega é fingido porém não falso e existe, &lt;u&gt;então&lt;/u&gt; aquilo que aparentemente nos parece menos evidente e mais fingido mas que assim como o des-viver existe tão verdadeiramente e vive, é o inaptismo, que intrínseco como uma raiz, anterior ao próprio viver transporta em si algo. Pois &lt;u&gt;se&lt;/u&gt; a disjunção fatalidade liberdade é inclusiva, ambas verdadeiras posições correlacionadas e apoiadas pela vida, &lt;u&gt;e&lt;/u&gt; se a própria vida integra em si a possibilidade de algo que nos faz preferir, &lt;u&gt;então&lt;/u&gt;, essa tendência para o qual inclinamos, tem que ante vir de algo, tem que previr e predizer; &lt;u&gt;logo&lt;/u&gt;, anunciar. Ou seja, tem que no decorrer do nosso viver, despoletar na flor o renascer, que na primavera se realiza. E este novo valor devolvido, é aquele em que as escolhas da vida, mesmo que sinceras, são fingidas, e onde as circunstâncias da vida, nada mais são que amor desinteressado, que aparentemente não evidente, nos conduz a uma verdade espontânea, como a arte de um amor à primeira vista, aquele em que aparentemente falso, já ninguém acredita. É como a verdade de uma lágrima que pelo chamamento do som de uma melodia brota, que pela cor da beleza de uma imagem surge, ou que pela palavra sentida de um poema anónimo ocorre, paralisa e derrete, a falsificação que faz emergir em pura verdade o nosso ser ontológico, não apenas com conhecimento de… mas em amor com… aquela eterna insatisfação do dado ausente. Não com o conhecimento que no início da sua metafísica Aristóteles diz que todo o homem naturalmente procura, mas com aquilo que aparece quando o nosso ser é atravessado pela verdade de uma lágrima cristalina, que contingente, no paradoxo da dor e da felicidade, contém a ambiguidade da vida. E se a lágrima insiste em não surgir, ou se emerge apenas algures, é por trazer em si a função de escolher aquilo que ao preferir da nossa vida nos é dado, através do cupido que nos impele para o alvo da vida.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -35.45pt; mso-add-space: auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin: 12pt 14.05pt 0pt -14.2pt; mso-add-space: auto;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;Bibliografia: &lt;/span&gt;Ortega y Gasset, José (1999), &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O que é a Filosofia?&lt;/i&gt;, trad. de José Bento, Lisboa: Cotovia&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin: 12pt -35.55pt 0pt -14.2pt; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-2690686812600165248?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/2690686812600165248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/2690686812600165248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2012/02/sobre-o-texto-da-autoria-de-jose-ortega.html' title='O Dado Radical de Ortega y Gasset &quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-7514137879367232213</id><published>2012-01-28T21:51:00.005Z</published><updated>2012-02-01T16:36:39.386Z</updated><title type='text'>janeiro de 2012"</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Com aqueles gestos que revelam beleza, beatitude e encantamento &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;pressinto os meus pensamentos falam. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Porém &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;a envolvente ressonância apreendida é de uma ordem sobrenatural tal &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;que em inefável deslumbramento&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;só pode&amp;nbsp;(...) resultar em filosófica tragédia, ou não!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-7514137879367232213?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7514137879367232213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7514137879367232213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2012/01/blog-post.html' title='janeiro de 2012&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-1434555469790483165</id><published>2011-11-19T13:15:00.003Z</published><updated>2011-11-19T13:17:58.223Z</updated><title type='text'>Dia da Filosofia: 17/11/2011</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;manifesto”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Irás ser um Cientista! Diziam-lhe admirados. Porém, as quantidades da matéria apenas serviram para tirar medidas às suas amigas. E para apreender a beleza dessas musas tornou-se Artista Plástico, expressou ideias e o fluir de autênticos sentimentos, criou formas significantes e emoções estéticas, contudo, pouco público contagiou. Então, espiritualmente empírico quis ser Psicoterapeuta, abordar o auto-conhecimento, compreender emoções e comportamentos, mas encontrou-se mais ignorante, pois a verdade, como vento invisível ou como água límpida, fugia-lhe por entre os dedos. Procurou então a essência das palavras e virou Poeta, para no Panteão ser o mais sábio. Mas tal Prometeu acorrentado, foi por um fio, que o menino antes de ser salvo não se perdeu, não fosse o despertar em si de um novo amor chamado Sophia. No entanto, quanto mais o menino a desejava observar, possuir e sobre ela se debruçar, mais compreendia que nada sabia, nem das coisas terrenas nem das coisas celestes, muito menos sobre essa menina que chamámos Filosofia. Pensou então que ela era a tal, a única coisa que indubitavelmente para além do seu pensamento existia. Logo, matriculou-se na Universidade do Minho e visitou Platão (Apologia). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Se foi Sócrates injustamente acusado, por “cometer crime corrompendo os jovens e não considerar como deuses os deuses que a sua cidade considerava porém outras divindades novas.” (x) Então muitos acusados deveriam ser, por considerarem o ser humano não como pessoa pensante, mas como falso carneiro, que sem valores e sem cultura visa o lucro, daqueles que têm como bem último um outro deus, a venerada mão invisível do mercado (ou do Estado). E se “os demónios são filhos bastardos dos deuses com as ninfas” estes semi-deuses inimputáveis são os filhos adúlteros desta mão, que em vão a dignidade tentam arrancar à minha amada Filosofia. Mas o menino, amigo de Sophia, assim como Sócrates e ao contrário da maioria, disse não às circunstâncias, procurou não o supérfluo mas proteger a alma da sua menina. “Quando os meus filhotes ficarem adultos, puni-os, atormentai-os do mesmo modo que eu vos atormentei, quando vos parecer que eles cuidam mais das riquezas ou de outras coisas que não a virtude.” (xx)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Pois podiam-me tirar tudo, irreversivelmente tudo: as mulheres que ternamente aquecem ossos antropológicos em círculos de volúpia ou em saltos olímpicos intermináveis. As que ouvem, as que falam, as que se despem na despedida e até mesmo as que felizmente nada fazem: giras advogadas, inteligentíssimas juízas, sensuais psicólogas ou generosas bancárias. Também me podem arrancar os amigos que julgo ter e aqueles que poderia vir a ter, sejam eles solidários, geniais ou categoricamente leais. Podem levar este amontoado de órgãos que serve de ambulante divã terapêutico, o veículo, levem-no que vos ofereço a televisão de brinde, para onde as partículas do meu cérebro mental e visceral fruem. Levem tudo que eu não sou niilista! Levem o teto que as estrelas iluminarão o caminho interno e se em erro me conduzirem ao inferno, podem apostar que eu regresso ileso, com o coração nas mãos a pulsar de frio por ter congelado Hades no seu próprio trono. Podes tirar-me os ossos das partículas e o ar onde em respiração elas convivem através de leis que jamais algum génio determinou. Podes tirar-me a cama, onde o espírito repousa e abastece o ânimo, as paredes, sem as quais o vento clarifica e ondula as minhas palavras. A alma que eu permanecerei crente, o raciocínio que eu permanecerei autónomo, os olhos que eu jamais esquecerei Sophia. E os ouvidos por onde a sua melodiosa voz me chega, leva-os! E a alma que acaricia o seu rosto angélico e cheio de vida, podes levar, pois a realidade fortalecerá a paixão que Sophia sempre recordará. Mas as luzes que provocam ilusões ópticas e ofuscam a necessidade da verdadeira luz efectivamente brilhar, através da pura realidade contingente que a menina Sophia possui no seu olhar, apaguem-nas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-1434555469790483165?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/1434555469790483165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/1434555469790483165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/11/dia-da-filosofia-17112011.html' title='Dia da Filosofia: 17/11/2011'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-5803398318909468730</id><published>2011-10-12T23:08:00.002+01:00</published><updated>2012-01-28T21:57:40.282Z</updated><title type='text'>de onde é que veio o Mundo?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Neste pequeno texto, tentarei com os argumentos de que disponho, fundamentar e responder à questão que se impõem quanto às origens do Mundo. E apoiando-me nos conhecimentos que possuo, assim como também na capacidade que tenho de reflexão e entendimento, colocar sobre a minha conclusão, a &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;liberdade espontânea&lt;/i&gt;, como o princípio que dá origem ao todo, ou seja, a tudo o que, no Mundo do qual eu faço parte, existe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Contudo, convém sublinhar que para mim, debruçar-me sobre este problema, traduz-se na difícil tentativa, de colocar-me intranquilamente mas com a maior imparcialidade possível, sobre um leito que aparentemente sedutor, é absolutamente de teor aporético. Quero com isto dizer, que ao colocar-me na cúspide ou no limiar que antecede aquilo que eu sou, e assim desta forma apreender aquilo que precede e é efeito daquilo que é o resultado do início de onde eu vim, é meter-me num enorme beco sem saída, é como sentar-me no meio de uma ponte, escolher direcções e movimentar-me sem dela sair.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E assim sendo, neste ponto de partida, as contradições existentes no meu espírito são indubitavelmente e duplamente contingentes, pois partindo de uma subjectividade interna, tal posição, remete-me para uma maravilhosa viagem especulativa que puramente racional e transcendental, conduz-me ao encontro de ideias que&amp;nbsp;sobrenaturalmente me seduzem, como a de um simples ente supremo, superior e divino, bom e perfeito, de onde tudo é criado. Por outro lado, partindo do ponto de vista extrínseco e sensorial, procurando empiricamente observar e objectivamente determinar, a matéria capaz de conter a causa da criação do Mundo, vejo também aqui, eclodirem múltiplas opiniões, que dispersas entre si, reduzem a dimensão da questão numa mera busca por uma causalidade primeira, mas que porém, em última instância, igualmente nos direcciona para um terreno paradoxal, pois sinto a impossibilidade de simultaneamente observar a minha filha nascer, juntar a parteira que me viu nascer e a parteira que viu nascer a minha parteira ad infinitum, para nunca chegar a conhecer por entre a escura noite, a centelha que ilumina o mundo e a vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E assim como a anedota do Filósofo típico (Platão Teeto 174) em que uma “escrava trácia troçou de Tales por este ter caído a um poço, enquanto observava os astro e olhava para o céu.” Pois “ansioso por conhecer as coisas do céu, não se dava conta do que estava atrás dele e mesmo a seus pés.” Assim acontece com aquele que apenas direcciona o espírito para fora e para o visível, à procura de condições para o incomensurável ente supremo. Para mim, tudo depende do quanto profundo eu quero cair neste buraco Filosófico. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Se eu tentar apoiar-me em pontos de vista empíricos para descer um pouco mais fundo, e tentar compreender, que numa dimensão quântica, em que se trata de sistemas em reduzidas dimensões, as partículas do meu corpo não se comportam da mesma forma que se comportam nesta nossa dimensão clássica, ou seja, que o sistema da física clássica que utilizámos, na se aplica às partículas pelas quais o nosso corpo é constituído numa dimensão quântica, minúscula; o peso ou a força destas premissas é enorme e arrasador, pois estamos a falar do mesmo objecto. Dou como exemplo uma partícula do meu corpo, que em si mesma, invisível aos meus olhos, porém por mim observada como parte de um todo, na minha mão, sendo que esta, a minha mão, se comporta de uma maneira previsível, ao mesmo tempo, simultaneamente, a mesma partícula ou matéria, comporta-se na dimensão quântica aleatoriamente, sem qualquer tipo de causalidade evidente. Isto é, se eu partir por exemplo uma partícula, ela divide-se, porém, continua a mesma, pois quando separada/s e colocada/s distantes por um longo espaço entre si, reagem ambas a um qualquer toque ou impulso induzido, da mesma forma, como se fossem a mesma. E se estas mesmas partículas da minha mão, são projectadas em dimensão quântica de A para B, ao contrário do que sucede à minha mão ou a uma bola, que atirada de A cai em B necessariamente, observadas em dimensão quântica, a partícula ou matéria não caí necessariamente em B, mas em super posições possíveis, pois já se observou que após ser lançada, esta divide-se em duas ou mais, dispersam-se pelo espaço e caiem todas em várias posições possíveis. Posição B,C,D e por aí infinitamente. E como disse inicialmente, elas são todas a mesma, aquela partícula que se encontra na minha mão. E se imaginar que o mesmo acontece a todas as que se encontram na minha mão, em dimensão quântica eu estou em todo o lado!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Porém, este raciocínio exige outro argumento, pois analogicamente, se tento encontrar semelhanças, posso transferir a imagem que tenho das minhas partículas numa dimensão quântica para esta dimensão clássica em que me movimento e vivo, e mesmo que não conseguindo observar o que acontece, a matéria da qual eu sou feito, as partículas, quando eu me movimento estão se dirigindo para todo o lado, e eu, que as contenho em mim nestas duas dimensões, como o filósofo que está sentado no meio da ponte, tanto estou aqui como estou ali ou acolá, a escolha prende-se e simplesmente depende, de quanto mais fundo eu quero cair no meu próprio buraco filosófico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;E como resultado destas conclusões, o Mundo começa agora mesmo para mim, e eu, existirei eternamente, aqui ali e acolá, no ontem no hoje e no amanhã, pois creio que em certas dimensões, não existem fenómenos no espaço ou no tempo, mas pura intuição conceptual. E quanto mais eu afunilo a visão ao encontro daquele supremo ente primordial, tanto mais eu pernoito na livre espontaneidade, que é o milagre da vida e de tudo quanto existe. E se essa possibilidade contingente existe nos elementos que o meu corpo contém, logo, eu contenho em mim a essência da vida e a potência de a gerar, mas entenda-se! Não o controle sobre a espontaneidade, pois assim, evidentemente cairia em contradição. A origem pode pois, ter sido auto-criada sobre a absoluta e pura liberdade espontânea, dando origem a um segundo acto incondicionado que pode ter gerado aquela existência, aquela que é e que deseja não ser, para assim poder transcender-se a si mesma e conquistar a sua própria liberdade. É como o acordar matinal, em que após uma noite profunda, o pestanejar surge, para um sonho de ideias e imagens a serem realizadas no palco da vida. E este pioneiro saltitar de pálpebras, é o coração cósmico, que no seu movimento gera a música celestial, que nos alimenta as sementes do entendimento, onde organizámos o mundo e onde os termos se formam ad infinitum, em eterno retorno. E neste limbo, a consciência impõe-nos a evidente necessidade de nos voltarmos a deitar e a tentar adormecer naquela primeira noite profunda, que provindo de uma tranquilidade jamais vivida, precede em espontânea liberdade a própria existência.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E quanto à recente novidade de que “O Universo expande-se com maior rapidez e a sua densidade e temperatura é cada vez menor e que por isso não acabará em fogo mas sim em gelo. E que essa energia que continua a espalhar o universo por uma área cada vez maior é um novo enigma que agora se desvela. “Energia negra porque é essa a cor da ignorância”, diz Ana Mourão.” [sic] (Alexandra figueira, “Universo em expansão acelerada dá Nobel” JN, 5 Outubro, 9). Estas afirmações recordam-me as origens da nossa civilização, a importância do rio Okeanos e das suas águas, assim como também da negra noite e do poço escuro de Tales, deixando-nos para a criação &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;livre e espontânea&lt;/i&gt;, margens, leitos, profundidades filosóficas e talvez um Ente Supremo, mas não causa última.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-5803398318909468730?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/5803398318909468730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/5803398318909468730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/10/de-onde-e-que-veio-o-mundo.html' title='de onde é que veio o Mundo?'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-7499342124956240056</id><published>2011-08-22T21:04:00.003+01:00</published><updated>2011-08-23T04:07:49.297+01:00</updated><title type='text'>2011 eis que"</title><content type='html'>A liberdade poderá ser um grão de areia num deserto imenso&lt;br /&gt;ou uma gota de água num profundo oceano&lt;br /&gt;contudo, sendo ela determinada potência de um simples fio &lt;br /&gt;condutor de uma íntegra e responsável missão&lt;br /&gt;é também parte de uma enorme rede quântica invisível &lt;br /&gt;a meu ver não necessariamente cada vez mais só.&lt;br /&gt;E quando esta rede da vida por alguns instantes balança &lt;br /&gt;eu sinto-me indubitavelmente livre de escolher as minhas acções &lt;br /&gt;os meus hábitos, as minhas virtudes, a minha ética &lt;br /&gt;os meus raciocínios, a minha ideologia &lt;br /&gt;e até mesmo em quem vou democraticamente votar&lt;br /&gt;assim como em quem devo, se quiser, acreditar.&lt;br /&gt;No entanto, também por alguns dúbios instantes esqueço-me&lt;br /&gt;que o subjectivo caminho pode estar em seguir&lt;br /&gt;a intenção daquele fio que me conduz&lt;br /&gt;e que não menos que uma parte de todos nós&lt;br /&gt;é ente essencial, substância primeira&lt;br /&gt;pois tal como a cobra que em vida descola e renova a sua pele&lt;br /&gt;a estrutura orgânica que nos precede tem como acidental função&lt;br /&gt;criar na nossa alma através dos nossos costumes  &lt;br /&gt;neutras condições circunstanciais internas &lt;br /&gt;para uma real mudança conceptual &lt;br /&gt;daquilo que nós somos para aquilo que sempre seremos &lt;br /&gt;aquele algo que precedendo ao nada &lt;br /&gt;nada mais é do que aquilo que do nihilismo vinga &lt;br /&gt;que através da sua aparente ruptura corrompida &lt;br /&gt;se apresenta gerador de possibilidades de transformação&lt;br /&gt;do código moral de nossos costumes &lt;br /&gt;rumo a uma missão ontológica nunca antes imaginada&lt;br /&gt;que resultará na resposta àquelas questões&lt;br /&gt;que o meu espírito sempre desejou alcançar&lt;br /&gt;e que ao meu cogito desde sempre tem vindo a colocar:&lt;br /&gt;a missão de sermos membros activos e conscientes&lt;br /&gt;da necessidade imperativa de a metafísica renovar&lt;br /&gt;e com isso, toda a realidade existencial.     &lt;br /&gt;E também eis que já agora, podia &lt;br /&gt;continuar com as mesmas premissas de sempre:&lt;br /&gt;que por isto e aquilo e de tudo o que vejo e entendo&lt;br /&gt;pobres e mais pobres e muitos e diversos excessos &lt;br /&gt;défices disfuncionais, poucas virtudes e muita miséria&lt;br /&gt;pois eis que hoje em dia as palavras já nada significam&lt;br /&gt;para além daquilo que convém no momento em que são ditas&lt;br /&gt;e por isso, as suas possíveis consequências &lt;br /&gt;de nada contribuem para o bem comum, pelo contrário &lt;br /&gt;como todo o vácuo negro que provém do nada &lt;br /&gt;o seu significado é nulo e a sua intenção mórbida&lt;br /&gt;é o sofista encarnado a sugar o néctar primeiro da humanidade&lt;br /&gt;para que as novas almas embrionárias se contaminem&lt;br /&gt;ao pronunciarem sobre cinzas passadas a sua pura respiração.&lt;br /&gt;Eis pois que antes ressuscitado e venerado &lt;br /&gt;Wittgenstein e aqueles que o precedem morreram&lt;br /&gt;como consequência deste falso poder atribuído à linguagem &lt;br /&gt;e que por isso ausente, fermenta agora este novo nihilismo &lt;br /&gt;(se é que este para além de acidental de verdade existe)&lt;br /&gt;pois se a relação do poder com as massas&lt;br /&gt;é inócua e vazia de significado &lt;br /&gt;esta só pode ser uma não relação, pois o nada &lt;br /&gt;não pode ter relação com algo senão com ele próprio &lt;br /&gt;sustentando-se a si mesmo e aos seus&lt;br /&gt;pois como diz Aristóteles no seu tratado da Política livro III)&lt;br /&gt;“é preciso ter como certo que não há democracia&lt;br /&gt;numa nação em que poucos homens livres mandam&lt;br /&gt;num maior número de pessoas que o não são,”&lt;br /&gt;Daí que, sendo que tudo começa na liberdade democrática&lt;br /&gt;ou seja, nas intuições empíricas da sensibilidade&lt;br /&gt;como no espaço e no tempo a linguagem e a sua pureza é inexistente&lt;br /&gt;logo, podemos comparar o entendimento ou a inteligência &lt;br /&gt;não aos méritos, valores ou dignidades, mas àquela avareza &lt;br /&gt;que suga as intuições puras da sensibilidade alheia&lt;br /&gt;em prol das oligárquicas posses económicas de alguns.&lt;br /&gt;Eis pois o resultado do que acontece na sociedade&lt;br /&gt;da política aos média, arrasando a população em geral.&lt;br /&gt;Pois seguindo o raciocínio de Aristóteles: &lt;br /&gt;“A repartição das honras só é justa&lt;br /&gt;quando se faz de acordo com o mérito;&lt;br /&gt;torna-se injusta quando pessoas sem talento&lt;br /&gt;têm acesso a essas honras e as outras,&lt;br /&gt;apesar das sua virtude, dela são excluídas.” Livro IV)  &lt;br /&gt;Eis pois que, os que têm mais mérito são ostracizados&lt;br /&gt;porém para se manterem no poder &lt;br /&gt;em nome dos interesses oligárquicos&lt;br /&gt;nomeiam-se aqueles que ausentes &lt;br /&gt;de virtude moral ou intelectual&lt;br /&gt;se tornam servos desta promíscua politirania&lt;br /&gt;pois mais adiante, eis o eterno retorno:&lt;br /&gt;“as diversas mudanças acontecem ou pela força&lt;br /&gt;ou pela manha: pela força, obrigando, &lt;br /&gt;imediatamente ou após um certo período,&lt;br /&gt;o povo a submeter-se; pela manha,&lt;br /&gt;quer ganhando-o através de belas palavras&lt;br /&gt;e mantendo-o pela lisonja no estado a que o reduziram,&lt;br /&gt;quer induzindo-o, primeiro, a uma mudança voluntária &lt;br /&gt;e conservando-o nela obrigado, e mesmo contra vontade,&lt;br /&gt;depois de ter reconhecido o seu erro.&lt;br /&gt;Foi assim que em Atenas os Quatrocentos&lt;br /&gt;enganaram o povo com a falsa esperança&lt;br /&gt;de que o Rei da Pérsia ajudaria com o seu dinheiro&lt;br /&gt;os Atenienses a fazer a guerra aos Lacedemónios,&lt;br /&gt;sendo assim conquistado o governo.” Livro IV ) &lt;br /&gt;E hoje meus caros, outra época outros tempos &lt;br /&gt;reconhecendo ou não os erros é assim que vos enganam. &lt;br /&gt;Mudemos pois então agora de semântica &lt;br /&gt;pois eis que o meu pensamento não tem linguagem&lt;br /&gt;derrama palavras como quem derrama sangue&lt;br /&gt;pois assim como as farpas &lt;br /&gt;que me trazem o vento ao pensamento doem&lt;br /&gt;os acontecimentos que o mundo em mim liberta &lt;br /&gt;não falam, antes magoam. &lt;br /&gt;E assim como a psicoterapia alivia e aumenta &lt;br /&gt;a confusão das personagens que habitam em mim&lt;br /&gt;os conteúdos da filosofia afastam &lt;br /&gt;a loucura do artista que em mim reside &lt;br /&gt;pois esta é bem mais útil no processo terapêutico&lt;br /&gt;que os métodos científicos da psicologia &lt;br /&gt;assim como o bem último do supremo bem de uma acção &lt;br /&gt;é a minha própria missão ontológica &lt;br /&gt;e o que com ela de melhor subjaz &lt;br /&gt;é algo que se assemelha à questão sobre o que é filosofar&lt;br /&gt;tema esse ao qual apenas o verdadeiro filósofo &lt;br /&gt;pode sobre ele conjecturar e investigar&lt;br /&gt;pois não existe a ilusão nem tão pouco a realidade&lt;br /&gt;mas apenas a missão de a encontrar.&lt;br /&gt;E por último, eis também que &lt;br /&gt;se a respiração é a identificação de minha alma &lt;br /&gt;que todos os dias resiste a algum tipo de dor&lt;br /&gt;e que todas as noites desiste de a tentar afastar&lt;br /&gt;pois crê eu não dever para sempre &lt;br /&gt;nem com ela conviver nem dela me livrar &lt;br /&gt;o seu bem último com recta razão será apenas amar &lt;br /&gt;e deixar que com dor ou não o meu fio eu possa encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-7499342124956240056?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7499342124956240056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7499342124956240056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/08/eis-que.html' title='2011 eis que&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-3975384761202452479</id><published>2011-07-14T16:09:00.006+01:00</published><updated>2011-09-23T19:19:02.751+01:00</updated><title type='text'>um certo homem alado"</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-qIFaDlYUxg4/TnzNRwZ29dI/AAAAAAAABeo/B3FdrLfu4r0/s1600/IMG_0006.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="283" src="http://1.bp.blogspot.com/-qIFaDlYUxg4/TnzNRwZ29dI/AAAAAAAABeo/B3FdrLfu4r0/s400/IMG_0006.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não pinto ou desenho há cerca de 2 anos.&lt;br /&gt;E tal acção libertadora, sendo um simples atributo de mim mesmo&lt;br /&gt;enquanto ausente, passou desde então a substância primeira&lt;br /&gt;existindo por longo período em pura essência.&lt;br /&gt;Não irei aqui pronunciar-me sobre as suas dores particulares&lt;br /&gt;sobre os seus efeitos cortantes pela sua não posse &lt;br /&gt;pois creio serem estas mágoas, pequenos acidentes passageiros.&lt;br /&gt;Não irei tão pouco descrever o resultado da extensão das mesmas &lt;br /&gt;pois sendo elas o início de um inerente novo paradigma&lt;br /&gt;a sua maior intensão faz reverter o processo&lt;br /&gt;como a parábola do filho pródigo que a casa retorna.&lt;br /&gt;Contudo, irei constatar o seguinte:&lt;br /&gt;Aquilo ao qual, porque existimos, em essência pertencemos &lt;br /&gt;jamais acidentalmente se afasta senão aparentemente&lt;br /&gt;pois permanentemente se revelará, fazendo acontecer-se &lt;br /&gt;impondo-se, mais do que em chamamento &lt;br /&gt;como um guardião oculto, que nos impele ou que nos puxa &lt;br /&gt;ao encontro da nossa ainda incognoscível missão ôntica.&lt;br /&gt;Irei pois agora apresentar, alguns verosímeis exemplos  &lt;br /&gt;que apoiem estes meus holísticos raciocínios.  &lt;br /&gt;Tinha eu acabado de almoçar, quando&lt;br /&gt;enquanto aguardava o momento de me levantar &lt;br /&gt;dei comigo espontaneamente a fazer uns riscos &lt;br /&gt;no toalhete de papel da mesa do restaurante.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, tive uma associação reconfortante&lt;br /&gt;pois fazia-o constantemente na minha adolescência&lt;br /&gt;em que entusiasmado devolvia aos deuses &lt;br /&gt;a linguagem que em mim havia sido depositada.&lt;br /&gt;Porém hoje, sem qualquer objectivo concreto &lt;br /&gt;a não ser apenas uma ligeira intenção semi-consciente &lt;br /&gt;comecei por desenhar uma linha curvilínea na horizontal&lt;br /&gt;e esta, parecia assemelhar-se à parte de uma harpa &lt;br /&gt;e a isso, associei o facto de nos últimos dias &lt;br /&gt;ter assistido a diversos espectáculos musicais;&lt;br /&gt;mas em dúvida entre a conclusão deste objecto&lt;br /&gt;e a necessidade de ir mais além, acabei por satisfazer a última &lt;br /&gt;e aproximei-me de algo mais parecido com uma asa.&lt;br /&gt;Recordei imediatamente o filme que tinha assistido no dia anterior&lt;br /&gt;Birdy, ou As asas do desejo, que retrata o trauma psicológico&lt;br /&gt;de um indivíduo que desde sempre obcecado por pássaros&lt;br /&gt;ferido durante a guerra do Vietname &lt;br /&gt;após a queda do seu helicóptero em combate&lt;br /&gt;desesperado, absorveu em si as características de um pássaro;  &lt;br /&gt;e querendo juntamente com a sua alma voar &lt;br /&gt;como fuga ao seu sofrimento, após resgatado&lt;br /&gt;manteve-se como homem alado, mesmo que, sem asas.  &lt;br /&gt;Então, relacionei as imagens contorcidas que memorizei &lt;br /&gt;do sujeito na dimensão de homem ave e terminei o meu desenho  &lt;br /&gt;utilizando os termos de David Hume &lt;br /&gt;com uma associação de ideias complexas.&lt;br /&gt;Concluído o desenho, observando-o atentamente&lt;br /&gt;imediatamente encontrei semelhanças em mim;&lt;br /&gt;e apoiando-me no meu caso particular&lt;br /&gt;deduzindo ao mesmo tempo a situação do meu país &lt;br /&gt;logo de seguida, encontrei montes de casos comparáveis&lt;br /&gt;na maioria dos Portugueses, para induzir e generalizar.&lt;br /&gt;E em analogia, pude ver as semelhanças do Português deprimido &lt;br /&gt;falido, à espera de poder um dia voar.&lt;br /&gt;E como trago as categorias de Aristóteles comigo&lt;br /&gt;abri o livro 7 e pude ler:&lt;br /&gt;“Diz-se que são relativos todas aquelas coisas&lt;br /&gt;das quais se diz que o seu ser é serem relativamente a outro&lt;br /&gt;ou terem qualquer outra relação com outro;&lt;br /&gt;pois diz-se que o maior é maior de algo, e o dobro é dobro de algo;&lt;br /&gt;com efeito, de todas as coisas que referimos&lt;br /&gt;se diz que o seu ser não é senão serem relativamente a outro;”&lt;br /&gt;E adiante: “que a contrariedade pertence aos relativos, &lt;br /&gt;como por exemplo a virtude é o contrário do vício&lt;br /&gt;e o conhecimento o contrário de ignorância.”&lt;br /&gt;E adiante: “que todos os relativos têm correlativos&lt;br /&gt;como o escravo, que se diz que o é do seu senhor&lt;br /&gt;e o senhor, que é senhor do seu escravo;”&lt;br /&gt;E ainda de seguida, Aristóteles faz questão de salientar o seguinte:&lt;br /&gt;“que por vezes, parece não haver correlativo&lt;br /&gt;como acontece quando não se expõe adequadamente&lt;br /&gt;aquilo em relação ao qual se diz relativo, por engano na exposição;&lt;br /&gt;como por exemplo, quando se expõe a asa&lt;br /&gt;como sendo relativa ao pássaro,&lt;br /&gt;não sendo o pássaro correlativo da asa;&lt;br /&gt;com efeito, não foi adequadamente que se expôs, &lt;br /&gt;em primeiro lugar, a asa como sendo relativa ao pássaro&lt;br /&gt;pois não se diz que a asa é relativa ao pássaro enquanto pássaro&lt;br /&gt;mas enquanto alado; pois há muitos alados que não são pássaros;&lt;br /&gt;e assim, se se expõe adequadamente a relação,&lt;br /&gt;haverá um correlativo, como a asa, que é asa do alado,&lt;br /&gt;e o alado que é alado pela posse da asa.”&lt;br /&gt;Eis aqui a essência da imagem ou do conceito &lt;br /&gt;do nosso Homem Alado supra desenhado.&lt;br /&gt;Porém, como adiante se diz nas categorias:&lt;br /&gt;”por vezes, é também necessário criar um nome,&lt;br /&gt;quando nenhum está estabelecido &lt;br /&gt;que exponha adequadamente a relação;&lt;br /&gt;pois se os relativos forem correctamente expostos,&lt;br /&gt;todos os relativos se dizem em relação a um correlativo;&lt;br /&gt;mas se forem expostos ao acaso, e não relativamente&lt;br /&gt;àquele do qual se dizem relativos, não haverá correlativo.”&lt;br /&gt;Pois então, sendo assim&lt;br /&gt;vamos dizer que o nosso homem é Português&lt;br /&gt;pois diz respeito a mim e a todos vós com quem me relaciono.&lt;br /&gt;Que é alado e tem asas, pois como outrora &lt;br /&gt;deseja voar com leveza e graciosidade &lt;br /&gt;como um pássaro em liberdade.&lt;br /&gt;Mas que está deprimido pois é agora mais pobre&lt;br /&gt;e refém no seu próprio território de onde é originário&lt;br /&gt;é escravo dos senhores mais ricos &lt;br /&gt;do continente do qual faz parte, o Europeu &lt;br /&gt;assim como este o é dos senhores do mercado.&lt;br /&gt;E como mais adiante diz Aristóteles:&lt;br /&gt;”que perece ser o sensoriado anterior à sensação”&lt;br /&gt;Em analogia: “se o escravizado é anterior à escravidão,&lt;br /&gt;e se com efeito, anulando-se o escravizado anula-se com ele a escravidão, &lt;br /&gt;anulando-se a escravidão, não se anula o escravizado.”&lt;br /&gt;Logo, eu afirmo: que em escravidão, esta é a de um certo ser&lt;br /&gt;privado de liberdade e que por isso mesmo &lt;br /&gt;anulando-se o escravizado jamais se anula a escravidão &lt;br /&gt;pois esta tem relação com a liberdade que jamais será anulada &lt;br /&gt;pois esta em essência, não é propriedade &lt;br /&gt;não está em, nem se diz de alguém. &lt;br /&gt;E ainda adiante nas categorias: “quando alguém conhece &lt;br /&gt;de modo determinado um relativo, conhecerá também&lt;br /&gt;de modo determinado aquele em relação ao qual&lt;br /&gt;o primeiro se diz. Pois se alguém sabe&lt;br /&gt;que uma certa coisa é relativa, e que o ser, para os relativos, &lt;br /&gt;consiste em ter uma certa relação com algo, saberá &lt;br /&gt;com que coisa tem uma certa relação determinada entidade;&lt;br /&gt;mas se de modo nenhum sabe com que coisa &lt;br /&gt;tem uma certa relação determinada entidade,&lt;br /&gt;também não saberá que ela tem uma certa relação.”  &lt;br /&gt;É o caso do nosso homem Alado, do estado Português&lt;br /&gt;do continente Europeu e do mundo em geral &lt;br /&gt;que relacionados se correlacionam com uma certa causa &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;os singulares senhores que possuem um certo mercado das almas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-3975384761202452479?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/3975384761202452479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/3975384761202452479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/07/um-certo-homem-alado.html' title='um certo homem alado&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-qIFaDlYUxg4/TnzNRwZ29dI/AAAAAAAABeo/B3FdrLfu4r0/s72-c/IMG_0006.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-6481731896987276238</id><published>2011-07-05T18:27:00.002+01:00</published><updated>2011-07-14T16:10:59.281+01:00</updated><title type='text'>missão ôntica"</title><content type='html'>Não, eu não me vou debruçar sobre este hipotético acidente&lt;br /&gt;pois podendo, eu não irei escrever em prosa&lt;br /&gt;mas antes, narrarei em verso&lt;br /&gt;e fiel ao meu organismo, farei poesia.&lt;br /&gt;E em reverência aos grandes poetas&lt;br /&gt;eis como me relaciono com esta já não vazia folha &lt;br /&gt;recordando filosofia fugirei às aparências &lt;br /&gt;e sobre elas deleitar-me-ei, em caminhadas Kantianas. &lt;br /&gt;E hoje, enquanto paralelamente e em simultânea actividade&lt;br /&gt;julgava ter perdido algo, que por isso mesmo&lt;br /&gt;deixaria de fazer parte da minha substância primeira&lt;br /&gt;pus-me a pensar no pensamento &lt;br /&gt;que na sua essência ou em si mesmo&lt;br /&gt;tinha-se por vários dias ausentado &lt;br /&gt;e que por isso, enquanto eu, faminto &lt;br /&gt;assimilava a Platónica República&lt;br /&gt;ele só podia existir, em dimensão que eu não alcanço.&lt;br /&gt;Contudo, agora em si, pensante  &lt;br /&gt;como quase sempre extraordinariamente surpreendente&lt;br /&gt;o pensamento impõe-se-me, impondo ao meu cérebro sementes &lt;br /&gt;que ao iluminarem ideias me levam a raciocinar &lt;br /&gt;sobre temas caros que me distraem o juízo &lt;br /&gt;pois a certos argumentos carentes de evidência &lt;br /&gt;eu os considero inócuos, marginais ao meu causal entendimento &lt;br /&gt;pois àquela falsa dicotomia sinonímica &lt;br /&gt;entre a relação trabalho emprego&lt;br /&gt;eu atribuo o termo missão ôntica &lt;br /&gt;como sendo a próxima etapa racional &lt;br /&gt;e autónoma do desenvolvimento pessoal&lt;br /&gt;o trampolim para um autêntico progresso civilizacional.&lt;br /&gt;Pois hoje, enquanto caminhava, passei por um trio de sujeitos&lt;br /&gt;que falavam sobre os defeitos de um outro indivíduo&lt;br /&gt;característica particular ou falácia acidental  &lt;br /&gt;o facto de aquele não gostar de trabalhar, predicado este &lt;br /&gt;que a meu ver, apenas existe dependendo do sujeito real&lt;br /&gt;porém, ao qual o sujeito para existir também depende&lt;br /&gt;sendo que para mim, numa concepção diferente do termo usual&lt;br /&gt;parece-me óbvio, que não existe trabalho, ou emprego ou missão&lt;br /&gt;sem o sujeito inerente a estes, mas contudo&lt;br /&gt;nesta relação, poderá existir sujeito sem trabalho?&lt;br /&gt;Eu, ao contrário do que muitos dizem, considero que não&lt;br /&gt;pois se a substância faz parte da essência, nesta&lt;br /&gt;o trabalho pode ser concebido para além da real vivência&lt;br /&gt;ou seja: inapto, este, é um reflexo natural e necessário&lt;br /&gt;e por isso, irredutível e incorruptível &lt;br /&gt;a não ser que seja aniquilado por acção contrária&lt;br /&gt;contra a sua própria natureza castrado por humana atitude&lt;br /&gt;ou por sobrenaturais forças maiores&lt;br /&gt;tal como acontece com o sexo &lt;br /&gt;pois ninguém de bom senso &lt;br /&gt;se castraria senão por um motivo maior a si mesmo.&lt;br /&gt;E se assim é, então, seria extremamente doloroso e constrangedor&lt;br /&gt;quer fisicamente quer mais ainda espiritualmente &lt;br /&gt;por vontade própria não querer trabalhar.&lt;br /&gt;E sendo que esta potência em nós, inapta e intrínseca ao sujeito &lt;br /&gt;desde sempre foi caracterizada por distintas profissões &lt;br /&gt;eu pergunto: serão estas qualidades apenas atributos acidentais&lt;br /&gt;ou serão antes por acaso ou não coincidentes &lt;br /&gt;com a verdadeira essência que se impõe ao indivíduo&lt;br /&gt;aquela que move a missão da alma em Platão?&lt;br /&gt;Ou se quisermos, para quânticos, uma aleatória missão?&lt;br /&gt;Supondo eu que sim, pergunto-me:&lt;br /&gt;são pois as profissões que nos escolhem&lt;br /&gt;ou somos nós que as escolhemos? &lt;br /&gt;Eis que em conclusão, para mim &lt;br /&gt;a utopia de qualquer sociedade&lt;br /&gt;é logo à nascença pela maioria deturpada&lt;br /&gt;pois a alma não tendo género &lt;br /&gt;em analogia é como as mulheres&lt;br /&gt;sendo que o homem ao pensar que as escolhe &lt;br /&gt;são elas em última instância &lt;br /&gt;que escolhem os seus homens&lt;br /&gt;sejam estes bons ou sejam eles maus&lt;br /&gt;seja contudo para os derrubar &lt;br /&gt;ou seja para os premiar.&lt;br /&gt;Logo, assim como Satre disse &lt;br /&gt;que a existência precede a essência &lt;br /&gt;eu afirmo: que através do trabalho ou de um emprego&lt;br /&gt;em pura verdade, ou seja, em missão, esta precede a ambas &lt;br /&gt;reduzindo a existência assim como a essência a suficientes predicados. &lt;br /&gt;E sendo que, para mim o bem último de uma acção não é a felicidade &lt;br /&gt;convém porém perceber, que esta, inerente da boa vontade &lt;br /&gt;torna-as a ambas em 1ª e 2ª substância, de uma missão essencial &lt;br /&gt;seja esta linear, imutável e permanente&lt;br /&gt;seja apenas acidental, temporária ou circunstancial&lt;br /&gt;pois mesmo que esta não seja imortal&lt;br /&gt;como existe algo em mim que me distingue de qualquer outro&lt;br /&gt;importa aqui apenas, o que faço eu ou não&lt;br /&gt;ou o que consigo ou não fazer com esta minha potência&lt;br /&gt;que em nós apenas se assemelha &lt;br /&gt;porque é reflexo universal da nossa espécie&lt;br /&gt;nas aparências de uma particular missão.&lt;br /&gt;Logo, não te preocupes em demasia com os acidentes &lt;br /&gt;que poderás gerar pelo caminho, desde que estes &lt;br /&gt;sejam decisões tomadas em sintonia com o teu coração&lt;br /&gt;não escolhas pois economia ou gestão &lt;br /&gt;apenas porque irás gerir finanças&lt;br /&gt;ter emprego garantido e estatuto temporário  &lt;br /&gt;porque terás e trarás não felicidade &lt;br /&gt;mas acidentes que podem resultar em crise &lt;br /&gt;para ti, para os teus, para o País e para o Mundo &lt;br /&gt;se não for a tua missão, ela mesma, a impor-se sobre a tua alma. &lt;br /&gt;Então, antes de mais, procura conhecer-te e à tua missão&lt;br /&gt;não vás tu ter uma grande ilusão. É que a meu ver &lt;br /&gt;reside precisamente aqui o erro que precede a existência do caos &lt;br /&gt;a imposição de um sistema que deficitário &lt;br /&gt;é suportado por uma falsa liberdade&lt;br /&gt;que apenas serve aos crentes da mediocridade&lt;br /&gt;que a ela seguem invertendo o valor daquela missão   &lt;br /&gt;corrompendo, assim pela base, a esperança &lt;br /&gt;que logo falece na infância, em qualquer nova geração &lt;br /&gt;promovendo o falso medo e causando impressões ignorantes &lt;br /&gt;ad infinitum, que resultam na total inaptidão &lt;br /&gt;para alcançar a verdadeira visão &lt;br /&gt;de um paradigma intrínseco &lt;br /&gt;que absolutamente livre &lt;br /&gt;como uma nascente que brota, sabe &lt;br /&gt;que regando as suas desconhecidas margens &lt;br /&gt;estas o ajudarão a encontrar o sentido &lt;br /&gt;apoiando o encontro da água consigo mesmo&lt;br /&gt;aquela que, no mar, sempre desaguará. &lt;br /&gt;Caro amigo, esta torrente chegará em breve&lt;br /&gt;após uma nunca vista revolução&lt;br /&gt;que nem tu nem eu podemos sequer imaginar&lt;br /&gt;mas que virá, não como missão directamente a nós direccionada &lt;br /&gt;mas como missão planetária, impor-se-á&lt;br /&gt;e em extensão, fará nascer em nós a transparência.&lt;br /&gt;Eu, só concebo a acção quando unida a uma boa vontade &lt;br /&gt;e assim, com muito prazer, escravo livre &lt;br /&gt;recebo a felicidade na minha alma&lt;br /&gt;e assim deixo que ela por mim escolha&lt;br /&gt;o caminho da minha missão&lt;br /&gt;mas não tu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-6481731896987276238?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6481731896987276238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6481731896987276238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/07/2011-missao-ontica.html' title='missão ôntica&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-5253837386505531499</id><published>2011-06-14T22:35:00.004+01:00</published><updated>2011-06-15T01:58:44.539+01:00</updated><title type='text'>eu afirmo"</title><content type='html'>Como o grande Sócrates afirma&lt;br /&gt;se da noite nasce o dia&lt;br /&gt;nesta alternância de opostos&lt;br /&gt;através da morte gera-se vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na incompatibilidade dos mesmos&lt;br /&gt;ao não admitirem os seus contrários&lt;br /&gt;conclui-se a imortalidade da alma&lt;br /&gt;que permanece em eterna essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, assim como nas estrelas&lt;br /&gt;que há anos luz faleceram&lt;br /&gt;também a nossa energia&lt;br /&gt;perdura e ilumina as ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis então que em quântica dimensão&lt;br /&gt;necessariamente sem espaço e sem tempo&lt;br /&gt;terei a visão de minha própria imagem  &lt;br /&gt;serei um reflexo em mim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-5253837386505531499?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/5253837386505531499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/5253837386505531499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/06/eu-afirmo.html' title='eu afirmo&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-6791074959468310597</id><published>2011-06-07T20:29:00.003+01:00</published><updated>2011-06-14T22:36:58.379+01:00</updated><title type='text'>os novos sem abrigo"</title><content type='html'>Quando mais novo&lt;br /&gt;era um ás na matemática&lt;br /&gt;contudo, de nada me serviu.&lt;br /&gt;Quis então ser Artista Plástico &lt;br /&gt;e na vontade de o ser inapto, quase autodidacta &lt;br /&gt;dominei algumas técnicas e superei-me a mim mesmo &lt;br /&gt;expressei ideias, emoções e sentimentos  &lt;br /&gt;criei algumas formas significantes&lt;br /&gt;tornei-me naquele pequeno sábio&lt;br /&gt;que pouco público contagiou.&lt;br /&gt;Mas em correcção, julgo que me enganei&lt;br /&gt;pois interminável e plural é o conhecimento  &lt;br /&gt;e eu, apenas uma pequena parcela deste tinha alcançado. &lt;br /&gt;Calculo que com o espírito um pouco mais empírico &lt;br /&gt;quis então ser Psicoterapeuta e abordar o auto-conhecimento &lt;br /&gt;compreender a gestão das emoções e do comportamento&lt;br /&gt;então, tirei uma formação, para ficar obviamente mais douto.&lt;br /&gt;Poderia assim, ter-me emancipado e a todos os sábios&lt;br /&gt;porém, encontrei-me cada vez mais ignorante &lt;br /&gt;pois as verdades, assim como o vento &lt;br /&gt;fugiam-me por entre os dedos &lt;br /&gt;e como a água límpida que nos lava a mão&lt;br /&gt;algo me escapou por essa torrente.&lt;br /&gt;Então, numa constante procura pela essência da palavra&lt;br /&gt;tornei-me Poeta, para ser o mais sábio de entre todos os sábios&lt;br /&gt;contudo, nessa incansável aventura, quase me perdi bem lá no fundo&lt;br /&gt;não fosse o despertar em mim, de um novo amor chamado Sophia. &lt;br /&gt;Mas eis a verdade meu caro amigo cidadão&lt;br /&gt;quantas mais vezes a desejo possuir e sobre ela me debruço&lt;br /&gt;mais compreendo que menos ou nada sobre ela sei&lt;br /&gt;nem das coisas terrenas nem das coisas celestes&lt;br /&gt;muito menos sobre essa menina Filosofia &lt;br /&gt;que bela como o sol os meus ossos enternece.&lt;br /&gt;Pensei então, que talvez por isso mesmo &lt;br /&gt;ela pudesse existir, para além do meu pensamento.&lt;br /&gt;E seguindo este instinto, estendi-me &lt;br /&gt;visitei o meu amigo Platão e a sua Apologia  &lt;br /&gt;que imediatamente numa simples intuição pura entendi &lt;br /&gt;e assim, ao transcender a minha própria sensibilidade conclui: &lt;br /&gt;Se foi na Grécia o Sócrates injustamente acusado&lt;br /&gt;por (não) “cometer crime corrompendo os jovens &lt;br /&gt;e não considerar como deuses &lt;br /&gt;os deuses que a sua cidade considerava&lt;br /&gt;porém outras divindades novas.” (apologia X)&lt;br /&gt;Então hoje, com verdade, muitos, acusados deveriam ser&lt;br /&gt;por cometerem crime corrompendo o nosso País&lt;br /&gt;a sociedade, as famílias,  e o mundo inteiro&lt;br /&gt;por considerarem o ser humano não como pessoa &lt;br /&gt;mas antes como um falso carneiro&lt;br /&gt;transformando assim o seu valor em lucro&lt;br /&gt;e assim considerando como bem último&lt;br /&gt;outro novo deus por eles inventado&lt;br /&gt;a tão venerada mão invisível do mercado. &lt;br /&gt;E logo de seguida, na Apologia pude perceber &lt;br /&gt;que se os demónios são filhos bastardos dos deuses com as ninfas&lt;br /&gt;os nossos gestores, governadores, amiguinhos e afins &lt;br /&gt;como semi-deuses inimputáveis, são filhos adulterados&lt;br /&gt;desta invisível mão que à dignidade e à integridade nos arranca.&lt;br /&gt;Porém hoje, já não há quem, como o filho de Tétis outrora&lt;br /&gt;sem temer a morte e para não sobreviver à vergonha afirmou:&lt;br /&gt;“ Morra eu imediatamente depois de ter punido o culpado &lt;br /&gt;para que não permaneça aqui como objecto de riso,” (apologia XV)&lt;br /&gt;Então, em analogia metafórica e terciária&lt;br /&gt;assim como Sócrates e ao contrário da maioria &lt;br /&gt;eu também não fugirei, antes obedecerei ao meu caminho interno. &lt;br /&gt;Não as negarei, porém, direi não às circunstâncias&lt;br /&gt;procurarei não as riquezas, as memórias ou as honrarias &lt;br /&gt;mas a sabedoria, a verdade e a nossa grande alma.&lt;br /&gt;E por isso, deixo-vos desde já, estas últimas palavras de Sócrates &lt;br /&gt;a esta nossa precariamente abençoada &lt;br /&gt;e amaldiçoada contemporaneidade:&lt;br /&gt;“Quando os meus filhotes ficarem adultos, puni-os,&lt;br /&gt;atormentai-os do mesmo modo que eu vos atormentei, &lt;br /&gt;quando vos parecer que eles cuidam mais das riquezas&lt;br /&gt;ou de outras coisas que a virtude.” (apologia XX)&lt;br /&gt;Meu caro cidadão, se Hume desperta Kant do seu dogmático sono&lt;br /&gt;em semelhança, Sócrates adormece em mim este relativismo idêntico. &lt;br /&gt;De modos que, após leitura da Apologia &lt;br /&gt;começando por uma dedução obviamente hipotética&lt;br /&gt;deparei-me com um insólito facto problema &lt;br /&gt;que antes de induzir e maximizar&lt;br /&gt;aqui proponho em síntese agora mesmo analisar: &lt;br /&gt;Haverá responsáveis pelo estado em que o país se encontra?&lt;br /&gt;E caso a resposta seja afirmativa: Quem serão?&lt;br /&gt;Meus caros amigos cidadãos portugueses &lt;br /&gt;nem foi preciso procurar exemplos&lt;br /&gt;pois de há alguns tempos para cá &lt;br /&gt;eles vão surgindo na diária vivência &lt;br /&gt;do breve contacto quotidiano &lt;br /&gt;que não intencional mas circunstancial &lt;br /&gt;em mim, imparciais e livres de qualquer interesse &lt;br /&gt;se manifestam em relutante espanto.&lt;br /&gt;E daí que de imediato e sem muito esforço &lt;br /&gt;cheguei a uma terceira proposição relevante:&lt;br /&gt;mesmo que algumas pessoas, após algum esclarecimento&lt;br /&gt;tendam a alterar um pouco o seu ponto de vista&lt;br /&gt;um pormenor que me entristece e assusta, eu posso confirmar:&lt;br /&gt;na maioria, quase todos os seres vivos com quem tenho privado &lt;br /&gt;acreditam convictamente, que a culpa, é daqueles que &lt;br /&gt;fazendo-se de necessitados, não querem mesmo é trabalhar &lt;br /&gt;mas em vez disso, preferem viver com alguns euros &lt;br /&gt;às nossas custas, através do social estado.&lt;br /&gt;Porém, poucos são os que argumentam &lt;br /&gt;contra aqueles intermédios ou altos gestores &lt;br /&gt;que obviamente não precisando &lt;br /&gt;diplomaticamente nos roubam biliões  &lt;br /&gt;e que logo de imediato e de forma dogmática &lt;br /&gt;o estado acriticamente se desdobra em acudir!&lt;br /&gt;Pacotes pacotes e mais pacotes, diziam eles&lt;br /&gt;para não pôr em causa o sistema financeiro &lt;br /&gt;para não pôr em causa mais empréstimos vindos dele &lt;br /&gt;para não pôr em causa as empresas, sejam públicas sejam privadas &lt;br /&gt;e assim, os pobres crescem, os empregos baixam e as dívidas aumentam.&lt;br /&gt;Que belos e delinquentes são eles, autênticos ícones deste início de século!&lt;br /&gt;Encanta-me o estômago, ver estes super homens confiantes &lt;br /&gt;que irradiam uma super auto estima, mas que, assim como eu e Sócrates &lt;br /&gt;não fazem a puta da mínima ideia do que é feita a vida ou a morte!&lt;br /&gt;Oh grande Nietzsche! Vem ver que super são estes homens!&lt;br /&gt;Mais uns aninhos e logo somos vendidos na bolsa!&lt;br /&gt;Eu acredito na iniciativa livre e privada, mas com respeito&lt;br /&gt;pois essa liberdade não existe sem auto responsabilidade&lt;br /&gt;e volumosos pacotes cujo conteúdo contêm pobreza&lt;br /&gt;e que apenas servem para alguns enriquecerem, não!&lt;br /&gt;Sim, eu sei muito bem o que estão a pensar! &lt;br /&gt;Não, não é bem assim! &lt;br /&gt;Aliás, se tais grupos existem, não podemos generalizar!&lt;br /&gt;Digamos que há sempre uma ovelha negra em todos os bandos&lt;br /&gt;mas não poderia uma só nódoa manchar todo um pais!  &lt;br /&gt;Caros cidadãos, eu, pelo contrário, aquilo que vejo &lt;br /&gt;é uma ou outra ovelha branca no meio de tantas negras&lt;br /&gt;e como Popper propõem, é necessário procurar essa branca&lt;br /&gt;para poderem falsificar a minha teoria, mas sinceramente &lt;br /&gt;não sei se irão encontrar, pois eu próprio não encontro&lt;br /&gt;apenas uso o meu bom senso, a minha inevitável esperança.&lt;br /&gt;Mas então, pergunto-me eu, se eu não posso &lt;br /&gt;com tudo evidente, generalizar &lt;br /&gt;por que motivo é que a maioria se precipita &lt;br /&gt;em argumentar contra o estado social?&lt;br /&gt;Pois bem, proponho-me então agora compreender esses juízos&lt;br /&gt;a intenção, a causa dessa generalização precipitada &lt;br /&gt;a razão desse raciocínio circular, em que como irão ver &lt;br /&gt;a conclusão deles já está nas premissas&lt;br /&gt;ao assumirem como verdadeiro o que pretendem provar.&lt;br /&gt;E parafraseando, eis o que dizem: &lt;br /&gt;O problema da falta de crescimento &lt;br /&gt;do desemprego e da dívida das contas públicas (e privadas)&lt;br /&gt;é somente daqueles que não querendo trabalhar não produzem &lt;br /&gt;e como não produzem gastam acima daquilo que podem &lt;br /&gt;e como gastam acima daquilo que podem&lt;br /&gt;fazem-se de necessitados, logo, empobrecem &lt;br /&gt;e deixam o País endividado. Que blasfémia &lt;br /&gt;utilizar como argumento a pobreza levianamente&lt;br /&gt;é como invocar o nome de Deus em vão &lt;br /&gt;é como o Pai que cego, usando a palavra amor &lt;br /&gt;bate insistentemente no filho que ele próprio gerou.&lt;br /&gt;A mim parece óbvio a existência de um deslocamento&lt;br /&gt;pois a maioria, aponta o dedo não para cima mas para baixo &lt;br /&gt;para todos aqueles que à priori mais desfavorecidos&lt;br /&gt;não têm argumentos, nem off-shores, nem créditos, nem emprego. &lt;br /&gt;Vivem com ajudas mas pagam o iva, ao contrário de outros &lt;br /&gt;que roubam escondidos e fazem de todos vós uns grandes otários.&lt;br /&gt;E o que me parece contraditório, pois é um facto evidente &lt;br /&gt;é que como todos sabem, à cada vez mais desemprego&lt;br /&gt;mas ainda assim, aquilo que teimam em dizer &lt;br /&gt;é que à cada vez mais pessoas que não querem é trabalhar!&lt;br /&gt;Então pus-me de novo a reflectir: pois admito &lt;br /&gt;que mesmo no meio dos mais desfavorecidos &lt;br /&gt;de facto poderá haver quem não queira trabalhar&lt;br /&gt;e prefira com o pouco que recebe manter-se estagnado &lt;br /&gt;e seja infelizmente feliz dessa maneira &lt;br /&gt;mas esses não andam a roubar milhares!&lt;br /&gt;Afinal nem todos somos sábios e corajosos &lt;br /&gt;cheios de auto-confiança, auto-estima, de méritos e talentos &lt;br /&gt;para levar o País e as empresas para a frente!&lt;br /&gt;Com certeza muitas pessoas são menos qualificadas &lt;br /&gt;pouco inteligentes e menos hábeis, pois como não trabalham &lt;br /&gt;elas devem andar todas por aí sabe-se lá a fazer o quê!&lt;br /&gt;Não podem é gastar mais do que aquilo que têm &lt;br /&gt;pois não recebem pacotes chorudos!&lt;br /&gt;Talvez por isso andem por aí roubar nas ruas, sabe-se lá!&lt;br /&gt;Quando muito mais valioso, é roubar nos cargos e postos de trabalho &lt;br /&gt;com muita mais legitimidade e responsabilidades! &lt;br /&gt;Deveremos pois desprezá-los, mesmo aqueles que não querem trabalhar? &lt;br /&gt;Se mesmo a um animal (e não por caridade) nós matámos a fome &lt;br /&gt;e providenciamos os mínimos cuidados! &lt;br /&gt;Meus caros cidadãos, garanto-vos, aqueles que têm mérito &lt;br /&gt;e se esforçam verdadeiramente, esses são logo postos de lado! &lt;br /&gt;Desculpem lá, eu sei, isto está a ficar um pouco confuso&lt;br /&gt;já nem distinguimos uns dos outros não é mesmo! &lt;br /&gt;Até a mim já me parecem todos iguaizinhos!&lt;br /&gt;Com certeza alguns de vós dirão que sim e outros que não&lt;br /&gt;pois o raciocínio depende aqui do tipo de esperteza &lt;br /&gt;ou seja, que termo atribuímos a estes conceitos!&lt;br /&gt;Inteligência, esperteza, jogo de cintura, adaptação, acomodação&lt;br /&gt;assimilação, mérito, encobrimento, blá blá blá blá blá.&lt;br /&gt;Então, após várias reflexões e por que continuamos todos de calças na mão &lt;br /&gt;creio ter chegado a duas hipotéticas e verosímeis conclusões:&lt;br /&gt;1º os indivíduos inclinam-se para cima e apontam balas para baixo &lt;br /&gt;pois têm a esperança de lá chegar acima.&lt;br /&gt;2º e como o mérito é inexistente &lt;br /&gt;há que reforçar o seu falso valor próprio&lt;br /&gt;(pois este vem de dentro e não de fora) &lt;br /&gt;logo, continuasse a apontar para os mais desfavorecidos &lt;br /&gt;e faz-se comparações para encher o ego com algum falso mérito &lt;br /&gt;e assim preencher o vazio. Oh grande Sartre tens razão! &lt;br /&gt;Eis o ser e o nada!&lt;br /&gt;Por um lado, agem motivados pelo próprio sistema &lt;br /&gt;que funciona por sucessivas sucções apelativas: gastem!&lt;br /&gt;E por outro lado, motivados por um falso lugar ao sol &lt;br /&gt;faz-se jogos de cintura e trapézios empoleirados  &lt;br /&gt;e logo surge o apradinhamento, suporte de um lado e suporte de outro &lt;br /&gt;e continuasse a pisar o terreno daqueles que não trabalham &lt;br /&gt;e com o pé todo, para mais depressa alcançarem o topo&lt;br /&gt;e como de calças na mão à espera que no-las puxem lá de cima&lt;br /&gt;a esses não lhes podemos apontar defeitos, antes, devemos premiá-los &lt;br /&gt;concordar com os seus bónus extraordinários!&lt;br /&gt;Pois se nos puxam a calças por baixo!&lt;br /&gt;E como alguém tem que ser responsabilizado pelo óbvio&lt;br /&gt;temos que encontrar um bode expiatório&lt;br /&gt;ou seja, utilizemos então a memória &lt;br /&gt;como em situações extremas aconteceu em toda a história&lt;br /&gt;vamos massacrar aqueles que não se podem defender&lt;br /&gt;os mais fracos ou desfavorecidos, os pobres &lt;br /&gt;vamos dizer que vivem acima das suas possibilidades&lt;br /&gt;sejam eles ciganos, emigrantes, incultos ou preguiçosos&lt;br /&gt;sejam elas crianças ou idosos, negros ou judeus&lt;br /&gt;até mesmo aquele vizinho, que a viver às minhas custas &lt;br /&gt;se julga mais espertalhão do que nós, a elite das elites neste jogo!&lt;br /&gt;Termos, acções, valores, conceitos, esperteza!&lt;br /&gt;Vamos pois escolher alguns valores em detrimento de outros:&lt;br /&gt;os gestores por exemplo, que (eu ia dizer que nada fizeram) &lt;br /&gt;mas como pretendo comparar com a preguiça, serei rigoroso:&lt;br /&gt;gestores que levaram o País à falência, empresas e banca &lt;br /&gt;e que se esforçaram ainda assim a esticar a mão ao estado &lt;br /&gt;estão a perceber? Mas não é ao estado social! Não, é um outro &lt;br /&gt;um estado azul que é só para alguns, mas que por arrasto &lt;br /&gt;convém que seja dos pobres! Compreendem?&lt;br /&gt;É como a apreensão do objecto! &lt;br /&gt;Começa na sensibilidade mas de onde provém!&lt;br /&gt;Espero que estejamos entendidos!&lt;br /&gt;Eles recebem ajuda de todos nós, recebem benefícios &lt;br /&gt;recebem chorudos ordenados e claro, andam por ai &lt;br /&gt;ou seja, pior que os preguiçosos que nada fazem &lt;br /&gt;estes metem acção e fazem muito mal, mas agem &lt;br /&gt;e por isso aparentemente trabalham&lt;br /&gt;logo, perde a preguiça e vence a acção &lt;br /&gt;livre de amarras, intencional, consciente e responsável!&lt;br /&gt;Já Satre dizia: “o homem está condenado a ser livre”&lt;br /&gt;só não sei o que ele pensava da preguiça!&lt;br /&gt;Para mim, existe preguiça quando não existem horizontes&lt;br /&gt;quando não existe esperança, quando nos arrastam para o abismo &lt;br /&gt;e nos deixam impotentes retirando-nos a autenticidade dos nossos sonhos &lt;br /&gt;de querer-mos apenas ser um fim em nós mesmos. &lt;br /&gt;É como a pérola da preguiça que não vinga &lt;br /&gt;que perde perante a destruição dos boys e das girls &lt;br /&gt;que mais que inteligentes, são os chicos espertos que ganham milhões&lt;br /&gt;e que tendem a dominar os pobres coitados que não se subjugam &lt;br /&gt;que inteligentes ou não, pensam ser mais espertos que nós &lt;br /&gt;para tentarem viver às nossas custas. Esses tipos!  &lt;br /&gt;Mas reparem, se o peso do argumento fosse focado &lt;br /&gt;na verdadeira inteligência e não na esperteza, seria diferente &lt;br /&gt;pois teriam que por em causa os seus talentos intelectuais &lt;br /&gt;e esses não convém analisar, pois não existem e pelo que vemos &lt;br /&gt;levaram-nos a isto. Economistas, políticos, gestores e empreendedores  &lt;br /&gt;à excepção daqueles que ainda se conseguem disfarçar  &lt;br /&gt;pois ainda não foram chamados a participar na festa. &lt;br /&gt;Pois continuemos, com opções de valor: pensemos pois &lt;br /&gt;como muitos pensam, naqueles bandidos que vivem nos bairros &lt;br /&gt;não aqueles engenheiros educados, que recebem porque trabalham &lt;br /&gt;e se mantém a receber no fundo desemprego &lt;br /&gt;não aqueles que têm reformas enormes, hiperbólicas &lt;br /&gt;e que o que fizeram foi fazer que trabalham nestes últimos 35 anos &lt;br /&gt;e deixar a conta para os próximos 35 anos!&lt;br /&gt;Não, não e não! Não, efectivamente não &lt;br /&gt;a todos aqueles que roubam nas autarquias &lt;br /&gt;nas empresas publicas ou privadas!&lt;br /&gt;Meu caros, eu sei! Eu sei e concordo que sim! &lt;br /&gt;Não façamos mais confusão! &lt;br /&gt;Claro que tem que haver mais rigor e coisa e tal &lt;br /&gt;claro que sim, é mesmo por aí! Mas como eu disse inicialmente &lt;br /&gt;não é essa a proposta que pretendo clarificar, mas o motivo &lt;br /&gt;do argumento principal que culpabiliza os pobres &lt;br /&gt;e que afirma que não querem trabalhar&lt;br /&gt;mas antes viver às custas. Mas afinal quem é que vive às custas?&lt;br /&gt;Aqueles bodes expiatórios que eu considero que são injustamente &lt;br /&gt;catalogados e vistos como um alvo a abater? Ou os outros? &lt;br /&gt;Mais confusão para esclarecer? E porquê? Pré-conceitos. &lt;br /&gt;Pois ao cume da pirâmide ninguém se importa de chegar &lt;br /&gt;e para isso, convém não esquecer aqueles bandidos&lt;br /&gt;que jamais lá chegarão e que nos roubam o dinheirinho &lt;br /&gt;e depois andam ai pelas ruas talvez a fazer uns assaltinhos &lt;br /&gt;nas caixas dos supermercados. A esses, para a cadeia com eles &lt;br /&gt;aos outros, nós um dia com a ajuda da mão invisível chegaremos lá.&lt;br /&gt;É inevitável que estereótipos não nasçam, pois caso contrário &lt;br /&gt;irão em cima dos grandes e se acabam com eles &lt;br /&gt;com eles vai-se a nossa esperança de lá chegar um dia! &lt;br /&gt;E como não temos mérito, vamo-nos afundar &lt;br /&gt;com os pobres coitados e desgraçados, olha eu, um desfavorecido!&lt;br /&gt;Não, não e não, os outros não são bandidos, e assim como eles &lt;br /&gt;eu também quero a minha bruta reforma e por isso &lt;br /&gt;jogo de cintura e toca a apontar baterias aos mais pobres &lt;br /&gt;que ainda por cima são ingratos! Pois oferecemos-lhes &lt;br /&gt;uma esmolinha para fazerem ai uns servicinhos pelo País &lt;br /&gt;e eles recusam! O melhor é tirarmos-lhes tudo&lt;br /&gt;e entregarmos-lhes um saquinho de alimentos por semana!&lt;br /&gt;Meu caros, se esses gestores e afins tivessem em determinadas circunstâncias &lt;br /&gt;garanto-vos que também andariam a roubar cobre ou a assaltar velhinhas&lt;br /&gt;pois afinal, mesmo não precisando, ainda assim, indirectamente fazem o mesmo. &lt;br /&gt;Permitam-me agora finalizar com uma analogia Socrática: &lt;br /&gt;estes juízos, comparo-os à iniquidade do nosso sistema judicial&lt;br /&gt;antes, aqui e agora, sempre duros e impiedosos com os pobres&lt;br /&gt;clementes e arbitrários com os poderosos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-6791074959468310597?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6791074959468310597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6791074959468310597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/06/2011-os-novos-sem-abrigo.html' title='os novos sem abrigo&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-9109182031943611656</id><published>2011-05-17T19:00:00.006+01:00</published><updated>2011-06-07T20:30:20.790+01:00</updated><title type='text'>a suar"</title><content type='html'>Se há momentos que sobrevoam a eternidade, este é um deles&lt;br /&gt;em que as palavras autênticas me fogem das mãos &lt;br /&gt;viciadas, irredutíveis, quase livres. E as asas da angústia  &lt;br /&gt;como indomáveis ciclones ausentam-se do céu &lt;br /&gt;impõem-se, diluem-se na sua extensão &lt;br /&gt;exilam-se em novos conceitos espácio-temporais &lt;br /&gt;à procura do seu próprio entendimento &lt;br /&gt;e nada, pois ainda nenhuma actividade cognoscente &lt;br /&gt;cresceu neste planeta suficientemente. &lt;br /&gt;Eis-me então através de uma aparente dor desmedida &lt;br /&gt;unido ao incomensurável, ao inusitado, ao incondicionado&lt;br /&gt;mas francamente decepcionado, sem causa e sem unidade &lt;br /&gt;sem qualquer substância visível, a não ser aquela expressão de revolta &lt;br /&gt;que sempre se afigura ao rosto e se acomoda ao nervo do osso.&lt;br /&gt;Eis uma verdade que eu julgo existir, mas que porém &lt;br /&gt;jamais encontrarei nos sítios por onde passei&lt;br /&gt;nas épocas por onde reencarnei, nas percepções pelas quais existi &lt;br /&gt;nas estruturas da minha alma ou nos suportes do meu próprio cadáver.    &lt;br /&gt;Contudo, neste profundo vácuo que se assemelha a um poço sem fundo&lt;br /&gt;é o teu rosto sereno e puro, que por breves momentos&lt;br /&gt;vejo reflectido em límpidas e agitadas águas &lt;br /&gt;que claras e distintas vibram em absoluta respiração &lt;br /&gt;e que em evidência me conduzem a uma breve suspensão do juízo. &lt;br /&gt;São no entanto múltiplos os sons que me desconcentram:&lt;br /&gt;as pessoas que ali e acolá não se calam, ingénuas do silêncio&lt;br /&gt;e as frases, que daquele jornal, além, na minha direcção se levantam&lt;br /&gt;e o ruído dos média, que inverosímil, é completamente oposto&lt;br /&gt;à gravidade das gotas da chuva que ouço caírem do céu&lt;br /&gt;e ao barulho do relógio, que metódico e hiperbólico &lt;br /&gt;recorda-me sempre este miserável sistema &lt;br /&gt;idêntico a este mecânico PC, que utilizo até à sua falência &lt;br /&gt;até ao extraordinário implante de um novo paradigma sem pobres &lt;br /&gt;sem exploração, sem lucros e sem fundos monetários &lt;br /&gt;sem predadores, sem inconscientes abusos em luxuosos hotéis &lt;br /&gt;sem violência sobre as pessoas, sem assassinos &lt;br /&gt;sem guerras e sem qualquer tipo de tráfico &lt;br /&gt;pois se o dinheiro é garantia de sobrevivência&lt;br /&gt;toda a ganância com ele começa &lt;br /&gt;porém o real valor de um ser humano &lt;br /&gt;não provém do sublime toque das notas &lt;br /&gt;e muito menos do que elas podem comprar&lt;br /&gt;pois apenas os débitos ficam delas dependentes.   &lt;br /&gt;Eis pois que casualmente o seu aparente valor é transformado&lt;br /&gt;numa mera associação psicológica&lt;br /&gt;numa ilusão criada através do hábito &lt;br /&gt;de as ver em circulação, mas sem retoma &lt;br /&gt;pois com numerosos excedentes &lt;br /&gt;onde elas sempre retornam é à mesma fonte&lt;br /&gt;que elaborada numa perversa combinação &lt;br /&gt;entre algumas mentes complexas&lt;br /&gt;dominam aquelas mais simples ideias&lt;br /&gt;que tudo arrastam e tudo levam consigo&lt;br /&gt;não sobrando nadinha para além de miséria.&lt;br /&gt;É que para além do ar que em movimento respiro&lt;br /&gt;e que extrínseco aos meus órgãos internos&lt;br /&gt;despertam a biologia que há em mim&lt;br /&gt;eu percebo o valor de um fenómeno sem nome &lt;br /&gt;pois sendo eu um fim em mim mesmo &lt;br /&gt;eu sou também a minha própria motivação&lt;br /&gt;aquela intenção que não se acomoda, mas antes refuta &lt;br /&gt;este fenómeno vigente, que na troca de valores fundamentais &lt;br /&gt;pela colorida virtude de um qualquer papel imprimido &lt;br /&gt;que porque do nada veio, nada deu e nada dará &lt;br /&gt;para além do suor de agora teres que o pagar e já nada teres&lt;br /&gt;pois tudo te foi retirado, como um boomerang que sempre retorna &lt;br /&gt;ao seu dono, por um perfeito e rigoroso processo empírico &lt;br /&gt;meticulosamente experimentado e aparentemente corrigido &lt;br /&gt;e mesmo que indubitavelmente falsificado&lt;br /&gt;por eles sempre corroborado, sem contraditório &lt;br /&gt;em total desequilíbrio, absolutamente corrompido &lt;br /&gt;e porque tão desigual e injusto se revela &lt;br /&gt;consequentemente por mim rejeitado, não assimilado: &lt;br /&gt;é como a impossibilidade de emitir som pelas orelhas&lt;br /&gt;de observar pelo nariz ou perceber pelo fígado as minhas ideias&lt;br /&gt;assim como urinar pelo ânus e defecar pelos dedos &lt;br /&gt;ou fazer a digestão através do sistema nervoso&lt;br /&gt;que em pleno cérebro exposto numa cuba&lt;br /&gt;diariamente seria abastecido acedendo-se a ele na rua &lt;br /&gt;através de um qualquer cartão multi-neuro-funções. &lt;br /&gt;Oh vento! que sempre passas imprevisível! &lt;br /&gt;para que este dia não se esgote em apatia&lt;br /&gt;traz-me de novo essa imagem verosímil&lt;br /&gt;que me transmite a verdadeira alegria&lt;br /&gt;de ser Pai de uma maravilhosa Filha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-9109182031943611656?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/9109182031943611656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/9109182031943611656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/05/2011.html' title='a suar&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-7332757172899826811</id><published>2011-04-08T15:32:00.006+01:00</published><updated>2011-05-17T18:59:04.676+01:00</updated><title type='text'>em suspiro"</title><content type='html'>Esperava por ti&lt;br /&gt;e como sempre, orgulhoso &lt;br /&gt;por fazer parte da tua existência.&lt;br /&gt;O sol apreendia-me parcialmente, aquecia o meu rosto&lt;br /&gt;afectava os meus tecidos e nervos, que em revelação &lt;br /&gt;suspendiam os ossos da fantasia, os ossos da filosofia.&lt;br /&gt;Quem atentamente me observasse, espantar-se-ia &lt;br /&gt;com a aura que neste estado de espírito por ti provocado &lt;br /&gt;em mim surgia. Mas sim, acho que sim, de facto é isso mesmo &lt;br /&gt;a verdade é que ninguém repara em mim desta maneira!&lt;br /&gt;Em mim, egocêntricos apenas um objecto enxergam &lt;br /&gt;matéria que paradoxalmente independente e distante das suas vidas &lt;br /&gt;como um reflector transfigurado os recebe &lt;br /&gt;e aos seus perfeitos raios de sol ardentes  &lt;br /&gt;que necessariamente sedentos da minha existência &lt;br /&gt;emitem em falaciosa ilusão a beleza que os engrandece &lt;br /&gt;e que em zombies anestesiados os enaltece. &lt;br /&gt;Que loucura, que confusa e dogmática a mente de alguns&lt;br /&gt;que sem reflexão se reflecte a si mesma em esgotamento.   &lt;br /&gt;Enquanto esperava por ti, hora de ponta &lt;br /&gt;filas de carros estancavam à minha frente &lt;br /&gt;a fluência formava coágulos em câmara lenta&lt;br /&gt;logo, a apetência para o chamamento cognoscível era inevitável. &lt;br /&gt;Como que hipnotizado, deixei de pensar&lt;br /&gt;um véu de ignorância sobre a minha alma pousou&lt;br /&gt;fermentando pura fenomenologia.&lt;br /&gt;Contudo, repara bem, pois não convém esquecer &lt;br /&gt;eu tinha sido atingido pela tua presença&lt;br /&gt;e quando estás por perto a realidade para mim não é a mesma&lt;br /&gt;pois como um anjo alado, tu inspiras tudo &lt;br /&gt;o que misteriosamente de bom há em mim.&lt;br /&gt;(Se Eric Burne pudesse ler as minhas próximas premissas &lt;br /&gt;diria que o meu problema é pensar que eu estou ok &lt;br /&gt;e os outros não, logo, estaria a precisar de terapia) &lt;br /&gt;mas sem ironias, não é bem isso o que eu pretendo dizer&lt;br /&gt;é muitíssimo muito mais do que isso. &lt;br /&gt;Quanto a terapia estarei sempre necessitado &lt;br /&gt;mas não por esses fracos motivos, contudo &lt;br /&gt;pressinto porém, que nele, compreensão não demoraria &lt;br /&gt;mesmo sabendo que tal refutação jamais aplausos dele colheria &lt;br /&gt;mas a ti, que nada posso em fiel reprodução demonstrar-te &lt;br /&gt;do que ali à priori verdadeiramente se passou, apenas posso afirmar &lt;br /&gt;o que entre domínios de um tipo de vivência &lt;br /&gt;a pura existência de um ente criou.&lt;br /&gt;Aguardava então por ti, encostado àquele poste enrolado &lt;br /&gt;por baixo daquelas varandas iguais a todas as outras.&lt;br /&gt;Como é bom esperar por ti… só tu me fazes reflectir  &lt;br /&gt;e nos tempos que correm, esperar-te-ia eternamente.&lt;br /&gt;Foi quando em suspensa pura alegria, num prolongado ápice &lt;br /&gt;um infinito insight surgiu e tomou posição.  &lt;br /&gt;E agora, uma vez mais, repara&lt;br /&gt;esta é a minha percepção da realidade&lt;br /&gt;que só eu e apenas eu tive, mas que creio não apenas eu sei &lt;br /&gt;algo que não como uma visão colectiva &lt;br /&gt;mas antes única e irredutível, no universo aconteceu&lt;br /&gt;e como com certeza poucos comigo concordarão  &lt;br /&gt;chamemos-lhe então uma Socrática verdade &lt;br /&gt;daquilo que em lenta osmose somente eu &lt;br /&gt;e uma parte de mim, oculta, apreendeu. &lt;br /&gt;Sim, claro que sim, eu tinha que questionar &lt;br /&gt;ponderar os meus próprios raciocínios, que ilógicos &lt;br /&gt;se propunham em sombra baralhados enunciarem-se aleatoriamente.&lt;br /&gt;Mas como afirmam as autoridades, um facto é um facto&lt;br /&gt;(obviamente à excepção daqueles &lt;br /&gt;que ao invés de servirem para confirmar responsabilidades&lt;br /&gt;na busca de critérios de prova para casos de colarinho branco   &lt;br /&gt;servem antes para facilmente se invocar o princípio da dúvida pirrónica&lt;br /&gt;quando estão em causa poderosas personagens).&lt;br /&gt;E eu, enquanto encostado reflectia sobre esta dupla penumbra &lt;br /&gt;via e sentia os trabalhadores do meu País &lt;br /&gt;que como sempre pontuais  e de pose bem colocada &lt;br /&gt;em charme desfilavam pela via láctea  &lt;br /&gt;e em contemporâneos malabarismos &lt;br /&gt;embrulhavam-se pela estrada fora como pequenas almas &lt;br /&gt;que em loucura pré-adolescência &lt;br /&gt;ora abrandavam, ora paravam e arrancavam&lt;br /&gt;(parecia um trailer em 4 dimensões  &lt;br /&gt;uma espantosa fita de raros frames &lt;br /&gt;para mais tarde assistir na Tv). &lt;br /&gt;Toda a nossa colorida elite por ali passarinhava &lt;br /&gt;paravam alguns segundos à minha frente &lt;br /&gt;e para meu espanto arrancavam transfigurados.&lt;br /&gt;À primeira impressão, como já disse Platão&lt;br /&gt;todos transmitiam correcção e eloquente dignidade&lt;br /&gt;um fogo envolto em méritos e vaidades Aristotélicas tais &lt;br /&gt;que consequentemente podíamos indubitavelmente deduzir&lt;br /&gt;que todas estas personagens somente viveriam do suor do seu trabalho&lt;br /&gt;ou da sua intensa actividade intelectual, de modo que&lt;br /&gt;se têm imóveis ou bens, boa vida e estado de graça, é porque merecem &lt;br /&gt;como resultado dos seus talentos, adquiridos ou inaptos &lt;br /&gt;vindos do Pai, do País, do partido&lt;br /&gt;deles mesmos, do filho ou do espírito Santo.&lt;br /&gt;Uns, produzidos em tráfico, através do grande amigo estado &lt;br /&gt;e outros, através do amigo do amigo em privado influenciado. &lt;br /&gt;Todos eles detentores de gordura e afectos em excesso.&lt;br /&gt;Uns, grandes estadistas que vendem coisas a si mesmos e a eles próprios&lt;br /&gt;outros, variados especialistas que vendem objectos e precários serviços &lt;br /&gt;ambos interligados inventam éticas e contas virtuais&lt;br /&gt;uns, adoutorados, outros, ainda que licenciados&lt;br /&gt;em complacência lamentam os seus resultados &lt;br /&gt;pois não era bem aquilo que pretendiam &lt;br /&gt;era apenas o que na altura parecia mais útil.&lt;br /&gt;Ambos e ainda outros, às vezes os mais inteligentes &lt;br /&gt;naturalmente não sabiam bem aquilo que queriam&lt;br /&gt;logo, deixaram-se iludir por aquilo que viam. &lt;br /&gt;Mas seja como for, entre alguns governantes magistrados e advogados &lt;br /&gt;gestores e contabilistas entre outros, todos por ali desfilavam.    &lt;br /&gt;Um grande pacote de medidas particulares &lt;br /&gt;pois afinal não anda tudo isto interligado?&lt;br /&gt;Oh grande Darwin! O que tu me dizes a isto?&lt;br /&gt;Entre milhões e mais milhões e alguns milhares pelo meio&lt;br /&gt;pobres e mais pobres e cada vez mais pobres &lt;br /&gt;sempre os mesmos ossos de pobres embalados&lt;br /&gt;os culpados pela decadência dos nossos genes&lt;br /&gt;os que responsáveis pela sua fraqueza &lt;br /&gt;contaminaram sobredotados, os mais fortes&lt;br /&gt;que agora exigem cortes pela insensatez &lt;br /&gt;dos que se mantêm em contínua pobreza.&lt;br /&gt;Oh imenso Jesus crucificado! &lt;br /&gt;A estes novos escravos inadequados e desossados&lt;br /&gt;ambas as partes do seu suculento fruto são espremidas &lt;br /&gt;a parte masculina e a parte feminina, adultos velhos e crianças. &lt;br /&gt;- Espremam-nos! (não é o que dizem, mas é o que pensam) &lt;br /&gt;que tudo o que nasce torto se endireita! &lt;br /&gt;Acredita anjo meu, eu ouvi!&lt;br /&gt;E do outro lado da estrada, no passeio&lt;br /&gt;um individuo de cinquenta ou sessenta anos &lt;br /&gt;como uma criança assustada, chorava compulsivamente&lt;br /&gt;e os seus pensamentos, em soluços &lt;br /&gt;emitiam uma crença verdadeira justificada&lt;br /&gt;que nem Gettier punha em causa.&lt;br /&gt;Em monólogo eu ouvia-o exclamar: &lt;br /&gt;que ainda faltavam alguns dias para o fim do mês &lt;br /&gt;e por isso já não comia há alguns dias &lt;br /&gt;vivia apenas com 150 euros de reforma&lt;br /&gt;e naquele dia, tinham-lhe cortado a água  &lt;br /&gt;por falta de pagamento de 12 euros &lt;br /&gt;e que agora, não satisfeitos, lhe exigiam 88 euros &lt;br /&gt;para lhe reporem o tal contador que jorra a água nossa&lt;br /&gt;ou melhor, a água benta que só a eles lhes pertence.&lt;br /&gt;Transito, vasos sanguíneos, coágulos&lt;br /&gt;fluxos interrompidos, rotura, pobreza.&lt;br /&gt;E eis o que eu ali encostado via passar à minha frente &lt;br /&gt;bons e gatunos burgueses empinados&lt;br /&gt;aristocratas a caminho da sua corte&lt;br /&gt;e escrupulosos magistrados, que com a sua hábil retórica sofista&lt;br /&gt;em sumptuosos cavalos saltavam atordoados.&lt;br /&gt;Juízes de um tal rigor intelectual e moral&lt;br /&gt;que até o pó que me rodeava assentava só de os ver passar&lt;br /&gt;na sua sublime e móvel cadeira ombriada &lt;br /&gt;por alguns escravos de fato e gravata.&lt;br /&gt;Um deles, homem divorciado, coitado &lt;br /&gt;parecia-me totalmente e irremediavelmente perdido&lt;br /&gt;a mãe de sua filha era uma vingativa juíza&lt;br /&gt;que em seu próprio subconsciente &lt;br /&gt;arrastava material intenso &lt;br /&gt;de sua triste e penosa infância ferida.   &lt;br /&gt;Na presença da sua própria cria, ninguém previa &lt;br /&gt;mas este pobre homem acabou por levar um tiro &lt;br /&gt;e a sua filha, repousa agora em público sublimado &lt;br /&gt;nos braços do seu avô assassino.&lt;br /&gt;Inocuidade, espanto, desalento, filosofia.&lt;br /&gt;O bafo que estas imagens emanavam &lt;br /&gt;remetia-me para o final dos tempos &lt;br /&gt;e a minha alma em soluços recordava &lt;br /&gt;o ministério da justiça e os polícias &lt;br /&gt;que em rigor multam e prendem os pobres&lt;br /&gt;condenados, juntamente com os colarinhos brancos.  &lt;br /&gt;As mulheres passavam e sorriam até ao osso do nervo &lt;br /&gt;despiam-se em pausados movimentos articulados &lt;br /&gt;o odor da sua substância transpirava flores afrodisíacas&lt;br /&gt;gueixas e cleópatras, que sem qualquer pudor solicitavam  &lt;br /&gt;e leiloavam-se ao telemóvel entre agridoces frases purificantes &lt;br /&gt;que acalmavam o seu amado coração embalsamado. &lt;br /&gt;Políticos questionavam-se se tal suborno deveriam aceitar&lt;br /&gt;pois era demasiado pouco em relação ao que o seu colega &lt;br /&gt;tinha acabado de açambarcar.&lt;br /&gt;Investigadores profissionais ligavam aos seus procuradores&lt;br /&gt;a contar-lhes o que tinham visto de tão anormal&lt;br /&gt;mas, azar de alguém, as alegações já estavam há séculos terminadas&lt;br /&gt;mesmo antes de alguém ter sido acusado. &lt;br /&gt;Alguns médicos perfeccionistas, à custa da imperfeição humana &lt;br /&gt;ruminavam as maiores fraudes do continente.&lt;br /&gt;Já só via homens embriagados, levianos, sem escrúpulos &lt;br /&gt;indignos da pior prostituta. Alguns pareciam palhaços &lt;br /&gt;fugidos do circo que há dias montou a tenda lá em baixo.&lt;br /&gt;Olhei para o céu, mas este não estava estrelado&lt;br /&gt;vi bombas caírem, mísseis teleguiados &lt;br /&gt;serão necessárias? suficientes?&lt;br /&gt;Talvez, não sei, melhor será suspender o juízo &lt;br /&gt;distanciar-me, deixar tudo em aberto.&lt;br /&gt;A certa altura, vi-te ao longe chegar, suspirei &lt;br /&gt;voltei a olhar de novo para aquela estrada e comecei a questionar:&lt;br /&gt;Aquilo que eu via era real? Poderia ser possível?&lt;br /&gt;Ou era apenas o que os meus órgãos viam&lt;br /&gt;por entre a brecha de uma rocha orgânica &lt;br /&gt;que aberta na extremidade do escuro vácuo do meu cérebro &lt;br /&gt;reflectia? Como resolver este enigma?&lt;br /&gt;Será o que vejo uma fiel reprodução &lt;br /&gt;ou uma simples representação oriunda de uma profunda caverna &lt;br /&gt;que dos seus tecidos, para a minha ocular membrana &lt;br /&gt;reflecte a sombra de algo, ao qual os meus olhos &lt;br /&gt;através de um raio de luz alquímico fermentam a cor &lt;br /&gt;e reproduzem aquilo a que chamamos vida?&lt;br /&gt;Serei eu capaz de ver a essência de uma máscara?&lt;br /&gt;Ou serão eles apenas fantasmas &lt;br /&gt;que em conflito lutam no meu subconsciente?&lt;br /&gt;Deixai-me recordar…são sempre os mesmos ossos!&lt;br /&gt;E aquela energia densa que quase me deixa embriagado&lt;br /&gt;entre associações freudianas e transferências remotas! &lt;br /&gt;Será que só eu tenho esta visão? &lt;br /&gt;Como encarar aquilo que vejo?&lt;br /&gt;Como organizar em mim tais inquietações?&lt;br /&gt;Será que também eles da estrada &lt;br /&gt;sentados ao volante de seus carros &lt;br /&gt;têm noção cognoscente e me vêem aqui a observá-los?&lt;br /&gt;Claro que não. Eles não me vêm como eu sou&lt;br /&gt;apenas têm assim como eu a sua própria percepção&lt;br /&gt;daquilo que vêm. Mas com que termos? &lt;br /&gt;À medida que te aproximas&lt;br /&gt;com a essência da vida gentilmente estampada no teu rosto &lt;br /&gt;com aquela pura substância mesma que só tu em graça possuis&lt;br /&gt;de igual modo e com a mesma transparência e reverência&lt;br /&gt;assim como eu, também estas árvores &lt;br /&gt;à nossa frente plantadas por entre o passeio&lt;br /&gt;que divide os limites da estrada&lt;br /&gt;se desdobram em total convergência&lt;br /&gt;para ouvirem a glória dos teus passos&lt;br /&gt;e para simplesmente te verem passar.  &lt;br /&gt;E assim como elas, idealistas &lt;br /&gt;também eu vivo experiências verdadeiramente sensoriais&lt;br /&gt;e sem jamais ter gnósticas certezas &lt;br /&gt;do tipo de vida que nelas floresce &lt;br /&gt;recrio posteriores imagens naturais.&lt;br /&gt;E porque moderadamente solipsista &lt;br /&gt;solitário abarco o Mundo&lt;br /&gt;conheço-te tanto quanto a mim próprio&lt;br /&gt;sei pois que necessariamente fazes parte de mim&lt;br /&gt;logo, só posso afirmar e defender &lt;br /&gt;uma activa e contínua extensão do bem&lt;br /&gt;negar a morte e trazer-te do além.&lt;br /&gt;E para que não pereças em realidade estrutural &lt;br /&gt;na minha cabeça tocar-te-ei e observar-te-ei eternamente &lt;br /&gt;a ti e à realidade da tua imagem que ambos construi-mos &lt;br /&gt;na correlação dos limites deste fenómeno que é a nossa vivência &lt;br /&gt;em que no escuro de uma caverna, decidimos momento a momento &lt;br /&gt;a direcção que devemos tomar e aquilo que queremos&lt;br /&gt;com os nossos olhos alcançar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-7332757172899826811?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7332757172899826811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7332757172899826811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/04/2011-em-suspiro.html' title='em suspiro&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-304263593208812256</id><published>2011-02-16T16:55:00.008Z</published><updated>2011-04-08T15:34:56.147+01:00</updated><title type='text'>levem-me"</title><content type='html'>Podiam-me tirar tudo &lt;br /&gt;mesmo tudo aquilo que ainda não tenha&lt;br /&gt;absolutamente e irreversivelmente tudo meus amigos:&lt;br /&gt;as mulheres que ternamente aquecem ossos &lt;br /&gt;em círculos de volúpia ou em saltos olímpicos intermináveis &lt;br /&gt;as que ouvem, as que falam, as que se despem na despedida&lt;br /&gt;até mesmo as que felizmente nada fazem:&lt;br /&gt;sejam elas giras advogadas ou inteligentíssimas juízas &lt;br /&gt;sensuais psicólogas ou generosas bancárias. &lt;br /&gt;Também me podem arrancar os amigos que julgo ter &lt;br /&gt;e até mesmo aqueles que não querendo poderia vir a ter&lt;br /&gt;sejam eles solidários, geniais ou categoricamente leais.&lt;br /&gt;Podem de mim, levar todos os bens que tanto estimo:&lt;br /&gt;o veículo que sempre acompanha as minhas viagens mentais&lt;br /&gt;e tanta companhia me faz, um autêntico ambulante divã terapêutico. &lt;br /&gt;Levem-no! Levem-me esse amontoado de órgãos para longe&lt;br /&gt;que vos ofereço a televisão de brinde&lt;br /&gt;para onde fruem as partículas dos meu ossos &lt;br /&gt;as do meu cérebro mental e as do meu cérebro visceral.&lt;br /&gt;Peguem tudo e não deixem nada que eu não sou niilista!&lt;br /&gt;Levem! Levem o teto de minha casa que eu adoro as estrelas &lt;br /&gt;elas iluminarão o meu caminhar interno &lt;br /&gt;e mesmo que em erro me conduzam ao inferno&lt;br /&gt;eu pago, e como sempre, podem apostar que eu regresso ileso.&lt;br /&gt;Sempre com o coração nas minhas próprias mãos:&lt;br /&gt;a pulsar de frio por ter congelado Hades no seu próprio trono.&lt;br /&gt;Eis a minha verdade infalsificável, incomensurável e incomunicável.&lt;br /&gt;Mas deixa-me tentar persuadir-te meu irmão situacionista: &lt;br /&gt;podes tirar-me tudo, mesmo tudo, até os ossos das minhas partículas&lt;br /&gt;o próprio ar, onde em respiração elas convivem pelas suas próprias leis&lt;br /&gt;leis que jamais algum génio em ascensão determinou.&lt;br /&gt;Podes tirar-me a cama, onde o meu espírito repousa e abastece o ânimo &lt;br /&gt;e pensando bem, leva as paredes para que o vento clarifique &lt;br /&gt;dê voz e ondule as minhas palavras.&lt;br /&gt;Leva-me a alma que eu permanecerei crente&lt;br /&gt;leva-me o raciocínio que eu permanecerei autónomo &lt;br /&gt;leva contigo os meus olhos que eu jamais a esquecerei&lt;br /&gt;e os ouvidos por onde a sua melodiosa voz me chega, leva-mos!&lt;br /&gt;Leva o meu corpo que acaricia o seu rosto angélico e cheio de vida;&lt;br /&gt;podem levar tudo malditos ignorantes, pois nada levam.  &lt;br /&gt;Por tudo o que de mim tirem, o “nada” que permanece fortalecer-se-á.&lt;br /&gt;Queimem até mesmo este texto, que alguém o recordará. &lt;br /&gt;Mas apaguem de uma vez por todas essas luzes que duram séculos&lt;br /&gt;pois não são mais que ilusão óptica, ou a impossibilidade &lt;br /&gt;de a verdadeira luz efectivamente brilhar.&lt;br /&gt;A minha arte, mesmo que apoiada na sua plurivocidade &lt;br /&gt;estará mais perto de alguma verdade do que a tua ciência&lt;br /&gt;que ao querer encontrar o evidente nas coisas mesmas &lt;br /&gt;sabe porém, que se move dominada pelo provável&lt;br /&gt;no pântano da sua descartável validade.&lt;br /&gt;Já a arte, não sendo útil, eternizar-se-á.&lt;br /&gt;Eis a pura realidade que até nós vem &lt;br /&gt;através do próprio espírito apreendido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-304263593208812256?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/304263593208812256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/304263593208812256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/02/2011.html' title='levem-me&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-6354970493313505020</id><published>2011-01-27T23:45:00.019Z</published><updated>2011-02-16T16:55:13.323Z</updated><title type='text'>um grito"</title><content type='html'>Há sempre imagens que resistem à sua própria definição;&lt;br /&gt;seja o eu, que em si absorve o que é teu e em ti se transforma &lt;br /&gt;como a representação daquela árvore despida  &lt;br /&gt;ressonante, paralisada e hipnotizada de frio pelo tempo;&lt;br /&gt;sejam as figuras que distantes e paralelas roçam o si &lt;br /&gt;com sorrisos escondidos por entre olhares humedecidos, sedentos&lt;br /&gt;e que em proximidade aquecem os meus ossos  &lt;br /&gt;com murmúrios quotidianos e gemidos silenciosos, lânguidos.&lt;br /&gt;Eis os gestos que verdadeiramente evidentes e paradoxais&lt;br /&gt;descrevem a simples complexidade da vida.&lt;br /&gt;Que emoção! Deixai-me suspirar de triste alívio&lt;br /&gt;e em ataráxico movimento, quase misógino &lt;br /&gt;(porque ainda assim, crente na substância dos teus ossos)&lt;br /&gt;permanecer indeciso e subjectivo, quântico &lt;br /&gt;aberto ao aleatório, fazendo apostas contigo.  &lt;br /&gt;Óooh! servo do devir que te desgastas em apáticos círculos&lt;br /&gt;Óooh! gente miúda e desconcertante &lt;br /&gt;que ora irritante ora analgésica e relaxante&lt;br /&gt;me seduz o nervo dos ossos.&lt;br /&gt;Que possibilidades têm imagens sem nome&lt;br /&gt;de me assombrarem ou de me surpreenderem?&lt;br /&gt;Porque não te esvais, porque não te diluis &lt;br /&gt;ou porque não te apresentas tal como és:&lt;br /&gt;sem carne e sem espírito, nua sobre as névoas&lt;br /&gt;como a cola que nos une em incógnita transparência?&lt;br /&gt;Óh! Bela essência da vida! Porque te preocupas?&lt;br /&gt;Porque me comoves com belíssimas expressões artísticas&lt;br /&gt;e com múltiplas acções que de tão virtuosas e grandiosas &lt;br /&gt;se apresentam raras?&lt;br /&gt;E porque te preocupas com o deplorável &lt;br /&gt;com o repúdio ou com a aversão&lt;br /&gt;que em simultâneo vive em nós?&lt;br /&gt;Porque te impões pela morte&lt;br /&gt;como déspota da tua própria vontade?&lt;br /&gt;Se tens vontade própria, porque te ocultas na tua própria sombra?&lt;br /&gt;Nas ruas, que desertas e frias acolhem o hálito &lt;br /&gt;do espectro que nauseabundo corrói os homens;&lt;br /&gt;as obras estão bloqueadas, os cabeleireiros e os cafés vazios&lt;br /&gt;os rostos estão pálidos e tristes, sem nome;&lt;br /&gt;até o sol esconde a sua fenomenologia.&lt;br /&gt;A depressão moribunda mora nas ruas da minha cidade&lt;br /&gt;e tu (espelho meu) intemporal permanente e altivo &lt;br /&gt;como sempre distante e contudo omnipresente  &lt;br /&gt;fazes apostas sobre a humanidade.&lt;br /&gt;Antes,eram as festas que levitavam os mortos &lt;br /&gt;na orla da Oliveira sagrada.&lt;br /&gt;Hoje, são os mesmos cadáveres &lt;br /&gt;que agora mais novos mudam de rosto.&lt;br /&gt;Outrora, o cheiro das tintas escorria pelos corpos &lt;br /&gt;belos e apetecíveis, oferecidos e apreciados&lt;br /&gt;como carne tenra que aquecia e lambia os ossos até ao tutano.&lt;br /&gt;Agora, essa massa orgânica que suportava a dor &lt;br /&gt;que em loucura carburava ao som daquelas brutais noites sem alma&lt;br /&gt;perversas e arrasadoras, íntimas do diabólico e submissas do prazer&lt;br /&gt;cúmplices da falsa pureza que ainda hoje engana e abraça &lt;br /&gt;a irreverência de uma adolescência inacabada&lt;br /&gt;dos que ingénuos caminham à procura da própria vida &lt;br /&gt;que já desnutrida, era e sempre será abençoada na despedida&lt;br /&gt;que dia após dia derretia sobre a estrutura dos próprios ossos &lt;br /&gt;como leite gelado que se afeiçoa à tesura de um fálico cone&lt;br /&gt;e que pela terra comido e absorvido &lt;br /&gt;logo ressuscitava do fogo das trevas;&lt;br /&gt;assim como antes e como em todas as outras épocas&lt;br /&gt;também hoje são sempre os mesmos &lt;br /&gt;os que outrora reinavam e que hoje nos sugam a vida;&lt;br /&gt;vampiros contemporâneos que os mais fracos devoram &lt;br /&gt;os que perdidos nas ruas da minha e da tua terra &lt;br /&gt;desempregados ou abandonados&lt;br /&gt;atordoados e alienados da sua estima  &lt;br /&gt;em cólera e fúria aguardam famintos &lt;br /&gt;pelo momento da verdadeira insurreição&lt;br /&gt;contra os excelentíssimos e meritíssimos&lt;br /&gt;que por aí passeiam os seus ossos tranquilos&lt;br /&gt;e que cheios de mágoa vomitam ódio &lt;br /&gt;e arremessam sorrisos tenebrosos.&lt;br /&gt;Aaai!! a precariedade e a desigualdade social&lt;br /&gt;como são tolos aqueles que votam neles&lt;br /&gt;como são burros aqueles que os satisfazem&lt;br /&gt;como são patetas aqueles que lhes fazem vénias&lt;br /&gt;como são otários aqueles que neles depositam toda a sua vida.&lt;br /&gt;Aaai!! os escravos que por ai arrastam &lt;br /&gt;ossos amedrontados e mascarados&lt;br /&gt;disfarçados pelo legítimo ressentimento &lt;br /&gt;pela culpa embelezados e pela falsa modéstia emproados.&lt;br /&gt;E eu meus amigos, sempre que os evito &lt;br /&gt;acabo refugiando-me neles &lt;br /&gt;na respiração da convivência dos meus ossos&lt;br /&gt;na consciência de que ainda vivo, engano a morte&lt;br /&gt;a bela morte, que da Grécia fugiu para a minha rua&lt;br /&gt;para a tua rua, para a tua cidade, para a tua cama &lt;br /&gt;e para a tua consciência pesada.&lt;br /&gt;Se há algo que eu encontro quando saio de casa &lt;br /&gt;é a minha própria sombra, que acordada e desperta &lt;br /&gt;vê-se e revê-se em fuga, por toda a  merda que a rodeia.&lt;br /&gt;Mas eu quero que saibas, ó meu irmão cidadão&lt;br /&gt;que há certas acções que derretem o meu coração: &lt;br /&gt;posso ter visto algo de uma imensa beleza &lt;br /&gt;numa das ruas da minha cidade &lt;br /&gt;posso ter observado a virtude de uma pessoa &lt;br /&gt;que contracena num filme com a bela Kristen Stewart  &lt;br /&gt;posso ter percebido a plenitude do Mundo  &lt;br /&gt;ao ouvir uma música dos Pearl Jam dos Muse ou dos Linking Park&lt;br /&gt;pode ser uma cor com a qual percebemos a realidade&lt;br /&gt;ou um desenho do Banksy que nunca foi visto&lt;br /&gt;podem ser palavras de Bukowski ou de Alen Ginsberg &lt;br /&gt;Ramos Rosa, Herberto Helder ou Poças Falcão&lt;br /&gt;mas podes ter a certeza absoluta meu com cidadão &lt;br /&gt;são gestos que não estão na posse de qualquer um.&lt;br /&gt;Oooh!! pérola da boa vontade que sofres no brilho da noite&lt;br /&gt;oooh!! cheiro das tintas, pensamento filosófico  &lt;br /&gt;as imagens do futuro da nossa grande alma &lt;br /&gt;embriagadas pela falsa tolerância chauvinista. &lt;br /&gt;Aiii!! o Wikileaks a revelar o rosto dos deuses&lt;br /&gt;e os alunos sem bolsa a pedirem nas esquinas de todo o mundo.&lt;br /&gt;Oooh! grego Sócrates! vem ver a magnífica retórica desta época&lt;br /&gt;e traz contigo o teu discípulo para dividir os mundos&lt;br /&gt;e levantar-mos Kant da sua utópica tumba &lt;br /&gt;para ver o Estado sempre desnorteado&lt;br /&gt;irónico, dizimado e estilhaçado&lt;br /&gt;e as fraudes e a corrupção que nos corrói os ossos &lt;br /&gt;sempre os mesmos ossos, os ossos da língua, os ossos da avareza&lt;br /&gt;e os bancários sempre a disfarçarem os juros e a inflação&lt;br /&gt;e a responsabilidade da miséria em que nos transformaram&lt;br /&gt;alucinações e aberrações, víboras e ferozes aves de rapina &lt;br /&gt;cães gulosos que lutam pelo mesmo osso&lt;br /&gt;sempre o mesmo osso meus amigos;&lt;br /&gt;e os médicos sobre suspeita e os magistrados a pedirem greve&lt;br /&gt;e a injusta justiça, sempre poderosa com suas garras afiadas&lt;br /&gt;um dia privada, andaremos todos à batatada;&lt;br /&gt;e os cobardes polícias de calças na mão, roubados &lt;br /&gt;porque escondem sempre o bastão &lt;br /&gt;quando não estão em bando acompanhados.&lt;br /&gt;E eis os gestores e os empresários generosos  &lt;br /&gt;a fugirem aos impostos com a sua gestão danosa&lt;br /&gt;enquanto o seu vizinho morre de desgosto à fome &lt;br /&gt;e os bancos e as farmácias assaltadas &lt;br /&gt;e os ourives a serem espancados &lt;br /&gt;e os pobres, sempre os mesmos pobres esfomeados&lt;br /&gt;e os bandidos que já não têm nome&lt;br /&gt;e os que regalados com todo este show &lt;br /&gt;vêm tudo na tv em tempo real e nada fazem &lt;br /&gt;nem por dever nem por felicidade.  &lt;br /&gt;Eis o meu belo Pais e as cores da minha cidade&lt;br /&gt;o castelo, a oliveira, o paço dos duques&lt;br /&gt;e o centro que vem dar aqui à encosta da minha penha&lt;br /&gt;e as luzes da esperança que à noite observo desde minha casa &lt;br /&gt;fechada e escondida por entre nuvens abençoada. &lt;br /&gt;Oooh!! rebeldes anjos da multidão&lt;br /&gt;que vivem na pobreza das ruas da minha cidade&lt;br /&gt;oooh!! crianças de todo o Mundo, vítimas do animal pedófilo &lt;br /&gt;oooh!! pobres mulheres traficadas e abusadas &lt;br /&gt;oooh!! homens que sugados até ao osso pelo trabalho&lt;br /&gt;apenas saboreiam o cafezinho da manhã ao frio&lt;br /&gt;com o cigarrito a nublar, a impedir e a turvar &lt;br /&gt;a visão das raparigas que passam desconsoladas&lt;br /&gt;e dos pássaros que sempre nos cagam na cabeça e na mão.&lt;br /&gt;E eis a educação que calcula o número de cérebros&lt;br /&gt;para serem abertos ao Mundo&lt;br /&gt;e transformarem os iletrados e preguiçosos&lt;br /&gt;em manequins do meu tão nobre e desgastado planeta&lt;br /&gt;são mais corpos belos, partículas, do que mentes clarificadas.&lt;br /&gt;Eis os prazeres da carne, os prazeres do espírito&lt;br /&gt;e os prazeres do nada &lt;br /&gt;as acções e as proezas do animal político&lt;br /&gt;as coligações à porta e o assalto ao poder eminente&lt;br /&gt;e os estadistas a revelarem ressentimentos &lt;br /&gt;em discursos públicos e universais&lt;br /&gt;eis os eis, os eis e os eis. &lt;br /&gt;Eis o FMI à porta do inferno &lt;br /&gt;e a emancipação dos povos do médio oriente&lt;br /&gt;e aquelas crianças africanas sem conhecerem o céu&lt;br /&gt;sem rumo e sem esperança, desgraçadas&lt;br /&gt;e o Obama a investir nas lojas do chineses &lt;br /&gt;e estes a comprarem a dívida pública.&lt;br /&gt;Eis a puta da minha vida meus caros amigos&lt;br /&gt;aqui sentadinho no cafezinho&lt;br /&gt;a ver a morte passar de fininho e a pensar:&lt;br /&gt;aposto que um dia&lt;br /&gt;a essência quebrará os ossos&lt;br /&gt;e estes, darão lugar ao novo homo iluminus&lt;br /&gt;que tocado por algum tipo de graça&lt;br /&gt;em conexão necessária se transformará ele próprio &lt;br /&gt;na causa última.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-6354970493313505020?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6354970493313505020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6354970493313505020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2011/01/2011.html' title='um grito&quot;'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-2623121128337491444</id><published>2010-04-24T19:15:00.007+01:00</published><updated>2010-11-11T04:14:39.009Z</updated><title type='text'>2010</title><content type='html'>Ao contrário dos Filósofos&lt;br /&gt;que criadores de novos conceitos&lt;br /&gt;em correcção florescem e abraçam a orgânica física quântica&lt;br /&gt;os magistrados, procuradores e juízes&lt;br /&gt;(mesmo que em diferentes posições &lt;br /&gt;de ambos os lados irmãos gémeos entrelaçados)&lt;br /&gt;na tentativa de transcenderem a sua própria finitude&lt;br /&gt;assim como a do fenómeno&lt;br /&gt;gradualmente (sem que tal pareça)&lt;br /&gt;distanciam-se agora, quando não é possível&lt;br /&gt;do seu lógico estudo factual ou do seu precioso objecto mensurável.&lt;br /&gt;E porquê? Porque na sua fraca retórica sofista e narcisista &lt;br /&gt;(quase fascista) procuram agora ironicamente &lt;br /&gt;fazer uso (na sua grosseira literatura) da Poesia&lt;br /&gt;ao invocarem nos seus retrógrados acórdãos dogmáticos&lt;br /&gt;inócuas alegorias de unívocas percepções internas &lt;br /&gt;totalmente subjectivas, mas que nunca românticas &lt;br /&gt;antes apreendidas e mal estruturadas &lt;br /&gt;sob a ingenuidade da grande falácia e do pré-conceito.&lt;br /&gt;Porém não está Deus em todos nós?&lt;br /&gt;Como observadores potenciais das várias superposições possíveis?&lt;br /&gt;Talvez sim ou talvez não&lt;br /&gt;ou talvez que alguns observadores &lt;br /&gt;não conscientes ou não observadores do real&lt;br /&gt;pois sendo incapazes de o ver, logo &lt;br /&gt;inconscientes do mesmo, deixem por isso mesmo &lt;br /&gt;que o fenómeno ou o facto em verdade absoluta se manifeste.&lt;br /&gt;Eis o falso númeno &lt;br /&gt;o novo paradigma que com eles regressa à terra &lt;br /&gt;ao reino dos que Julgam&lt;br /&gt;o  reino dos salvadores que cegos têm a verdade nas mãos.&lt;br /&gt;E esta verdade &lt;br /&gt;que em alastro se aproxima&lt;br /&gt;quando abrimos a porta que divide os mundos&lt;br /&gt;(onde nenhuma dinâmica ontológica jamais pode abraçar)&lt;br /&gt;por entre uma falsa brecha da resistente humanidade&lt;br /&gt;os meus empíricos órgãos por entre nuvens &lt;br /&gt;também divinamente enxergam&lt;br /&gt;uma aparente realidade que provável de existir&lt;br /&gt;é agora o que não sei sobre o que ainda julgo ver e possuo&lt;br /&gt;em permanentes e eternos saltos inócuos&lt;br /&gt;pelo paradigmático olho negro do universo&lt;br /&gt;que na sua pura ingenuidade &lt;br /&gt;tudo persegue e consome&lt;br /&gt;até o dia em que (assim como eu) &lt;br /&gt;possa vir-se de novo e de novo emergir e ir-se&lt;br /&gt;do reino dos salvadores que cegos têm a verdade nas mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-2623121128337491444?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/2623121128337491444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/2623121128337491444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2010/04/blog-post.html' title='2010'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-8747975202752421341</id><published>2009-03-03T20:41:00.016Z</published><updated>2010-11-11T17:46:54.356Z</updated><title type='text'>2009</title><content type='html'>Quase livre&lt;br /&gt;estarei apenas eu em espiral&lt;br /&gt;sentado no meio de uma silenciosa rotunda ocultamente adormecida?&lt;br /&gt;E sendo que ainda residente em corpo aprisionado&lt;br /&gt;ao local em que outrora fui, por mim mesmo&lt;br /&gt;neste nó kármico encerrado&lt;br /&gt;(mesmo que parcialmente paralisado)&lt;br /&gt;serei apenas eu, capaz&lt;br /&gt;de agora atento&lt;br /&gt;em lucidez caminhar em solo turbulento?&lt;br /&gt;sob as águas que minadas circulam e em inundação rodeiam &lt;br /&gt;(como velhas hienas)&lt;br /&gt;o latente e inevitável crescimento de uma nova causa&lt;br /&gt;que na sua cúspide vibra e respira o ar&lt;br /&gt;portador de um valor que embrionário &lt;br /&gt;em osmose reflectida agora espelha&lt;br /&gt;(através dos estilhaços que ainda visíveis arrasam quase tudo)&lt;br /&gt;até ao profundo bafo que atravessa a garganta da alma?&lt;br /&gt;Terei apenas eu a visão daquela consciência&lt;br /&gt;que aparentemente redimida&lt;br /&gt;em redenção afasta-se nas asas do tempo&lt;br /&gt;para logo regressar em oportuna crueldade mortífera?&lt;br /&gt;Por mim a mudança urge e a transformação &lt;br /&gt;ou é agora ou nunca, ou então &lt;br /&gt;resta-me esperar tranquilo&lt;br /&gt;que o tempo devore as palavras, eternizando-as.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até os que pouco têm&lt;br /&gt;têm um conceito errado, uma ilusão do poder.&lt;br /&gt;Mas eu que ainda respiro&lt;br /&gt;(mesmo após por afogamento visceral ter falecido)&lt;br /&gt;por muitas tentativas de reanimação&lt;br /&gt;ou falsas alternativas que me tentem impingir&lt;br /&gt;por mim, que acredito no meu sopro&lt;br /&gt;que no meu adormecido corpo&lt;br /&gt;para sempre manter-se-á acordado&lt;br /&gt;podem á vontade e á luz do dia comerem-se uns aos outros&lt;br /&gt;e á noitinha relaxarem e suspirarem de alívio&lt;br /&gt;podem inventar lindas histórias&lt;br /&gt;criar novas cores para enganar o espírito&lt;br /&gt;implementar novos sistemas ou modelos&lt;br /&gt;dar dinheiro aos pobres ou acabar com os ricos&lt;br /&gt;podem oferecer a palavra respeito&lt;br /&gt;para ser colocada na pala de um casaco&lt;br /&gt;usar a integridade para encher os bolsos das calças dos mesmos&lt;br /&gt;e promoverem técnicas para que todos despidos&lt;br /&gt;a dignidade antes escondida nas próprias veias seja vertida&lt;br /&gt;e em falso ouro transformada e corrompida&lt;br /&gt;podem tudo, que absolutamente já nada&lt;br /&gt;afectará esta minha pré ou pró aparente inclinação&lt;br /&gt;pois por muito que ainda vivo morto esteja&lt;br /&gt;(se é que ainda existo)&lt;br /&gt;imbatível um dia tombarei imparável&lt;br /&gt;nas translúcidas portas da minha própria alma&lt;br /&gt;e livre continuarei imutável&lt;br /&gt;em permanente respirar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-8747975202752421341?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/8747975202752421341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/8747975202752421341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2009/03/2009.html' title='2009'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-7729265818842202118</id><published>2008-12-26T23:08:00.020Z</published><updated>2011-09-23T19:25:05.958+01:00</updated><title type='text'>Su</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TcvknolHGHE/TnzOB93vUZI/AAAAAAAABes/YGiW-_8Wp_M/s1600/Su+-+C%25C3%25B3pia+-+C%25C3%25B3pia.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-TcvknolHGHE/TnzOB93vUZI/AAAAAAAABes/YGiW-_8Wp_M/s400/Su+-+C%25C3%25B3pia+-+C%25C3%25B3pia.jpg" width="316" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo-te prodigiosamente minha filha&lt;br /&gt;(como e desde o dia em que pela primeira vez&lt;br /&gt;respiras-te a tua fortuna)&lt;br /&gt;e não ouso pronunciar mas antes reter&lt;br /&gt;o que jamais em poucas e breves palavras poderei descrever&lt;br /&gt;esta minha sã loucura&lt;br /&gt;(que pela benevolência dos anjos&lt;br /&gt;sendo eu um escolhido foi me concedida)&lt;br /&gt;protectora da vil e ímpia tentativa de separação&lt;br /&gt;que a razão de alguns em abandono&lt;br /&gt;quis em desgraça semear em nós&lt;br /&gt;mas a vida que eu quero&lt;br /&gt;assim como a que eu ao destino destinei&lt;br /&gt;não sucumbem antes lutam dentro de mim&lt;br /&gt;ao invocarem em excepcional celeridade&lt;br /&gt;as glórias proféticas do teu excelso e não revelado futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-7729265818842202118?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7729265818842202118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7729265818842202118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2008/12/2008.html' title='Su'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-TcvknolHGHE/TnzOB93vUZI/AAAAAAAABes/YGiW-_8Wp_M/s72-c/Su+-+C%25C3%25B3pia+-+C%25C3%25B3pia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-7924688656280530843</id><published>2008-08-16T19:10:00.021+01:00</published><updated>2010-11-18T14:22:50.958Z</updated><title type='text'>2008</title><content type='html'>Embora como consequência de ambas&lt;br /&gt;(a realidade do sistema em que inserido não me submeto&lt;br /&gt;e as exigências da alma ou limites por esta impostos&lt;br /&gt;à minha obediente personalidade)&lt;br /&gt;pelo que me é possível perceber&lt;br /&gt;(em profundas e angustiantes reflexões&lt;br /&gt;nestes últimos e alongados tempos resilientes)&lt;br /&gt;tenho que perante tais evidências maiores render-me&lt;br /&gt;e resignado descansar as armas kármicas, que não populares&lt;br /&gt;mas dependentes da minha natural demiurgia&lt;br /&gt;encrostadas nas aveludadas paredes internas do meu pulmão&lt;br /&gt;e ao coração entrelaçadas por finíssimas artérias&lt;br /&gt;de um dourado tom inexistente, sangram  &lt;br /&gt;e fazem sangrar&lt;br /&gt;gotas de um azul plúmbeo e melancólico&lt;br /&gt;que em cristais congelam e derretem como lágrimas rebeldes&lt;br /&gt;que ao serem por mim arrancadas (o seu amo) choram &lt;br /&gt;ainda descrentes, inerte e indómita dor.&lt;br /&gt;Porém, noutras condições abstractamente semelhantes&lt;br /&gt;uma nova e eloquente perseguição por outros trilhos &lt;br /&gt;resultou rica substância&lt;br /&gt;do renascer das próprias cinzas&lt;br /&gt;onde sequiosos rios voláteis percorrem a mente&lt;br /&gt;e aquosos compulsivos ventos penteiam em oscilações&lt;br /&gt;as ímpias muralhas do meu dilecto coração.&lt;br /&gt;E deste membro primeiro (espremido até á última gota)&lt;br /&gt;apenas restam alguns pedaços de insolente matéria&lt;br /&gt;pois tenra alma, insónia e inocente&lt;br /&gt;esgota-se, em permanentes lutas fastigiosas.&lt;br /&gt;Solicito o chamamento insonoro do espírito&lt;br /&gt;que não viaja por trilho ignóbil&lt;br /&gt;para que sumptuosamente &lt;br /&gt;penetre veemente palavras convenientes&lt;br /&gt;materializando-as nesta minha insólita dimensão&lt;br /&gt;para que este ânimo desfragmente&lt;br /&gt;e as exigências da carne dilecta &lt;br /&gt;sejam saciadas por eterno e novíssimo sorriso&lt;br /&gt;que não esmoreça logo após a sua formação&lt;br /&gt;mas que recuse compreender o profundo &lt;br /&gt;e ambivalente significado da vida&lt;br /&gt;para que a morte em respiração &lt;br /&gt;não se apodere novamente de mim á força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo mundano&lt;br /&gt;tu que ao meu peito&lt;br /&gt;como um balão que não se esgota&lt;br /&gt;absorves quase tudo de mim;&lt;br /&gt;um dia, de igual modo hás-de rebentar.&lt;br /&gt;E por entre estas putas nuvens turbulentas &lt;br /&gt;que o meu ser infestam&lt;br /&gt;procurar palavras e oferecer-tas &lt;br /&gt;é pura dramaturgia.&lt;br /&gt;Porém, autor visionário&lt;br /&gt;eu sei que ao renascer num criativo dia&lt;br /&gt;(que após a última noite do anterior dia ao meu falecer existiu)&lt;br /&gt;heroicamente como quem vence a noite &lt;br /&gt;vencer-te-ei derrubado.&lt;br /&gt;E no meu olhar &lt;br /&gt;reflectir-se-á o reflexo&lt;br /&gt;da autentica beleza do céu &lt;br /&gt;que teu tu em mim ocultas.&lt;br /&gt;Contudo, irónico &lt;br /&gt;tu serás nesse dia como só tu sabes ser&lt;br /&gt;o mundo que delicado e forte vive em mim&lt;br /&gt;a parte de mim, a quem eu de mansinho chamo mundano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo eu, em melancólico furor divino, anunciado&lt;br /&gt;numa alegria que igualmente aflitiva &lt;br /&gt;denuncia o triste canto do solitário e obscuro Saturno&lt;br /&gt;que envolto em duplas e misteriosas sombras sombrias&lt;br /&gt;em anéis limita e solicita a tão aspirada iniciática prova;&lt;br /&gt;em eminente destruição Vulcânica &lt;br /&gt;observo o irónico deslizar &lt;br /&gt;dos económicos  ponteiros internos do tempo&lt;br /&gt;e aguardo, que em sabedoria as tensões angulares diminuam&lt;br /&gt;e a consolidação Solar seja cristalizada e estabelecida&lt;br /&gt;para que o guardião do templo e o senhor do karma&lt;br /&gt;com a colaboração de Hermes sob o seu unicórnio&lt;br /&gt;remova a ilusão e abra em celebração o portal celestial&lt;br /&gt;para lá do qual, astro plúmbeo jamais perseguirá&lt;br /&gt;o rito vital do meu abençoado e aliado Hierofante.&lt;br /&gt;E que no seu próprio quintal, abraçado por seus vizinhos&lt;br /&gt;e perante Zeus (o abundante desta generosa fusão)&lt;br /&gt;a redenção do Guerreiro ascendente&lt;br /&gt;seja pelo sol Espiritual em luz obscurecido&lt;br /&gt;para que Hades (o agente da ressurreição e purificador do ser)&lt;br /&gt;possa finalmente ungir a Deusa desprendida&lt;br /&gt;e que nesta síntese amorosa, entre Nódulos eu sinta: &lt;br /&gt;A profusão do eu pela grande alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes quando de súbito o tempo pára?&lt;br /&gt;Aconteceu comigo já o sol ia alto e embriagado, demorado. &lt;br /&gt;Atordoado no meu lento caminhar &lt;br /&gt;o suor que escorria em mim comprovava &lt;br /&gt;aquela sensação não aparente da minha existência &lt;br /&gt;e da minha frágil realidade.&lt;br /&gt;Eu, pensava em ti, suspirava… &lt;br /&gt;não encontrava palavras para definir o teu rosto.&lt;br /&gt;Sabes quando surpreendentemente&lt;br /&gt;como quando terminamos um puzzle &lt;br /&gt;tudo parece bater certo? &lt;br /&gt;Aliviado senti um intrínseco e invulgar caloroso vigor &lt;br /&gt;fui abraçado por uma música intensa e melodiosa&lt;br /&gt;um frenético arrepio na alma apoderou-se do meu ser&lt;br /&gt;um justo pressentimento rondou o meu espírito, logo &lt;br /&gt;sentei-me: (ás vezes sento-me em desolação &lt;br /&gt;como que a despedir-me à espera de um novo dia)&lt;br /&gt;e sentado, com o olhar fixo em ti&lt;br /&gt;eis que em esplendor levantas-te delicadamente&lt;br /&gt;e passas (como só tu sabes deslizar) &lt;br /&gt;e sorris (como só tu sabes seduzir). &lt;br /&gt;E eu, eu penso em abordar-te (mas não sei se devo) &lt;br /&gt;nestas noites de lua cheia os rostos pregam-nos partidas  &lt;br /&gt;faz-se noite e tu já terás terminado o teu banho matinal&lt;br /&gt;e aliás, aqui onde eu moro as imagens não são reais&lt;br /&gt;são apenas sequelas dos genes de cada um.&lt;br /&gt;Mas o tempo, esse esmorece facilmente&lt;br /&gt;pois tu acabas de passar e é tão visível o teu rasto&lt;br /&gt;que imagina, eu acendi com ele um cigarro &lt;br /&gt;no preciso momento em que &lt;br /&gt;tão deliciosamente te deitas.&lt;br /&gt;Sabes, sentado nesta praça &lt;br /&gt;em todas as cadeiras que me rodeiam&lt;br /&gt;é o teu rosto que eu vejo e não estou a delirar&lt;br /&gt;os murmúrios que me chegam são como gemidos sensuais&lt;br /&gt;e alguns, silenciosos, &lt;br /&gt;aproximam-se de mim tranquilizando-me a alma&lt;br /&gt;outros, são o meu próprio olhar que vive naqueles que como tu &lt;br /&gt;também estão a observar-se a si próprios.&lt;br /&gt;E eles, eles são tu e tu és eu quando me resgatas deste lugar&lt;br /&gt;quando deliciosamente acordo sonhando nos teus braços&lt;br /&gt;e ao longe vejo-te em delírio chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A este meu coração inquieto &lt;br /&gt;(que sempre á procura de novas formas para se expressar &lt;br /&gt;em diversas ondulações estende-se e pulsa &lt;br /&gt;até por fim em êxtase alcançar o limiar dos próprios sentimentos)&lt;br /&gt;urano rasga-me vivamente o espírito&lt;br /&gt;e Plutão (antigo novo herói, sendo que agora mais oculto&lt;br /&gt;mais profundo e subtil se revela)&lt;br /&gt;intensifica e altera os meus censos (sem dúvida para melhor)&lt;br /&gt;e traz até mim o teu perfume&lt;br /&gt;que é o bálsamo que derrete o meu lóbulo frontal&lt;br /&gt;que acaricia o meu intranquilo rosto&lt;br /&gt;que clarifica as minhas perversas ideias&lt;br /&gt;e que transforma (quando ouso sentir esse teu cheiro)&lt;br /&gt;o gérmen que latente ferve&lt;br /&gt;nos confins da minha obscura virtuosidade.                                                                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um diamante inundado de luz&lt;br /&gt;eis que sobre uma tela de negro índigo saturada&lt;br /&gt;a minha vida floresceu (ao observar e moldar o teu rosto&lt;br /&gt;que semelhante a uma poética cor&lt;br /&gt;penetrou os meus ossos secretos&lt;br /&gt;e invadiu as nobres artérias da minha existência).&lt;br /&gt;E os resíduos de sangue ou eternos reflexos do mundo &lt;br /&gt;(para ausência do meu pecado) na tua virtuosidade foram coados&lt;br /&gt;sendo que na tua presença tudo é puro e perfeito&lt;br /&gt;ou mesmo sagrado, pois impressionas-me&lt;br /&gt;alteras a qualidade do meu desejo&lt;br /&gt;e arrepias tudo o que não digo:&lt;br /&gt;é que sendo a minha vida a extensão do meu ser&lt;br /&gt;se nasci privilegiado, cresci num miserável dourado silêncio&lt;br /&gt;e se esta é a consequência da vida que me precedeu&lt;br /&gt;então nessa última terei sido o teu rei&lt;br /&gt;não um ignorante qualquer&lt;br /&gt;apenas um homem que te não amou&lt;br /&gt;agora perdido em encantamentos&lt;br /&gt;sempre à procura do teu verdadeiro nome&lt;br /&gt;para a tua alma gravar, neste quadro universal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuso-me a ser qualquer coisa.&lt;br /&gt;Mas para qualquer sítio que naturalmente me vire &lt;br /&gt;em ritual movimento, eis que subitamente &lt;br /&gt;o vento teima em perseguir-me.&lt;br /&gt;Contudo, percorro e sobrevivo ileso&lt;br /&gt;na fronteira dos meus ilimitáveis limites.&lt;br /&gt;E quem comigo os atravessa&lt;br /&gt;entra num mundo que mais íntimo que meramente pessoal&lt;br /&gt;secretamente confirma e anula, abstém e absorve &lt;br /&gt;a hostilidade, a solidão e a genialidade das minhas visões&lt;br /&gt;em que hirto e irreverente, mas subtilmente ingénuo&lt;br /&gt;adapto-me e aqueço-me em abençoado verbo&lt;br /&gt;(que sendo carne é infinitamente inferior &lt;br /&gt;ao meu existencialismo).&lt;br /&gt;E nesta cor que pacífica não é menos violenta&lt;br /&gt;nas bordas da tua oligarquia pinto e justifico-me: &lt;br /&gt;tardes inúteis, mas que nem por isso inválidas de prazer&lt;br /&gt;em que a brisa sopra e humedece a mundana sensualidade&lt;br /&gt;desbravando o interior de um elegante mistério&lt;br /&gt;o labirinto de um não múltiplo mas único e fálico caminho &lt;br /&gt;(e não qualquer coisa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resignado inanimado e prosternado&lt;br /&gt;(como uma figura que pensa&lt;br /&gt;outrora esculpida de rosto semi-tombado na mão)&lt;br /&gt;eternamente ilustre candidato teu&lt;br /&gt;mesmo que agora e como sempre&lt;br /&gt;eterno prisioneiro da mais alta força da criação&lt;br /&gt;(sendo que estás sempre cada vez mais longe&lt;br /&gt;mesmo que mais perto do meu coração)&lt;br /&gt;servo do devir ou discípulo da viciada lotaria dos anjos&lt;br /&gt;pelas mãos do destino, em generosa oração embalado sou&lt;br /&gt;ainda que por ti elogiado pelo que não sou&lt;br /&gt;(pois se também sou as minhas acções&lt;br /&gt;vitorioso desmerecedor sou de revelada justiça)&lt;br /&gt;sendo que por verosímil motivo&lt;br /&gt;sou indigno do teu amor e afeição&lt;br /&gt;que devorado á nascença, sem tempo, tempo nenhum durou.&lt;br /&gt;Mas eis que pelo reino da fantasia&lt;br /&gt;doce na minha loucura, amargurado por nunca ter razão&lt;br /&gt;elevado á nobre condição de indivíduo e demiurgo sou&lt;br /&gt;pois para sempre serás minha&lt;br /&gt;materializada, nesta singular dimensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É suspensa num limbo mágico &lt;br /&gt;tenso, denso, trágico e fascinante&lt;br /&gt;que antecedendo o êxtase &lt;br /&gt;de um prometido vácuo dourado&lt;br /&gt;(no limite que antecede a prévia visão&lt;br /&gt;de um empírico culminar cósmico) &lt;br /&gt;a consciência intranquila pára.&lt;br /&gt;E como quem alcança verdade libertadora &lt;br /&gt;como uma flor ascendente, que majestosa&lt;br /&gt;para preencher toda a luminosidade &lt;br /&gt;que o futuro cérebro encerra&lt;br /&gt;perplexa, reergue-se das entranhas &lt;br /&gt;e observa-se sonâmbula&lt;br /&gt;percorrendo as nobres artérias &lt;br /&gt;do seu próprio coração&lt;br /&gt;que pálido e falido, aguarda:&lt;br /&gt;o sublime e despertar orgasmo profético&lt;br /&gt;que arrastará e expelirá atormentada alma&lt;br /&gt;que ainda suspensa no limbo&lt;br /&gt;suspira e aspira a uma renovada consciência &lt;br /&gt;aliviada, onde o gélido tempo de espera se dilui&lt;br /&gt;nas quentes veias quânticas do planeta terra&lt;br /&gt;que em osmose, transforma: &lt;br /&gt;as cores do meu fracturado espírito&lt;br /&gt;na criação de uma nova e cristalina corrente sem nome&lt;br /&gt;que aquece e protege&lt;br /&gt;(se algum dia te encontrar na minha triste sombra)&lt;br /&gt;as tuas frágeis e deliciosas margens.&lt;br /&gt;Eis o reflexo da ausência do teu amor&lt;br /&gt;o início de uma nova paixão, o auge &lt;br /&gt;da minha tão desejada revolução amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quem curioso&lt;br /&gt;em felina subtileza atentamente observa&lt;br /&gt;(espelhada sobre as águas que se expandem&lt;br /&gt;para lá de um intenso respirar)&lt;br /&gt;o reflexo provisório de uma raríssima estrela&lt;br /&gt;(que está em todo o lado e em lado algum está&lt;br /&gt;pois provavelmente, se não se extingui-o extinguir-se-á)&lt;br /&gt;vejo-te sempre onde não estás:&lt;br /&gt;(sendo que és tudo o que não vejo &lt;br /&gt;ou porque se te vejo lá não estás).&lt;br /&gt;E quando inclinado para devoto o teu cálice abordar&lt;br /&gt;(já que com o graal podemos-te comparar)&lt;br /&gt;eis que um sopro atemporal&lt;br /&gt;(pois não existente repete-se constantemente)&lt;br /&gt;faz com que te evapores, abdicando do meu olhar&lt;br /&gt;(ou deste natural gesto, de bio mecanicamente querer recordar-te).&lt;br /&gt;Se és invólucro, que por outras te fazes passar&lt;br /&gt;só podem ser máscaras&lt;br /&gt;elementos de uma pura divindade&lt;br /&gt;cópias imaginárias, para o meu espírito acalmar&lt;br /&gt;intemporais anónimas actrizes, de um futuro ritual.&lt;br /&gt;Mas encontrar-te-ei a observar-me&lt;br /&gt;nos espaços que interligam o que nos tende a separar&lt;br /&gt;pois sempre que me desloco, modifico e altero&lt;br /&gt;o todo e o invisível que nos está a circular.&lt;br /&gt;E na impossibilidade de conservar-te&lt;br /&gt;na imensidão do teu perfume receio afogar&lt;br /&gt;mas no profundo interior de um ponto central aguardo&lt;br /&gt;(como no culto em que os deuses querem amar)&lt;br /&gt;numa dispersa rebeldia solitária&lt;br /&gt;a tua face de novo enfrentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando insisto escrever-me &lt;br /&gt;ao encontro do puro poema perfeito&lt;br /&gt;e intrinsecamente tento, lapidar-me de dentro para fora&lt;br /&gt;só na ausência de falsas e incorporadas palavras&lt;br /&gt;na orla de uma impalpável e não louca inexistência.&lt;br /&gt;E ao observar alguma  finita plenitude &lt;br /&gt;pelo ponto de luz que invisível e indecifrável &lt;br /&gt;permanece num doce e insólito buraco negro&lt;br /&gt;que em comunhão com palavras inexploráveis fermenta&lt;br /&gt;e que para compensar o tempo perdido, uma nova expressão inventa&lt;br /&gt;(neste inferno paraíso que intransmissível continua irónico)&lt;br /&gt;imagino ter-te de novo, como num sonho surrealista&lt;br /&gt;em que ambos os corpos perdidamente diluídos resistem &lt;br /&gt;unidos por uma única e eterna palavra&lt;br /&gt;amando-se em devir, eternamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-7924688656280530843?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7924688656280530843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/7924688656280530843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2008/08/blog-post_16.html' title='2008'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-4455901892234433647</id><published>2007-09-28T01:22:00.009+01:00</published><updated>2010-12-05T16:49:05.890Z</updated><title type='text'>2007</title><content type='html'>Eis que:&lt;br /&gt;espelhada na fina e sublime&lt;br /&gt;pura delicada e preciosa membrana&lt;br /&gt;de uma perfeita e tranquila lagoa no oceano&lt;br /&gt;és claramente eleita a única estrela capaz&lt;br /&gt;de entender o alcance da minha vida.&lt;br /&gt;Pois a evidente transparência do teu rosto na agua é tal&lt;br /&gt;que como um incisivo raio de luz ilumina &lt;br /&gt;a oculta profundidade do meu Ser ali submersa&lt;br /&gt;e transmite (como numa tela &lt;br /&gt;antes velada por imensa escuridão)&lt;br /&gt;a antiga naufragada revelação, jamais utilizada&lt;br /&gt;do Divino Paraíso, que sumido eu perdi&lt;br /&gt;e que antecede as leis do próprio cosmos, que hilariante&lt;br /&gt;por arcanjos em cristal diamante lapidado&lt;br /&gt;para que então, além-mar pudesse &lt;br /&gt;o teu nobre rosto reflectir&lt;br /&gt;e recordar através do vento ao tempo&lt;br /&gt;esta maravilhosa imagem que diz:&lt;br /&gt;tu és a escolhida e portadora da chave dourada&lt;br /&gt;que abre o desejo que abre, o meu ingénuo coração&lt;br /&gt;que ali jazia ancorado e ferido pelos destinos kármicos&lt;br /&gt;e que agora, mais generoso e agradecido&lt;br /&gt;(ainda que como um recém-nascido&lt;br /&gt;a precisar de cuidados)&lt;br /&gt;não reivindica, mas aguarda &lt;br /&gt;enquanto consciente caminha&lt;br /&gt;pela tua sagrada e calorosa presença&lt;br /&gt;que pode por mim para todo sempre&lt;br /&gt;ser amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste futuro em que já contigo vivi&lt;br /&gt;só depois de acarinhar o dilúvio celestial &lt;br /&gt;e em catarse ter retirado o negro &lt;br /&gt;que atormentava as minhas próprias entranhas&lt;br /&gt;posso observar a plenitude de uma chama &lt;br /&gt;que em paixão antecipada no tempo &lt;br /&gt;(tal caravela virtual)&lt;br /&gt;do universo submerge e navega.&lt;br /&gt;E como por osmose&lt;br /&gt;(cercado pelos anjos que amparam e restauram&lt;br /&gt;o bater de um suave e profundo latejar)&lt;br /&gt;pinto a obra que já seca recorda&lt;br /&gt;a saudade de um chegar a casa guerreiro cansado&lt;br /&gt;que na ausência de sua princesa, repousa&lt;br /&gt;no próprio inferno celestial.&lt;br /&gt;E como resposta a este conceito &lt;br /&gt;para o qual não existe palavra alguma&lt;br /&gt;apenas gritar em silêncio&lt;br /&gt;e silenciosamente sonhar&lt;br /&gt;com a presença da sua futura amada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-4455901892234433647?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/4455901892234433647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/4455901892234433647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2007/09/2007.html' title='2007'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-6856916559665125529</id><published>2007-04-13T17:37:00.005+01:00</published><updated>2010-12-05T16:55:19.487Z</updated><title type='text'>2006</title><content type='html'>Ela chegará como luz quente&lt;br /&gt;centrada na orla multidimensional da noite&lt;br /&gt;e oculta nas águas do seu próprio ventre&lt;br /&gt;onde apenas a ternura &lt;br /&gt;de um inocente movimento&lt;br /&gt;a poderá abarcar. Atrasada ou não &lt;br /&gt;ela chegará de acordo com o seu tempo&lt;br /&gt;mas para ignorantes, será demasiado cedo&lt;br /&gt;pois como névoa, veludo, azul espuma ou chuva&lt;br /&gt;ela como quem chama por si&lt;br /&gt;assim como eu, chegará completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E será que podia eu&lt;br /&gt;na eloquente solidão da palavra&lt;br /&gt;sob um vértice submerso em si mesmo&lt;br /&gt;adocicar arestas de carne&lt;br /&gt;e reduzir as sombras amarelas da noite?&lt;br /&gt;E no negro que brilha &lt;br /&gt;sob a cor que como dor persiste aguda&lt;br /&gt;cozinhar o sal cósmico prateado&lt;br /&gt;que diluído e espelhado no próprio rosto&lt;br /&gt;(onde a imagem da memória esgota)&lt;br /&gt;observa e aprecia uma e uma outra vez&lt;br /&gt;a orgânica de uma expressão quase terrena&lt;br /&gt;que no seu tempo intemporal&lt;br /&gt;avança para a dimensão do nada?&lt;br /&gt;Numa espécie de lenta pobreza cintilante&lt;br /&gt;ao entardecer de um voraz pensamento&lt;br /&gt;palavras de vidro em ouro violeta amanhecem&lt;br /&gt;sob a densa ligeireza, de um aparente braço fugidio.&lt;br /&gt;E porque correm alucinantes palhaços no ar&lt;br /&gt;de um enganador vibrar suavizante&lt;br /&gt;que em forma de gelo quase esfumado &lt;br /&gt;quase corrompem, aquelas sombras não arrepiantes &lt;br /&gt;mas luminosas que um dia sonhei?&lt;br /&gt;Sombras azuis projectam a espuma oculta do céu&lt;br /&gt;descobrem o âmago de um nobre nascimento&lt;br /&gt;e tudo isto ocorre por entre nuvens de lua&lt;br /&gt;ou de mármore transparente&lt;br /&gt;que agora tombam, num cálice de água morna.&lt;br /&gt;Mas nunca é tarde&lt;br /&gt;eu já bebi o doce néctar dourado&lt;br /&gt;do vácuo em que do todo, submergi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-6856916559665125529?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6856916559665125529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6856916559665125529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2007/04/2004_13.html' title='2006'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-3152990149546669426</id><published>2007-04-13T17:15:00.006+01:00</published><updated>2010-12-05T16:37:52.132Z</updated><title type='text'>2004</title><content type='html'>Nesta específica dor kármica&lt;br /&gt;por Saturno o amor é-me negado.&lt;br /&gt;E prisioneiro do tempo avanço no espaço&lt;br /&gt;tento sentir o que não sinto&lt;br /&gt;procuro conhecer o que não tenho&lt;br /&gt;e sofro insolitamente. &lt;br /&gt;No entanto, autêntico no devir &lt;br /&gt;creio que sou e serei o que já fui&lt;br /&gt;e ainda que agora alienado&lt;br /&gt;em sintonia com o destino&lt;br /&gt;no eterno ventre abençoado.&lt;br /&gt;Porém, se não acreditasse no impossível &lt;br /&gt;seria mais fácil, pois desistia do meu sacrifício&lt;br /&gt;que fruto da minha unívoca responsabilidade&lt;br /&gt;é o fado que meu, eu em mim amo&lt;br /&gt;nesta inatingível felicidade&lt;br /&gt;que em momentos de visão turva &lt;br /&gt;só em respiração se aguenta:&lt;br /&gt;como a extensão de um coração &lt;br /&gt;que cansado arrasado e estilhaçado &lt;br /&gt;em longo e profundo mistério &lt;br /&gt;(deste lado e também por dentro&lt;br /&gt;totalmente virado do avesso)&lt;br /&gt;levemente e em sublime repouso&lt;br /&gt;na alma com alma descansa.&lt;br /&gt;E em saturnina solidão &lt;br /&gt;e em privação de castra alegria &lt;br /&gt;em segundos que parecem horas&lt;br /&gt;toda a minha vida é destruída.&lt;br /&gt;E para que o novíssimo em mim renasça&lt;br /&gt;sendo que à muito muito tempo&lt;br /&gt;muito antes de eu ter nascido &lt;br /&gt;o meu coração já existia;&lt;br /&gt;hoje, neste fim de dia  &lt;br /&gt;a raiz da minha grande alma &lt;br /&gt;que à muito muito tempo secara&lt;br /&gt;é agora uma raiz que lentamente sara&lt;br /&gt;neste verde que hoje pouco me diz ou nada&lt;br /&gt;pois a fonte da minha sede esgotou&lt;br /&gt;e a frescura do meu ser secou.&lt;br /&gt;Logo, sem amor eu acordo mas não existo&lt;br /&gt;sem amor eu observo, mas não vivo&lt;br /&gt;sem amor eu não crio, apenas sobrevivo&lt;br /&gt;mas onde quer que eu esteja&lt;br /&gt;bate o bater do meu coração&lt;br /&gt;que com as energias do mundo grita:&lt;br /&gt;eu só preciso imaginar uma estrela&lt;br /&gt;para fazer parte da via láctea, imaginar uma árvore &lt;br /&gt;para fazer parte da natureza, imaginar uma pérola &lt;br /&gt;para sentir o oceano, ou imaginar a bondade de Deus&lt;br /&gt;para sentir que sou abençoado.&lt;br /&gt;Mas o que este órgão não precisa &lt;br /&gt;é imaginar-se sozinho  &lt;br /&gt;no meio de tanta liberdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reforçar as minhas crenças e renovar a minha fé&lt;br /&gt;e jamais permitir que densas nuvens no horizonte&lt;br /&gt;com seus irados furacões destruam &lt;br /&gt;estas frágeis e nobres sementes aladas&lt;br /&gt;que neste silencioso jardim foram&lt;br /&gt;pelas doces mãos de Deus semeadas&lt;br /&gt;para que nestas horas de tormenta azul cristal &lt;br /&gt;numa aparente linha no horizonte, ideias novas floresçam &lt;br /&gt;sobre um novíssimo e misterioso quadro enquadrado&lt;br /&gt;e que daqui sentado eu possa nele ver-me &lt;br /&gt;beber o cálice da eterna aliança e assim ultrapassá-lo &lt;br /&gt;e compreender os aparentes limites da minha alma&lt;br /&gt;pois aqui colocado, exilado estou&lt;br /&gt;(sendo que a qualquer lado que vá&lt;br /&gt;sinto que estou no mesmo sítio)&lt;br /&gt;mas é pura mentira, retórica negra&lt;br /&gt;pois os dias nascem fora e dentro de mim&lt;br /&gt;onde as horas quânticas passam &lt;br /&gt;os minutos condicionados correm&lt;br /&gt;e os segundos líricos contam: &lt;br /&gt;que uma imagem monótona &lt;br /&gt;em sintonia com a verdade &lt;br /&gt;contém os alicerces e os mistérios &lt;br /&gt;de tudo aquilo que eu intrinsecamente faço&lt;br /&gt;com a necessária distância &lt;br /&gt;de um verdadeiro apaixonado:&lt;br /&gt;como nestes dias de silêncio e solidão&lt;br /&gt;de um azul claro e azul escurão&lt;br /&gt;em que nada é capaz de apagar as minhas memórias&lt;br /&gt;nem de me fazer recordar algo que de imediato se afasta:&lt;br /&gt;como a brisa que não vês roçar as ondas do mar&lt;br /&gt;ou como a respiração que agora sentes&lt;br /&gt;e de seguida esqueces completamente.&lt;br /&gt;Enfim, como a experiência da perda do nada&lt;br /&gt;do que não é de uma maravilhosa imagem&lt;br /&gt;ou aquilo que é, de uma vaga ideia, inacabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa vaga imagem que ainda hoje recordo&lt;br /&gt;de cores fortes entre azuis e vermelhos&lt;br /&gt;num cavalo com rigor e entusiasmo, eu dominava.&lt;br /&gt;Os tons que me rodeavam eram suaves&lt;br /&gt;claros e brilhantes transmitiam glória&lt;br /&gt;e pela expressão, aquelas figuras seguiam triunfantes.&lt;br /&gt;Mas pressinto que continham alguma mágoa&lt;br /&gt;algo não estava totalmente clarificado&lt;br /&gt;não sei bem o quê, mas pouco importa&lt;br /&gt;pois agora, uma nova imagem&lt;br /&gt;liberta a dor do meu espírito&lt;br /&gt;e esta é muito mais consciente&lt;br /&gt;porém, quase impossível materializar-se.&lt;br /&gt;Preciso concentrar-me…&lt;br /&gt;pintar esta imagem inacabada&lt;br /&gt;pois não tenho dúvidas&lt;br /&gt;a harmonia que ela transmite&lt;br /&gt;contém a minha felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E podendo eu&lt;br /&gt;neste curto momento&lt;br /&gt;que quase sinto fugir por entre os dedos&lt;br /&gt;acalmar a minha alma;&lt;br /&gt;que agora livre de inquietantes inquietações&lt;br /&gt;sem pensamentos indesejáveis&lt;br /&gt;e sem emoções turvas que me sugam a paz de espírito&lt;br /&gt;(que durante esta última vulcânica viagem&lt;br /&gt;feita de tremendas e inevitáveis erupções&lt;br /&gt;o meu ego dilacerou)&lt;br /&gt;posso agora consciente remover&lt;br /&gt;todo o fumo e toda a labareda&lt;br /&gt;e por um estante, purificar a minha alma&lt;br /&gt;num fugaz intenso e verdadeiro sentimento&lt;br /&gt;que me diz e faz recordar, que mesmo assim&lt;br /&gt;em pequenos e sublimes momentos &lt;br /&gt;entre o tempo e o infinito espaço &lt;br /&gt;eu posso para todo o sempre &lt;br /&gt;ser feliz ao meu lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-3152990149546669426?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/3152990149546669426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/3152990149546669426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2007/04/2007_13.html' title='2004'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-1321592832291715610</id><published>2007-04-12T23:18:00.002+01:00</published><updated>2010-11-11T18:37:38.580Z</updated><title type='text'>2001</title><content type='html'>Deus concedeu-me uma dádiva&lt;br /&gt;a emoção mais forte que algum dia senti.&lt;br /&gt;É uma honra receber-te minha filha&lt;br /&gt;pois és tu o receptáculo&lt;br /&gt;onde o meu espírito repousa e vagueia&lt;br /&gt;quando ao teu lado o meu corpo descansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os dias mais felizes da minha vida&lt;br /&gt;nas profundezas das minhas vísceras rejuvenesço&lt;br /&gt;é novo o sangue que me corre nas veias&lt;br /&gt;os meus pensamentos são frenéticos, curativos&lt;br /&gt;como raios de luz transparentes&lt;br /&gt;a minha intuição é um espelho ondulante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginem, a limpidez na mente destas crianças&lt;br /&gt;e o seu rio livre de suas margens hostis&lt;br /&gt;onde caminhar surge naturalmente&lt;br /&gt;como estas palavras me saem das mãos&lt;br /&gt;rápidas pictóricas abrangentes&lt;br /&gt;depósitos de ouro no mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-1321592832291715610?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/1321592832291715610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/1321592832291715610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2007/04/deus-concedeu-me-uma-ddiva-emoo-mais.html' title='2001'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-8279069668444685169</id><published>2007-04-12T23:02:00.005+01:00</published><updated>2008-12-28T02:05:12.351Z</updated><title type='text'>2000</title><content type='html'>Na plenitude existimos para lá de um brando sentimento&lt;br /&gt;eis os alicerces desejados a matéria densa escura e suja&lt;br /&gt;asas de verão num corpo volátil grave e branco&lt;br /&gt;o meu estômago ensina-me a sorrir por entre nuvens de ouro&lt;br /&gt;e trás consigo um rio arquitectónico&lt;br /&gt;e o rugir imenso dos povos&lt;br /&gt;que se destroem&lt;br /&gt;vivem e dizem delirantes&lt;br /&gt;eu sou a penetração das águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto ser o ramo de uma árvore&lt;br /&gt;onde podes sempre descansar&lt;br /&gt;hoje quero sugerir o infinito e o belo&lt;br /&gt;quero dar o prometido&lt;br /&gt;uma luz como tu que me faça sentido&lt;br /&gt;um pássaro azul&lt;br /&gt;as chamas de um anjo branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E crescem-nos asas num turbulento peito&lt;br /&gt;essa dor imensa e agonizante vaporosa de cor azia&lt;br /&gt;em tempos lírios que brotam das pedras granitas&lt;br /&gt;Salva-me ó Senhor do ventre tu que dominas a vida eterna&lt;br /&gt;os rituais e os mistérios sagrados&lt;br /&gt;que esta tua alma vingue&lt;br /&gt;para águas profundas vertidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma única centelha de luz nasciam raios interligados&lt;br /&gt;o mundo ondulante e fragmentado resistia&lt;br /&gt;e os ventos rodopiantes e fálicos permaneciam intactos&lt;br /&gt;Alguém murmura o verbo numa voz trémula&lt;br /&gt;é o arquétipo da luz que desbrava a noite acumulada&lt;br /&gt;No meu estômago pendiam círculos pictóricos&lt;br /&gt;quando eis que uma deusa emerge no imprevisto&lt;br /&gt;e traços curvilíneos sustentam as formas e o caminho&lt;br /&gt;onde o espírito repousa novamente inalterável&lt;br /&gt;e num ritmo novo abarca e semeia um grito&lt;br /&gt;ecos da minha consolação&lt;br /&gt;demiurgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali já se passaram séculos de tinta emocional&lt;br /&gt;suores arrepiantes viagens alucinantes martírios de ignorância&lt;br /&gt;e uma centelha apoderou-se de mim aliviando-me a dor&lt;br /&gt;A solidão o desespero e a crueldade bateram-me as portas&lt;br /&gt;e pequenas histórias libertaram-me no inconsciente do mundo&lt;br /&gt;Faleci&lt;br /&gt;encarnei no espaço sideral e ressuscitei das cinzas&lt;br /&gt;vivi e criei personagens do mito&lt;br /&gt;lutei contra moinhos invisíveis e fui amigo de pequenos deuses&lt;br /&gt;No início era o verbo mas na essência&lt;br /&gt;há imagens verdadeiramente alucinantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um fogo azul e dominante que me arrasta luminoso&lt;br /&gt;num salto permanente de visionário precoce&lt;br /&gt;eis o sonho e uma nova realidade literal&lt;br /&gt;a forma descomprimida e os gases libertadores&lt;br /&gt;o auge e o velho dilema dourado outrora desmistificado&lt;br /&gt;silenciado e crucificado aos ventos pragmáticos do tempo&lt;br /&gt;que numa pausa irreverente é idolatrado e amado pelos Deuses&lt;br /&gt;revolucionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher que és vinda das brumas do além&lt;br /&gt;que trazes contigo o doce néctar das estrelas poentes&lt;br /&gt;e que ensinas sorrisos em templos escondidos abençoada és&lt;br /&gt;E as tuas mãos que semeiam alegres o brilho nos meus olhos&lt;br /&gt;têm asas&lt;br /&gt;e juntos visitamos o impenetrável centro da natureza humana&lt;br /&gt;onde a fonte jorra o princípio de todos os mistérios&lt;br /&gt;Esqueço-me de mim&lt;br /&gt;acompanho-te em delicadas nuvens&lt;br /&gt;purifico-me&lt;br /&gt;imagino um lago sereno e espelhado&lt;br /&gt;e sinto que um fogo percorre as minhas entranhas&lt;br /&gt;Eis que me encontro de novo contigo&lt;br /&gt;somos a água onde os peixes dormem&lt;br /&gt;e os deuses cantam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intensa âncora no espírito e no desejo ardente&lt;br /&gt;pura consciência que branca desce em vertigem á terra&lt;br /&gt;e que pelo conflito do refinamento mútuo ascende das profundezas&lt;br /&gt;para no encontro sensual da sonolência despertar&lt;br /&gt;em meus braços aquáticos as tuas rosas carnívoras&lt;br /&gt;e juntos iluminar as trevas e gritar ao vento&lt;br /&gt;os ecos de um amor eterno&lt;br /&gt;para que os deuses aplaudam&lt;br /&gt;satisfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veloz coração que submisso se alegra em ascensão&lt;br /&gt;perante uma árvore redentora de hostis e degradantes arrogâncias&lt;br /&gt;pois ajoelho-me no caule de uma nuvem&lt;br /&gt;que voraz engole a minha alma no Divino ritmo dos céus&lt;br /&gt;E num alongado sopro&lt;br /&gt;de regresso ao corpo agradeço e saboreio a tua presença&lt;br /&gt;nesta curta merecida e quente longevidade eminente&lt;br /&gt;maravilhosa alquimia&lt;br /&gt;emocionante intuição na alma correctamente fundida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os instrumentos ruminavam&lt;br /&gt;longos e curtos encontravam os ouvidos certos&lt;br /&gt;e eu via os sons que rústicos sintonizavam&lt;br /&gt;á procura da perfeita melodia&lt;br /&gt;e nada&lt;br /&gt;as cores prenunciavam-se ainda num espaço fechado&lt;br /&gt;mas oculto no interior da grande alma de uma sala&lt;br /&gt;só Tu Senhor&lt;br /&gt;fizeste com que a dança do amor nascente florescesse límpida&lt;br /&gt;nos olhos que semi-cerrados se abriram impacientes&lt;br /&gt;para que livres os espíritos pudessem abraçar-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser um só corpo&lt;br /&gt;que da vista se alonga à mais ínfima partícula de um prado&lt;br /&gt;e ser a Primavera mas o Outono finda&lt;br /&gt;e o Inverno inicia uma centelha de Deus&lt;br /&gt;que congelada em água de mim foge e dissolve-se como uma cascata&lt;br /&gt;que alimenta e expande estes verdes luxuriantes&lt;br /&gt;Esta imagem contém alguns ensinamentos&lt;br /&gt;que à alma me sugam a dor&lt;br /&gt;Oh, reflectir o silêncio deste prado&lt;br /&gt;onde a própria terra contém os mais nobres sentimentos&lt;br /&gt;de alguém que por aqui passou&lt;br /&gt;mas era eu que namorava a brisa do verão&lt;br /&gt;quando a terra&lt;br /&gt;germinou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é chamado&lt;br /&gt;em total humildade o Poeta sacrifica-se á sua nuvem&lt;br /&gt;e transforma-se no pássaro da juventude&lt;br /&gt;e acorda os deuses para receber a ementa do dia&lt;br /&gt;e o ritual da água e o ritual da vida&lt;br /&gt;o fluxo da herança e os tempos perdidos&lt;br /&gt;a recordação do tempo futuro&lt;br /&gt;a sobrevivência enquanto finda mais um dia&lt;br /&gt;e as estrelas que ladram ao ouvido&lt;br /&gt;a vinda do Senhor e do vento&lt;br /&gt;numa gota de cor pérola refundida&lt;br /&gt;e ambos bebemos do mesmo cálice da fantasia&lt;br /&gt;sob ritmos inquietantes como pálpebras que brilham&lt;br /&gt;numa distância muito pequena&lt;br /&gt;entre a verdade e a mentira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que sou um homem de fé&lt;br /&gt;cruzei caminhos interditos e ocultei a minha imagem&lt;br /&gt;a minha sombra bebia e fiz-me pó&lt;br /&gt;as estrelas sempre me acompanharam&lt;br /&gt;ainda hoje dizem que em todas as eras revolucionei&lt;br /&gt;arquétipo do espaço translúcido dominei o tempo&lt;br /&gt;sonhei e ajoelhei-me a seus pés&lt;br /&gt;fui resgatado e acordei dentro de um espelho vermelho&lt;br /&gt;a morte por mim tinha passado&lt;br /&gt;rejuvenesci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tenho eu a ver contigo mulher?&lt;br /&gt;Eu sou feito do barro que se afeiçoa aos tempos&lt;br /&gt;tu do negro vácuo que absorve as estrelas&lt;br /&gt;e na trilha que ambos percorremos&lt;br /&gt;tu do nada partilhas o que é eterno&lt;br /&gt;eu conquisto as pedras e nelas a tua sabedoria&lt;br /&gt;sendo que me dás uma filha eu dar-lhe-ei a minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-8279069668444685169?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/8279069668444685169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/8279069668444685169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2007/04/2001.html' title='2000'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5958278744073698506.post-6893907805339749113</id><published>2007-04-12T22:58:00.003+01:00</published><updated>2008-12-28T01:38:13.141Z</updated><title type='text'>1999</title><content type='html'>Na pintura podes encontrar o meu íntimo mais profundo&lt;br /&gt;como no sono de um sonho longínquo&lt;br /&gt;na psicoterapia é o acordar desse sonho que envolve mistérios&lt;br /&gt;que se fundem na essência da minha alma&lt;br /&gt;e para que no futuro tudo e mais seja revelado&lt;br /&gt;se um dia vier a escrever algo que te console a alma&lt;br /&gt;que sejam palavras de amor&lt;br /&gt;para que sempre e sempre te veja sorrir&lt;br /&gt;como pétalas ao nascer do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por necessidade mas por força maior o lar dos Cristos&lt;br /&gt;onde o retorno é indispensável para os viajantes do anel de fogo&lt;br /&gt;Nesta viagem rica na imagem que é fruto de todas as cores&lt;br /&gt;imagina cada gesto numa imagem negra de fundo negro azulado&lt;br /&gt;cada movimento tem um som único&lt;br /&gt;e um contorno que lhes dá a forma e a vida&lt;br /&gt;a própria transparência do equilíbrio e da flexibilidade desejada&lt;br /&gt;mas vive bem este momento na tua mente&lt;br /&gt;para que um dia o possas sentir no teu íntimo&lt;br /&gt;e nas profundezas do teu ser sorrir&lt;br /&gt;e verter o brilho da tua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na expectativa de poder observar o que é belo e diferente&lt;br /&gt;como um simples e sublime movimento angélico&lt;br /&gt;tão pronunciado e único&lt;br /&gt;premeditado e articulado pelo dom da natureza&lt;br /&gt;ofereço-te a minha nobre sensibilidade&lt;br /&gt;e imagino como num grito que dança&lt;br /&gt;a melodia que nos vai na alma&lt;br /&gt;as lágrimas salgadas&lt;br /&gt;e o suor dos que amam com intensidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A satisfação quase adiada nas minhas mãos&lt;br /&gt;quando estas com rigor e fantasia&lt;br /&gt;despem a tua complexa nudez ausente&lt;br /&gt;e tocam o mais puro íntimo desconhecido mar onde te banhas&lt;br /&gt;Num relâmpago a minha ira e na selva a loucura do teu amor&lt;br /&gt;Então crias e recrias palavras num tom ausente e pálido&lt;br /&gt;quase branco&lt;br /&gt;ferozmente utilizas o teu corpo e sorris&lt;br /&gt;e eu imagino a minha vida num segundo&lt;br /&gt;pois penso e sinto da mesma forma que tu&lt;br /&gt;por muito longe que possas estar já estás comigo&lt;br /&gt;a viver intensamente este irresistível momento&lt;br /&gt;pois não á dúvida de que ele existe&lt;br /&gt;para além do espaço e do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe avisto uma colina&lt;br /&gt;e com pedras invisíveis construo o nosso monumento&lt;br /&gt;quando observo um dinossauro que luta não com uma serpente&lt;br /&gt;mas com nove cabeças interplanetárias&lt;br /&gt;cobertas por um véu escuro quase branco&lt;br /&gt;Sob um terreno movediço os dias passam&lt;br /&gt;e como oferenda aos Deuses da montanha ouvem-se pequenos sinos&lt;br /&gt;tudo soa a falso neste labirinto mas as chamas internas&lt;br /&gt;evaporam-se formando o teu rosto no horizonte&lt;br /&gt;e eu sinto o teu sorriso no meu pensamento&lt;br /&gt;mas o que mais atormenta o meu espírito&lt;br /&gt;são as tuas lágrimas e a tua expressão de ternura&lt;br /&gt;que tu mesmo sem palavras inconscientemente libertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço uma breve pausa e sinto o poder da mente&lt;br /&gt;e imagino que o alimento existe no mistério que tu encerras&lt;br /&gt;pois ouço a tua voz vinda de outras esferas&lt;br /&gt;como uma nobre flor que tão branca e deliciosa desliza por entre nuvens&lt;br /&gt;Eu sou uma pedra e mergulho em mim quando te toco&lt;br /&gt;percorro as tuas margens e aqueço-te com o meu fogo azul&lt;br /&gt;e quando uso a minha eloquente espada voo em direcção ao alto&lt;br /&gt;e lá em cima as grandes coisas eu podia observar&lt;br /&gt;mas as verdades já as tinha encontrado nas pequenas coisas&lt;br /&gt;num gesto num sorriso num carinho&lt;br /&gt;mas já estavas tão longe que só te consegui ver a alma&lt;br /&gt;e na magia de um voo viajei ao teu encontro&lt;br /&gt;por entre raios de sol em pequenos voos delirantes&lt;br /&gt;até que atingimos ambos o pico desta montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na crista de um azul intenso subtilmente rasgado&lt;br /&gt;pelo nobre e profundo círculo aveludado da pomba branca&lt;br /&gt;a flacidez de um sonho hilariante&lt;br /&gt;e a verdadeira natureza de um corpo requintado&lt;br /&gt;lapidado e massajado rigorosamente ao pormenor&lt;br /&gt;pela riqueza das minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos&lt;br /&gt;também eu sou soberano&lt;br /&gt;e quando só nunca isolado estou&lt;br /&gt;pois sozinho faço&lt;br /&gt;quando não faço do silêncio um grito&lt;br /&gt;a minha própria comunhão com o divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São cólicas existenciais vazios cerebrais e danças cardíacas&lt;br /&gt;Colérica melancolia no teu sorriso&lt;br /&gt;misto de odores que antes quentes agora frios&lt;br /&gt;no meu olhar reflectem os teus movimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre&lt;br /&gt;como chegar ao teu reino&lt;br /&gt;se a profundidade por aqui se fixou?&lt;br /&gt;Assim como a lua e as estrelas também o sol&lt;br /&gt;e todas as plantas do universo&lt;br /&gt;mas eu&lt;br /&gt;eu estou preso num espelho de fé&lt;br /&gt;na luxúria de um caminho desconhecido&lt;br /&gt;sou um diamante que não quer ver&lt;br /&gt;que transborda sem saber porquê&lt;br /&gt;e este brilho estantaneo jamais pode ser convocado&lt;br /&gt;surge improvável para aqueles que menos esperam&lt;br /&gt;os que têm sede e querem viver&lt;br /&gt;mas quando finalmente parei de pensar percebi&lt;br /&gt;que nas coincidências está o teu anonimato&lt;br /&gt;que na minha dor por amor compensa sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil crescer e lutar pela felicidade&lt;br /&gt;como a semente que desperta do seu caloroso sono&lt;br /&gt;e lentamente renasce desponta despoleta e rasga para respirar&lt;br /&gt;mas eis o esplendor do nosso momento&lt;br /&gt;onde o espírito vira a página como a Fénix que rasga o céu&lt;br /&gt;e escreve um conto sobre a tua humanidade&lt;br /&gt;onde no meio de uma tempestade no oceano&lt;br /&gt;um mensageiro distribui um mapa transparente&lt;br /&gt;com pequenos fios interligados por raios curativos&lt;br /&gt;que indicam o caminho da tua senda&lt;br /&gt;onde através dos sete raios do teu arco-íris&lt;br /&gt;podes ver o retrato da tua aura&lt;br /&gt;que sob a quente aurora reluz&lt;br /&gt;e reflecte as cores da grande alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passado é derrubado e uma nova tela surge no espaço&lt;br /&gt;o guerreiro prepara as suas ferramentas&lt;br /&gt;e uma nova intensidade floresce&lt;br /&gt;são as cores da iniciação e da glória&lt;br /&gt;Antes&lt;br /&gt;rostos fragmentados pelo medo&lt;br /&gt;agora&lt;br /&gt;expressões de prazer invejáveis&lt;br /&gt;Aqui não é permitida a entrada a qualquer um&lt;br /&gt;pois o espírito é tremendo e poderoso&lt;br /&gt;para saíres vitorioso e alcançares outros conceitos&lt;br /&gt;tens que arriscar e deixar ir o medo&lt;br /&gt;mas nunca te esqueças&lt;br /&gt;que neste reino tudo é válido&lt;br /&gt;pois os limites são a tua própria consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa breve síntese do meu percurso e da minha experiência&lt;br /&gt;posso concluir que todo o desafio&lt;br /&gt;tem conjunto uma sublime e potente transformação&lt;br /&gt;que para ser adquirida de uma forma harmoniosa na alma&lt;br /&gt;exige um tempo paciente e consciente desse Divino momento&lt;br /&gt;que inconscientemente gera no íntimo uma enorme satisfação&lt;br /&gt;que se transforma numa inabalável paz de espírito&lt;br /&gt;e como num centro imutável ausenta-se&lt;br /&gt;fixo e intenso sobe aos céus cristalinos&lt;br /&gt;transcende-se e remete-se para o infinito&lt;br /&gt;á procura da nobre causa a que foi submetido&lt;br /&gt;essa perda infindável&lt;br /&gt;esse vácuo de recordação inatingível&lt;br /&gt;alcançado e sempre perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temas quando ao escutares o coração sintas que estás perdido&lt;br /&gt;por vezes ele fala mais alto que a tua própria compreensão&lt;br /&gt;aceita-o e não o apertes&lt;br /&gt;estima-o&lt;br /&gt;deixa que respire o ar que tu respiras&lt;br /&gt;procura bem quem contigo caminha&lt;br /&gt;e quando sozinho e sem sentido não desistas&lt;br /&gt;escuta-o novamente e aguarda&lt;br /&gt;tem paciência&lt;br /&gt;acredita e partilha com ele&lt;br /&gt;todas as imagens que o teu sangue estimula&lt;br /&gt;amadurece o teu pensamento e está atento&lt;br /&gt;pois irás transformar-te num novo guerreiro&lt;br /&gt;e aprenderás que todos crescemos&lt;br /&gt;ao nosso próprio ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tens um dom e ele te grita ao ouvido&lt;br /&gt;aproveita todos os pedaços com que nele és construído&lt;br /&gt;e não o percas de vista&lt;br /&gt;grita com ele e não o abafes na tua solidão&lt;br /&gt;pois é por ele que somos conduzidos&lt;br /&gt;sem saber-mos para onde como quando ou porquê&lt;br /&gt;pois assim como o meu guia o destino não tem nome&lt;br /&gt;é transparente e vive dentro de mim&lt;br /&gt;ambos exigem que seja fiel às minhas convicções&lt;br /&gt;e dizem-me&lt;br /&gt;arrisca nas tuas paixões e vive&lt;br /&gt;pois nem tudo tem que ter o mesmo fim&lt;br /&gt;com uma derrota temos duas vitórias a nosso favor&lt;br /&gt;assim como a semente do amor&lt;br /&gt;que quando morre&lt;br /&gt;renasce sempre de uma forma sempre maior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5958278744073698506-6893907805339749113?l=alvaro-alexandre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6893907805339749113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5958278744073698506/posts/default/6893907805339749113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvaro-alexandre.blogspot.com/2007/04/2000.html' title='1999'/><author><name>Álvaro Alexandre</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-LLvTs055A8Y/Tn4aDcqlmSI/AAAAAAAABho/mZILRAbtn5w/s220/IMG_0171%2B-%2BC%25C3%25B3pia.JPG'/></author></entry></feed>
