Àquela verdade que se aproximou e foi-se
quando abria a porta que dividia os mundos
nenhuma dinâmica ontológica jamais podia abraçar
o que por entre uma falsa brecha da tua resistente humanidade
os meus empíricos órgãos por entre nuvens divinamente enxergavam
sobre uma tal realidade que provável de existir
é agora o que não sei sobre o que ainda julgo ver e possuo
em permanentes e eternos saltos inócuos
pelo paradigmático olho negro do universo
que na sua pura ingenuidade tudo persegue e consome
para que um certo dia possa (assim como eu)
vir-se de novo e de novo emergir e ir-se.
Quase livre
estarei apenas eu em espiral
sentado no meio de uma silenciosa rotunda ocultamente adormecida?
E sendo que ainda residente em corpo aprisionado
ao local em que outrora fui por mim neste nó kármico encerrado
mesmo que parcialmente paralisado
serei apenas eu capaz
de agora atento
em lucidez caminhar em solo turbulento
como sob as águas que minadas circulam e em inundação rodeiam
(como velhas hienas)
o latente e inevitável crescimento de uma nova causa
que na sua cúspide vibra e respira
portadora de um valor que embrionário agora espelha
ao ser (através dos estilhaços
que ainda visíveis arrasam quase tudo)
em osmose reflectida
até ao profundo bafo que atravessa a garganta da alma?
Terei apenas eu a visão daquela consciência
que aparentemente redimida
em redenção afasta-se nas asas do tempo
para logo regressar em oportuna crueldade mortífera?
Por mim a mudança urge e a transformação ou é agora ou nunca
ou então resta-me esperar tranquilo
que o tempo devore as palavras
eternizando-as.
Até os que pouco têm
têm um conceito errado e por isso uma ilusão do poder
mas por mim
eu que ainda respiro
mesmo após por afogamento visceral ter falecido
por muitas tentativas de reanimação
ou falsas alternativas que me tentem impingir
por mim
que acredito no meu sopro
que no meu adormecido corpo
para sempre manter-se-á acordado
podem á vontade e á luz do dia comerem-se uns aos outros
e á noitinha relaxarem e suspirarem de alívio
podem inventar lindas histórias
criar novas cores para enganar o espírito
implementar novos sistemas ou modelos
dar dinheiro aos pobres ou acabar com os ricos
podem oferecer a palavra respeito
para ser colocada na pala de um casaco
usar a integridade para encher os bolsos das calças dos mesmos
e promoverem técnicas para que todos despidos
a dignidade antes escondida nas próprias veias seja vertida
e em falso ouro transformada e corrompida
podem tudo
que absolutamente já nada
afectará esta minha pre ou pró aparente inclinação
pois por muito que ainda vivo morto esteja
(se é que ainda existo...)
imbatível um dia tombarei imparável
nas translúcidas portas da minha própria alma
e livre continuarei imutável
em permanente respirar.
Su

Observo-te prodigiosamente minha filha
(como e desde o dia em que pela primeira vez
respiras-te a tua fortuna)
e não ouso pronunciar mas antes reter
o que jamais em poucas e breves palavras poderei descrever
esta minha sã loucura
(que pela benevolência dos anjos
sendo eu um escolhido foi me concedida)
protectora da vil e ímpia tentativa de separação
que a razão de alguns em abandono
quis em desgraça semear em nós
mas a vida que eu quero
assim como a que eu ao destino destinei
não sucumbem antes lutam dentro de mim
ao invocarem em excepcional celeridade
as glórias proféticas do teu excelso e não revelado futuro.
2008
Embora como consequência de ambas
(a realidade do sistema em que inserido não me submeto
e as exigências da alma ou limites por esta impostos
á minha inferior mas obediente personalidade)
pelo que me é entendido perceber
(em profundas e angustiantes reflexões
nestes últimos e alongados tempos)
tive que perante tais evidências maiores render-me
e resignado descansar as armas kármicas que não populares
mas dependentes da minha natural demiurgia
encrostadas nas aveludadas paredes internas do meu pulmão
e ao coração entrelaçadas por finíssimas artérias
de um dourado tom inexistente
sangram agora um azul plúmbeo e melancólico
que em cristais congelam e derretem como lágrimas rebeldes
que por instantes ao serem por mim arrancadas (o seu amo)
choram ainda descrentes a minha inerte e indómita dor
mas há muito que suspeitavam de mim pois já antes
(noutras condições abstractamente semelhantes) observaram
e por isso sabem
de uma nova e eloquente perseguição por outros trilhos
e do meu sempre novo renascer das próprias cinzas
onde sequiosos rios voláteis percorrem a mente
e aquosos compulsivos ventos penteiam em oscilações
as ímpias muralhas do meu dilecto coração
e aos membros (espremidos até á última gota)
apenas restam alguns pedaços da insolente carne
pois a tenra alma insónia e inocente
esgotou-se em permanentes lutas fastigiosas
e solicitou o chamamento insonoro do espírito
que já não viaja pelo trilho outrora ignóbil
mas sumptuosamente penetra veemente as palavras convenientes
materializando-as noutra insólita dimensão
para que o ânimo desfragmente
e as exigências da carne sejam saciadas
ao meditar sobre um novíssimo sorriso
que não esmoreça logo após a sua formação
mas que recuse compreender
o profundo e ambivalente significado da vida
para que a morte em respiração
não se apodere novamente de mim á força.
Mundo mundano
tu que ao meu peito
como um balão que não se esgota
absorves quase tudo de mim
um dia de igual modo hás-de rebentar
pois do que de mim tiras pouco ou nada em troca me dás
para que eu de novo a ti algo mais possa acrescentar
E por entre estas putas nuvens turbulentas que o meu ser infestam
procurar palavras e oferecer-tas é pura dramaturgia
mas autor visionário eu sei que ao renascer num criativo dia
(que após a última noite do anterior dia ao meu falecer existiu)
heroicamente como quem vence vencer-te hei derrubado
e no meu olhar reflectir-se-á o reflexo
da autentica beleza do céu que teu tu em mim ocultas
mas ainda irónico tu serás nesse dia como só tu sabes ser
és o mundo que delicado e forte vives em mim
és a parte de mim a quem eu de mansinho chamo mundano.
Sendo eu em melancólico furor divino anunciado
numa alegria que igualmente aflitiva denuncia
o triste canto do solitário e obscuro Saturno
que envolto em duplas e misteriosas sombras sombrias
em anéis limita e solicita a prova iniciática
em eminente destruição Vulcânica observo
o irónico deslizar dos internos ponteiros económicos
até que em sabedoria as tensões angulares diminuam
e a consolidação Solar seja cristalizada e estabelecida
para que o guardião do templo e senhor do karma
com a colaboração de Hermes sob o unicórnio
remova a ilusão e abra em celebração o portal celestial
para lá do qual astro plúmbeo jamais perseguirá
o rito vital do meu abençoado e aliado Hierofante
e que no seu próprio quintal abraçado por seus vizinhos
perante Zeus o abundante desta generosa fusão
a redenção do Guerreiro ascendente
seja pelo sol Espiritual em luz obscurecido
para que Hades o agente de ressurreição e purificador do ser
possa finalmente ungir a Deusa desprendida
e que nesta síntese amorosa entre Nódulos
eu sinta a profusão do eu pela grande alma.
(sabes quando de súbito o tempo pára)
aconteceu já o sol ia alto demorava-se no meu lento caminhar
o suor que escorria em mim comprovava a sensação de realidade
quando avidamente um novo vigor apoderava se do meu ser
pensava em ti e não encontrava palavras para definir o teu rosto
mas eis que sou abraçado por uma música intensa e melodiosa
(sabes quando surpreendentemente
como quando terminamos um puzzle tudo parece bater certo)
senti um arrepio na alma um pressentimento rondou o meu espírito
mas agora sei
aqui sentado com o olhar fixo em ti
eis que em esplendor levantas-te delicadamente
acabas de passar (como só tu sabes deslizar) e sorris-te para mim
pensei abordar-te (mas não sei se devo) aliás repara
nesta noite de lua cheia
o teu rosto esteve sempre colado a mim.
Às vezes sento-me em desolação como que a despedir-me do dia
faz-se noite e tu já terás terminado o teu banho matinal
aqui onde moro as imagens não são reais
são apenas sequelas dos genes de cada um
o tempo esmorece pois tu acabas de passar e é visível o teu rasto
acendo com ele um cigarro no momento em que te deitas
em todas as cadeiras das esplanadas que me rodeiam
é o teu rosto que eu vejo e não estou a delirar
os murmúrios que me chegam são como gemidos sensuais
o silêncio aproxima-se de mim tranquilizando-me a alma
pressinto o olhar daqueles que me estão a observar
mas eles são tu que me resgatas deste lugar
pois acordo deliciosamente nos teus braços
sonho que estou a levantar-me
e eis que ao longe
em delírio vejo te chegar.
Ao meu coração inquieto
(que sempre á procura de novas formas para se expressar
estende-se em diversas ondulações
e pulsa até por fim rasgar em êxtase
os limites dos meus membros superiores)
urano rasga-me vivamente o espírito
e Plutão (antigo novo herói sendo que agora que mais oculto
mais profundo e subtil é revelado)
intensifica e altera os meus censos (sem dúvida para melhor)
pois traz até mim o teu perfume
que é o bálsamo que derrete o meu lóbulo frontal
que acaricia o meu rosto intranquilo
clarifica as minhas perversas ideias
e transforma (quando ouso sentir o teu belo rosto)
o gérmen que latente ferve
nos confins da minha obscura virtuosidade.
Como um diamante inundado de luz
eis que sobre uma tela índigo de negro saturada
a minha vida como quem morre num cristal floresceu
(foi ao observar e moldar o teu rosto
que semelhante a uma poética cor
penetrou os meus ossos secretos
e invadiu aquelas artérias da minha existência)
e os resíduos de sangue ou eternos reflexos do mundo
para ausência do meu pecado na tua virtuosidade foram coados
sendo que na tua presença tudo é puro e perfeito
ou mesmo sagrado
pois impressionas-me
alteras a quantidade do meu desejo
arrepias o que não digo
(talvez as putas percebam este jogo de palavras desnecessárias)
é que sendo a minha vida a extensão do meu ser
nasci privilegiado cresci num miserável silêncio
e se esta é a consequência da vida que me precedeu
então nessa última terei sido o teu rei
(mas não um filho da puta de um ignorante qualquer
apenas um homem que te não amou)
agora perdido em encantamentos
á procura do teu verdadeiro nome
para a tua alma gravar neste quadro universal.
Recuso me a ser qualquer coisa
mas quando me movo ou para qualquer sítio que me vire
eis que subitamente o vento teima em perseguir-me
contudo percorro e sobrevivo
na via dos meus não limitáveis limites
e quem comigo os atravessa
entra num mundo que mais íntimo e impessoal
secretamente confirma e anula abstém e absorve a hostilidade
a solidão e a genialidade das minhas visões
em que hirto e irreverente mas subtilmente ingénuo
adapto-me e aqueço-me em abençoado verbo
(que sendo carne é infinitamente inferior ao meu existencialismo)
E nesta cor que pacífica não é menos violenta
nas bordas da tua oligarquia pinto e justifico
(nestas tardes inúteis mas que nem por isso inválidas de prazer)
em que a brisa sopra e humedece a mundana sensualidade
desbravando o interior de um elegante mistério
Eis o labirinto de um não múltiplo mas único e fálico caminho
(e não qualquer coisa)
Resignado inanimado e prosternado
(como uma figura que pensa
outrora esculpida de rosto semi tombado na mão)
eternamente ilustre candidato teu
mesmo que agora e como sempre
eterno prisioneiro da mais alta força da criação
(sendo que estás sempre cada vez mais longe
mesmo que mais perto do meu coração)
servo do devir ou discípulo da viciada lotaria dos anjos
pelas mãos do destino em generosa oração embalado sou
ainda que por ti elogiado pelo que não sou
(pois se também sou as minhas acções
vitorioso desmerecedor sou de revelada justiça)
sendo que por verosímil motivo
sou indigno do teu amor e afeição
(que devorado á nascença sem tempo tempo nenhum durou)
mas eis que pelo reino da fantasia
doce na minha loucura amargurado por nunca ter razão
(mas ainda assim capaz de continuar a amar)
elevado á nobre condição de indivíduo e demiurgo sou
pois para sempre serás minha
materializada nesta singular dimensão.
É suspensa num limbo mágico
que antecedendo o êxtase de um prometido vácuo dourado
a consciência intranquila pára
no limite que antecede a prévia visão
de um empírico culminar cósmico
É como atingir na perfeita perfeição
o verdadeiro e libertador orgasmo
ou como uma flor ascendente que majestosa
para preencher toda a luminosidade que o futuro cérebro encerra
das entranhas renasce
e perplexa observasse sonâmbula
percorrendo as nobres artérias do seu próprio coração
que pálido e falido aguarda
o sublime despertar desse profético orgasmo
que arrastará e expelirá a sua atormentada alma
que ainda suspensa no limbo
suspira e aspira a uma renovada consciência crística
aliviada
onde o gélido tempo de espera se dilui
nas quentes veias quânticas do planeta terra
que em osmose transforma as cores do meu fracturado espírito
na criação de uma nova e cristalina corrente sem nome
que aquece e protege
(se algum dia te encontrar na minha triste sombra)
as tuas frágeis e deliciosas margens
Eis o reflexo da ausência do teu amor
o início de uma nova paixão
ou o auge da minha tão desejada revolução amorosa.
Como quem curioso
em felina subtileza atentamente observa
(espelhada sobre as águas que se expandem
para lá de um intenso respirar)
o reflexo provisório de uma raríssima estrela
(que está em todo o lado e em lado algum está
pois provavelmente se não se extingui-o extinguir-se-á)
vejo-te sempre onde não estás
(sendo que és tudo o que não vejo ou porque se te vejo lá não estás)
e quando inclinado para devoto o teu cálice abordar
(já que com o graal podemos-te comparar)
eis que um sopro atemporal
(pois não existente repete-se constantemente)
faz com que evapores abdicando do meu olhar
(ou deste natural gesto de biomecanicamente querer recordar-te)
se és invólucro que por outras te fazes passar
só podem ser máscaras
(elementos de uma pura divindade)
cópias imaginárias para o meu espírito acalmar
(intemporais anónimas actrizes de um futuro ritual)
mas encontrar-te-ei a observar-me
nos espaços que interligam o que nos tende a separar
pois sempre que me desloco modifico e altero
o todo e o invisível que nos está a circular
e na impossibilidade de conservar-te
na imensidão do teu perfume receio afogar
mas no profundo interior de um ponto central aguardo
(como no culto em que os deuses querem amar)
numa dispersa rebeldia solitária
a tua face de novo enfrentar.
Escrever-me ao encontro do poema perfeito
e lapidar-me de dentro pra fora
só na ausência de falsas palavras incorporadas
na orla de uma palpável e louca inexistência
ao observar-me na plenitude do que já era
quente diamante lentamente absorvido
pelo ponto de luz que invisível indecifrável e permanente
num buraco negro
em comunhão com palavras inexploráveis fermenta
e para compensar o tempo perdido uma nova expressão inventa
neste inferno paraíso que intransmissível continua irónico
a imaginar ter-te como num sonho surrealista
em que ambos os corpos diluídos resistem
perdidamente unidos por uma palavra
amando se eternamente.
(a realidade do sistema em que inserido não me submeto
e as exigências da alma ou limites por esta impostos
á minha inferior mas obediente personalidade)
pelo que me é entendido perceber
(em profundas e angustiantes reflexões
nestes últimos e alongados tempos)
tive que perante tais evidências maiores render-me
e resignado descansar as armas kármicas que não populares
mas dependentes da minha natural demiurgia
encrostadas nas aveludadas paredes internas do meu pulmão
e ao coração entrelaçadas por finíssimas artérias
de um dourado tom inexistente
sangram agora um azul plúmbeo e melancólico
que em cristais congelam e derretem como lágrimas rebeldes
que por instantes ao serem por mim arrancadas (o seu amo)
choram ainda descrentes a minha inerte e indómita dor
mas há muito que suspeitavam de mim pois já antes
(noutras condições abstractamente semelhantes) observaram
e por isso sabem
de uma nova e eloquente perseguição por outros trilhos
e do meu sempre novo renascer das próprias cinzas
onde sequiosos rios voláteis percorrem a mente
e aquosos compulsivos ventos penteiam em oscilações
as ímpias muralhas do meu dilecto coração
e aos membros (espremidos até á última gota)
apenas restam alguns pedaços da insolente carne
pois a tenra alma insónia e inocente
esgotou-se em permanentes lutas fastigiosas
e solicitou o chamamento insonoro do espírito
que já não viaja pelo trilho outrora ignóbil
mas sumptuosamente penetra veemente as palavras convenientes
materializando-as noutra insólita dimensão
para que o ânimo desfragmente
e as exigências da carne sejam saciadas
ao meditar sobre um novíssimo sorriso
que não esmoreça logo após a sua formação
mas que recuse compreender
o profundo e ambivalente significado da vida
para que a morte em respiração
não se apodere novamente de mim á força.
Mundo mundano
tu que ao meu peito
como um balão que não se esgota
absorves quase tudo de mim
um dia de igual modo hás-de rebentar
pois do que de mim tiras pouco ou nada em troca me dás
para que eu de novo a ti algo mais possa acrescentar
E por entre estas putas nuvens turbulentas que o meu ser infestam
procurar palavras e oferecer-tas é pura dramaturgia
mas autor visionário eu sei que ao renascer num criativo dia
(que após a última noite do anterior dia ao meu falecer existiu)
heroicamente como quem vence vencer-te hei derrubado
e no meu olhar reflectir-se-á o reflexo
da autentica beleza do céu que teu tu em mim ocultas
mas ainda irónico tu serás nesse dia como só tu sabes ser
és o mundo que delicado e forte vives em mim
és a parte de mim a quem eu de mansinho chamo mundano.
Sendo eu em melancólico furor divino anunciado
numa alegria que igualmente aflitiva denuncia
o triste canto do solitário e obscuro Saturno
que envolto em duplas e misteriosas sombras sombrias
em anéis limita e solicita a prova iniciática
em eminente destruição Vulcânica observo
o irónico deslizar dos internos ponteiros económicos
até que em sabedoria as tensões angulares diminuam
e a consolidação Solar seja cristalizada e estabelecida
para que o guardião do templo e senhor do karma
com a colaboração de Hermes sob o unicórnio
remova a ilusão e abra em celebração o portal celestial
para lá do qual astro plúmbeo jamais perseguirá
o rito vital do meu abençoado e aliado Hierofante
e que no seu próprio quintal abraçado por seus vizinhos
perante Zeus o abundante desta generosa fusão
a redenção do Guerreiro ascendente
seja pelo sol Espiritual em luz obscurecido
para que Hades o agente de ressurreição e purificador do ser
possa finalmente ungir a Deusa desprendida
e que nesta síntese amorosa entre Nódulos
eu sinta a profusão do eu pela grande alma.
(sabes quando de súbito o tempo pára)
aconteceu já o sol ia alto demorava-se no meu lento caminhar
o suor que escorria em mim comprovava a sensação de realidade
quando avidamente um novo vigor apoderava se do meu ser
pensava em ti e não encontrava palavras para definir o teu rosto
mas eis que sou abraçado por uma música intensa e melodiosa
(sabes quando surpreendentemente
como quando terminamos um puzzle tudo parece bater certo)
senti um arrepio na alma um pressentimento rondou o meu espírito
mas agora sei
aqui sentado com o olhar fixo em ti
eis que em esplendor levantas-te delicadamente
acabas de passar (como só tu sabes deslizar) e sorris-te para mim
pensei abordar-te (mas não sei se devo) aliás repara
nesta noite de lua cheia
o teu rosto esteve sempre colado a mim.
Às vezes sento-me em desolação como que a despedir-me do dia
faz-se noite e tu já terás terminado o teu banho matinal
aqui onde moro as imagens não são reais
são apenas sequelas dos genes de cada um
o tempo esmorece pois tu acabas de passar e é visível o teu rasto
acendo com ele um cigarro no momento em que te deitas
em todas as cadeiras das esplanadas que me rodeiam
é o teu rosto que eu vejo e não estou a delirar
os murmúrios que me chegam são como gemidos sensuais
o silêncio aproxima-se de mim tranquilizando-me a alma
pressinto o olhar daqueles que me estão a observar
mas eles são tu que me resgatas deste lugar
pois acordo deliciosamente nos teus braços
sonho que estou a levantar-me
e eis que ao longe
em delírio vejo te chegar.
Ao meu coração inquieto
(que sempre á procura de novas formas para se expressar
estende-se em diversas ondulações
e pulsa até por fim rasgar em êxtase
os limites dos meus membros superiores)
urano rasga-me vivamente o espírito
e Plutão (antigo novo herói sendo que agora que mais oculto
mais profundo e subtil é revelado)
intensifica e altera os meus censos (sem dúvida para melhor)
pois traz até mim o teu perfume
que é o bálsamo que derrete o meu lóbulo frontal
que acaricia o meu rosto intranquilo
clarifica as minhas perversas ideias
e transforma (quando ouso sentir o teu belo rosto)
o gérmen que latente ferve
nos confins da minha obscura virtuosidade.
Como um diamante inundado de luz
eis que sobre uma tela índigo de negro saturada
a minha vida como quem morre num cristal floresceu
(foi ao observar e moldar o teu rosto
que semelhante a uma poética cor
penetrou os meus ossos secretos
e invadiu aquelas artérias da minha existência)
e os resíduos de sangue ou eternos reflexos do mundo
para ausência do meu pecado na tua virtuosidade foram coados
sendo que na tua presença tudo é puro e perfeito
ou mesmo sagrado
pois impressionas-me
alteras a quantidade do meu desejo
arrepias o que não digo
(talvez as putas percebam este jogo de palavras desnecessárias)
é que sendo a minha vida a extensão do meu ser
nasci privilegiado cresci num miserável silêncio
e se esta é a consequência da vida que me precedeu
então nessa última terei sido o teu rei
(mas não um filho da puta de um ignorante qualquer
apenas um homem que te não amou)
agora perdido em encantamentos
á procura do teu verdadeiro nome
para a tua alma gravar neste quadro universal.
Recuso me a ser qualquer coisa
mas quando me movo ou para qualquer sítio que me vire
eis que subitamente o vento teima em perseguir-me
contudo percorro e sobrevivo
na via dos meus não limitáveis limites
e quem comigo os atravessa
entra num mundo que mais íntimo e impessoal
secretamente confirma e anula abstém e absorve a hostilidade
a solidão e a genialidade das minhas visões
em que hirto e irreverente mas subtilmente ingénuo
adapto-me e aqueço-me em abençoado verbo
(que sendo carne é infinitamente inferior ao meu existencialismo)
E nesta cor que pacífica não é menos violenta
nas bordas da tua oligarquia pinto e justifico
(nestas tardes inúteis mas que nem por isso inválidas de prazer)
em que a brisa sopra e humedece a mundana sensualidade
desbravando o interior de um elegante mistério
Eis o labirinto de um não múltiplo mas único e fálico caminho
(e não qualquer coisa)
Resignado inanimado e prosternado
(como uma figura que pensa
outrora esculpida de rosto semi tombado na mão)
eternamente ilustre candidato teu
mesmo que agora e como sempre
eterno prisioneiro da mais alta força da criação
(sendo que estás sempre cada vez mais longe
mesmo que mais perto do meu coração)
servo do devir ou discípulo da viciada lotaria dos anjos
pelas mãos do destino em generosa oração embalado sou
ainda que por ti elogiado pelo que não sou
(pois se também sou as minhas acções
vitorioso desmerecedor sou de revelada justiça)
sendo que por verosímil motivo
sou indigno do teu amor e afeição
(que devorado á nascença sem tempo tempo nenhum durou)
mas eis que pelo reino da fantasia
doce na minha loucura amargurado por nunca ter razão
(mas ainda assim capaz de continuar a amar)
elevado á nobre condição de indivíduo e demiurgo sou
pois para sempre serás minha
materializada nesta singular dimensão.
É suspensa num limbo mágico
que antecedendo o êxtase de um prometido vácuo dourado
a consciência intranquila pára
no limite que antecede a prévia visão
de um empírico culminar cósmico
É como atingir na perfeita perfeição
o verdadeiro e libertador orgasmo
ou como uma flor ascendente que majestosa
para preencher toda a luminosidade que o futuro cérebro encerra
das entranhas renasce
e perplexa observasse sonâmbula
percorrendo as nobres artérias do seu próprio coração
que pálido e falido aguarda
o sublime despertar desse profético orgasmo
que arrastará e expelirá a sua atormentada alma
que ainda suspensa no limbo
suspira e aspira a uma renovada consciência crística
aliviada
onde o gélido tempo de espera se dilui
nas quentes veias quânticas do planeta terra
que em osmose transforma as cores do meu fracturado espírito
na criação de uma nova e cristalina corrente sem nome
que aquece e protege
(se algum dia te encontrar na minha triste sombra)
as tuas frágeis e deliciosas margens
Eis o reflexo da ausência do teu amor
o início de uma nova paixão
ou o auge da minha tão desejada revolução amorosa.
Como quem curioso
em felina subtileza atentamente observa
(espelhada sobre as águas que se expandem
para lá de um intenso respirar)
o reflexo provisório de uma raríssima estrela
(que está em todo o lado e em lado algum está
pois provavelmente se não se extingui-o extinguir-se-á)
vejo-te sempre onde não estás
(sendo que és tudo o que não vejo ou porque se te vejo lá não estás)
e quando inclinado para devoto o teu cálice abordar
(já que com o graal podemos-te comparar)
eis que um sopro atemporal
(pois não existente repete-se constantemente)
faz com que evapores abdicando do meu olhar
(ou deste natural gesto de biomecanicamente querer recordar-te)
se és invólucro que por outras te fazes passar
só podem ser máscaras
(elementos de uma pura divindade)
cópias imaginárias para o meu espírito acalmar
(intemporais anónimas actrizes de um futuro ritual)
mas encontrar-te-ei a observar-me
nos espaços que interligam o que nos tende a separar
pois sempre que me desloco modifico e altero
o todo e o invisível que nos está a circular
e na impossibilidade de conservar-te
na imensidão do teu perfume receio afogar
mas no profundo interior de um ponto central aguardo
(como no culto em que os deuses querem amar)
numa dispersa rebeldia solitária
a tua face de novo enfrentar.
Escrever-me ao encontro do poema perfeito
e lapidar-me de dentro pra fora
só na ausência de falsas palavras incorporadas
na orla de uma palpável e louca inexistência
ao observar-me na plenitude do que já era
quente diamante lentamente absorvido
pelo ponto de luz que invisível indecifrável e permanente
num buraco negro
em comunhão com palavras inexploráveis fermenta
e para compensar o tempo perdido uma nova expressão inventa
neste inferno paraíso que intransmissível continua irónico
a imaginar ter-te como num sonho surrealista
em que ambos os corpos diluídos resistem
perdidamente unidos por uma palavra
amando se eternamente.
2007
Eis que
espelhada na fina e sublime
pura delicada e preciosa membrana
de uma perfeita e tranquila lagoa no oceano
és claramente eleita a única estrela capaz
de entender o alcance da minha vida
pois a evidente transparência do teu rosto na agua é tal
que como um raio de luz
ilumina a oculta profundidade do meu Ser ali submersa
e transmite como numa tela antes velada por tamanha escuridão
a antiga naufragada revelação jamais utilizada
do Divino Paraíso que sumido eu perdi
e que antecede as leis do próprio cosmos que hilariante
por arcanjos lapidado como guerreiro de cristal diamante
para que então além-mar pudesse no teu nobre rosto reflectir-se
e recordar através do vento ao tempo
esta maravilhosa imagem que diz que sim
que tu és a escolhida e portadora da chave dourada
que abre o abrir do meu ingénuo coração
que ali jazia ancorado e ferido pelos destinos kármicos
e que agora mais generoso e agradecido
ainda que como um recem nascido
a precisar de cuidados
não reivindica mas aguarda enquanto consciente caminha
pela tua sagrada e calorosa presença
que pode por mim para todo sempre
ser amada.
No futuro em que já contigo vivi
só depois de acarinhar com um dilúvio celestial em catarse
e ter retirado o negro atormentado às minhas próprias entranhas
posso observar a plenitude de uma chama que em paixão
antecipada no tempo tal caravela virtual
do universo submerge
e navega
E como por osmose
cercado pelos anjos que amparam e restauram
o bater de um suave e profundo latejar
pintar a obra que já seca recorda
a saudade de um chegar a casa guerreiro cansado
que na ausência de sua princesa repousa
no próprio inferno celestial
E como resposta ao conceito e sentimento
para o qual não existe palavra alguma
gritar
e em silêncio sonhar
com a presença da sua futura amada.
espelhada na fina e sublime
pura delicada e preciosa membrana
de uma perfeita e tranquila lagoa no oceano
és claramente eleita a única estrela capaz
de entender o alcance da minha vida
pois a evidente transparência do teu rosto na agua é tal
que como um raio de luz
ilumina a oculta profundidade do meu Ser ali submersa
e transmite como numa tela antes velada por tamanha escuridão
a antiga naufragada revelação jamais utilizada
do Divino Paraíso que sumido eu perdi
e que antecede as leis do próprio cosmos que hilariante
por arcanjos lapidado como guerreiro de cristal diamante
para que então além-mar pudesse no teu nobre rosto reflectir-se
e recordar através do vento ao tempo
esta maravilhosa imagem que diz que sim
que tu és a escolhida e portadora da chave dourada
que abre o abrir do meu ingénuo coração
que ali jazia ancorado e ferido pelos destinos kármicos
e que agora mais generoso e agradecido
ainda que como um recem nascido
a precisar de cuidados
não reivindica mas aguarda enquanto consciente caminha
pela tua sagrada e calorosa presença
que pode por mim para todo sempre
ser amada.
No futuro em que já contigo vivi
só depois de acarinhar com um dilúvio celestial em catarse
e ter retirado o negro atormentado às minhas próprias entranhas
posso observar a plenitude de uma chama que em paixão
antecipada no tempo tal caravela virtual
do universo submerge
e navega
E como por osmose
cercado pelos anjos que amparam e restauram
o bater de um suave e profundo latejar
pintar a obra que já seca recorda
a saudade de um chegar a casa guerreiro cansado
que na ausência de sua princesa repousa
no próprio inferno celestial
E como resposta ao conceito e sentimento
para o qual não existe palavra alguma
gritar
e em silêncio sonhar
com a presença da sua futura amada.
2006
Ela chegará como luz quente
centrada na orla multidimensional da noite
chegará oculta nas águas do seu próprio ventre
onde apenas a ternura de um inocente movimento
a poderá abarcar
Atrasada ela chegará de acordo com o seu tempo
mas para ignorantes será demasiado cedo
pois como névoa veludo azul espuma
ela como quem chama por si
assim como eu
chegará completa.
Podia eu
na eloquente solidão da palavra
sob um vértice submerso em si mesmo
adocicar arestas de carne
e reduzir as sombras amarelas da noite
E no negro que faz brilhar a cor que persiste aguda
cozinhar o sal cósmico prateado
que diluído espelhado no próprio rosto
onde a imagem da memória esgota
observa e aprecia uma e uma outra vez
a orgânica de uma expressão quase terrena
que no seu tempo intemporal
avança para a dimensão do nada
Mas é numa espécie de lenta pobreza cintilante
que ao entardecer de um voraz pensamento
palavras de vidro em ouro violeta amanhecem
sob a densa ligeireza de um aparente braço fugidio
E se correm alucinantes palhaços no ar
são de um enganador vibrar suavizante
que em forma de gelo quase esfumado quase corrompem
aquelas sombras não arrepiantes mas luminosas que um dia sonhei
e que azuis projectam a espuma oculta do céu
como quem descobre o âmago de um nobre nascimento
em que tudo ocorre por entre nuvens de lua
ou de mármore transparente
que agora tombam num cálice de água morna
Mas nunca é tarde
eu já bebi o doce néctar dourado
do vácuo em que do todo submergi.
centrada na orla multidimensional da noite
chegará oculta nas águas do seu próprio ventre
onde apenas a ternura de um inocente movimento
a poderá abarcar
Atrasada ela chegará de acordo com o seu tempo
mas para ignorantes será demasiado cedo
pois como névoa veludo azul espuma
ela como quem chama por si
assim como eu
chegará completa.
Podia eu
na eloquente solidão da palavra
sob um vértice submerso em si mesmo
adocicar arestas de carne
e reduzir as sombras amarelas da noite
E no negro que faz brilhar a cor que persiste aguda
cozinhar o sal cósmico prateado
que diluído espelhado no próprio rosto
onde a imagem da memória esgota
observa e aprecia uma e uma outra vez
a orgânica de uma expressão quase terrena
que no seu tempo intemporal
avança para a dimensão do nada
Mas é numa espécie de lenta pobreza cintilante
que ao entardecer de um voraz pensamento
palavras de vidro em ouro violeta amanhecem
sob a densa ligeireza de um aparente braço fugidio
E se correm alucinantes palhaços no ar
são de um enganador vibrar suavizante
que em forma de gelo quase esfumado quase corrompem
aquelas sombras não arrepiantes mas luminosas que um dia sonhei
e que azuis projectam a espuma oculta do céu
como quem descobre o âmago de um nobre nascimento
em que tudo ocorre por entre nuvens de lua
ou de mármore transparente
que agora tombam num cálice de água morna
Mas nunca é tarde
eu já bebi o doce néctar dourado
do vácuo em que do todo submergi.
2004
Nesta dor
por Saturno o amor é-me negado
e prisioneiro do tempo avanço no espaço
tento sentir o que não sinto
procuro conhecer o que não tenho
e sofro
mas sou e serei o que já fui
ainda que agora alienado
autêntico
em sintonia com o destino no eterno ventre abençoado
mas se não acreditasse no impossível seria mais fácil
pois desistia do meu sacrifício
que fruto da minha única responsabilidade
é o fado que meu eu em mim amo
para além desta inatingível felicidade
que em momentos de visão turva só na respiração se aguenta
como extensão de um coração cansado
arrasado e estilhaçado em vazio e em mistério
deste lado e também por dentro
totalmente virado do avesso
onde levemente alma com alma descansa em sublime repouso
na solidão do sábio Saturno
que privando-me da maior alegria
destrói a minha vida
para que a vida em mim de novo renasça
pois á muito muito tempo
muito antes de eu ter nascido tu já existias ó vida
e por isso neste fim de dia
a minha alma é de novo uma raiz á muito muito tempo seca
uma raiz que lentamente sara
neste verde que hoje pouco me diz ou nada
pois a fonte da minha sede esgotou
e a frescura do meu ser secou
e eu
eu sem amor acordo mas não existo
eu sem amor observo mas não vivo
eu sem amor não crio
apenas sobrevivo.
Nestes dias de silêncio e solidão
de um azul claro e azul escurão
nada é capaz de apagar as minhas memórias
mas também nada é capaz de me fazer recordar
algo que de imediato se afasta
como a brisa que não vês roçar as ondas do mar
ou como a respiração que agora sentes
e de seguida esqueces completamente
Enfim
é como a experiência da perda do nada
do que não é de uma maravilhosa imagem
ou aquilo que é de uma vaga ideia inacabada.
Onde quer que estejas
podes ouvir o bater do meu coração
pois ele fala com as energias do mundo
é que eu só preciso imaginar uma estrela
para fazer parte da via láctea
imaginar uma árvore para fazer parte da natureza
imaginar uma pérola para sentir o oceano
ou imaginar a bondade de Deus
para sentir que sou abençoado
mas o que não consigo é imaginar-me sozinho
no meio de tanta liberdade.
Podendo eu
neste curto momento
que sinto quase fugir por entre os dedos
acalmar a minha alma
agora livre de inquietantes inquietações
sem que pensamentos indesejáveis
e emoções turvas me tirem a paz de espírito
que durante esta última vulcânica viagem
feita de tremendas e inevitáveis erupções
o meu ego dilacerou
Posso agora consciente remover
todo o fumo e toda a labareda
e por um estante
purificar a minha alma
num fugaz intenso e verdadeiro sentimento
que me diz e faz recordar que mesmo assim
em pequenos e sublimes momentos no espaço e no tempo
eu posso ser feliz
ao meu lado.
Numa vaga imagem que ainda hoje recordo
de cores fortes azuis e vermelhos
eu dominava o cavalo com rigor e entusiasmo
Os tons que me rodeavam eram suaves
claros e brilhantes transmitiam glória
e a expressão das figuras eram de triunfo
mas pressinto que continham alguma mágoa
era algo que não estava totalmente clarificado
não sei bem o quê mas pouco importa
pois uma nova imagem
liberta a dor do meu espírito
e esta é muito mais consciente
mas quase impossível realizar-se
Preciso concentrar-me
conseguir materializar esta outra imagem
pois não tenho dúvidas
a harmonia que ela transmite
contém a minha felicidade.
Reforçar as minhas crenças renovar a minha fé
e jamais permitir que densas nuvens se aproximem
para destruírem com seus irados furacões
as frágeis e nobres sementes deste nosso jardim
que pelas doces mãos de Deus foi semeado
para que nestas horas de tormenta a graça destas flores floresça
e reluza a imagem da grande alma fundida
por uma aparente linha no horizonte
num novíssimo e misterioso quadro enquadrado
em que daqui sentado eu possa
ao ver-me beber o cálice da eterna aliança ultrapassa-lo
e assim compreender os aparentes limites da minha alma
pois exilado estou
sendo que a qualquer lado que vá
sinto que estou no mesmo sítio
mas é mentira
pois os dias nascem fora e dentro de mim
onde as horas passam os minutos correm
e os segundos contam
resultando numa imagem que pode parecer monótona
mas que na simples forma de ser
contém os alicerces da eterna eternidade
em sintonia com a verdade
pois aquilo que eu faço
faço-o com a distância de um verdadeiro apaixonado.
por Saturno o amor é-me negado
e prisioneiro do tempo avanço no espaço
tento sentir o que não sinto
procuro conhecer o que não tenho
e sofro
mas sou e serei o que já fui
ainda que agora alienado
autêntico
em sintonia com o destino no eterno ventre abençoado
mas se não acreditasse no impossível seria mais fácil
pois desistia do meu sacrifício
que fruto da minha única responsabilidade
é o fado que meu eu em mim amo
para além desta inatingível felicidade
que em momentos de visão turva só na respiração se aguenta
como extensão de um coração cansado
arrasado e estilhaçado em vazio e em mistério
deste lado e também por dentro
totalmente virado do avesso
onde levemente alma com alma descansa em sublime repouso
na solidão do sábio Saturno
que privando-me da maior alegria
destrói a minha vida
para que a vida em mim de novo renasça
pois á muito muito tempo
muito antes de eu ter nascido tu já existias ó vida
e por isso neste fim de dia
a minha alma é de novo uma raiz á muito muito tempo seca
uma raiz que lentamente sara
neste verde que hoje pouco me diz ou nada
pois a fonte da minha sede esgotou
e a frescura do meu ser secou
e eu
eu sem amor acordo mas não existo
eu sem amor observo mas não vivo
eu sem amor não crio
apenas sobrevivo.
Nestes dias de silêncio e solidão
de um azul claro e azul escurão
nada é capaz de apagar as minhas memórias
mas também nada é capaz de me fazer recordar
algo que de imediato se afasta
como a brisa que não vês roçar as ondas do mar
ou como a respiração que agora sentes
e de seguida esqueces completamente
Enfim
é como a experiência da perda do nada
do que não é de uma maravilhosa imagem
ou aquilo que é de uma vaga ideia inacabada.
Onde quer que estejas
podes ouvir o bater do meu coração
pois ele fala com as energias do mundo
é que eu só preciso imaginar uma estrela
para fazer parte da via láctea
imaginar uma árvore para fazer parte da natureza
imaginar uma pérola para sentir o oceano
ou imaginar a bondade de Deus
para sentir que sou abençoado
mas o que não consigo é imaginar-me sozinho
no meio de tanta liberdade.
Podendo eu
neste curto momento
que sinto quase fugir por entre os dedos
acalmar a minha alma
agora livre de inquietantes inquietações
sem que pensamentos indesejáveis
e emoções turvas me tirem a paz de espírito
que durante esta última vulcânica viagem
feita de tremendas e inevitáveis erupções
o meu ego dilacerou
Posso agora consciente remover
todo o fumo e toda a labareda
e por um estante
purificar a minha alma
num fugaz intenso e verdadeiro sentimento
que me diz e faz recordar que mesmo assim
em pequenos e sublimes momentos no espaço e no tempo
eu posso ser feliz
ao meu lado.
Numa vaga imagem que ainda hoje recordo
de cores fortes azuis e vermelhos
eu dominava o cavalo com rigor e entusiasmo
Os tons que me rodeavam eram suaves
claros e brilhantes transmitiam glória
e a expressão das figuras eram de triunfo
mas pressinto que continham alguma mágoa
era algo que não estava totalmente clarificado
não sei bem o quê mas pouco importa
pois uma nova imagem
liberta a dor do meu espírito
e esta é muito mais consciente
mas quase impossível realizar-se
Preciso concentrar-me
conseguir materializar esta outra imagem
pois não tenho dúvidas
a harmonia que ela transmite
contém a minha felicidade.
Reforçar as minhas crenças renovar a minha fé
e jamais permitir que densas nuvens se aproximem
para destruírem com seus irados furacões
as frágeis e nobres sementes deste nosso jardim
que pelas doces mãos de Deus foi semeado
para que nestas horas de tormenta a graça destas flores floresça
e reluza a imagem da grande alma fundida
por uma aparente linha no horizonte
num novíssimo e misterioso quadro enquadrado
em que daqui sentado eu possa
ao ver-me beber o cálice da eterna aliança ultrapassa-lo
e assim compreender os aparentes limites da minha alma
pois exilado estou
sendo que a qualquer lado que vá
sinto que estou no mesmo sítio
mas é mentira
pois os dias nascem fora e dentro de mim
onde as horas passam os minutos correm
e os segundos contam
resultando numa imagem que pode parecer monótona
mas que na simples forma de ser
contém os alicerces da eterna eternidade
em sintonia com a verdade
pois aquilo que eu faço
faço-o com a distância de um verdadeiro apaixonado.
2001
Deus concedeu-me uma dádiva
a emoção mais forte que algum dia senti
É uma honra receber-te minha filha
pois és tu o receptáculo
onde o meu espírito repousa e vagueia
quando ao teu lado o meu corpo descansa
São os dias mais felizes da minha vida
nas profundezas das minhas vísceras rejuvenesço
e é novo o sangue que me corre nas veias
os meus pensamentos são frenéticos, curativos
como raios de luz transparentes
A minha intuição é um espelho ondulante.
a emoção mais forte que algum dia senti
É uma honra receber-te minha filha
pois és tu o receptáculo
onde o meu espírito repousa e vagueia
quando ao teu lado o meu corpo descansa
São os dias mais felizes da minha vida
nas profundezas das minhas vísceras rejuvenesço
e é novo o sangue que me corre nas veias
os meus pensamentos são frenéticos, curativos
como raios de luz transparentes
A minha intuição é um espelho ondulante.
Imagina
a limpidez na mente destas crianças
e o seu rio livre de suas margens hostis
e o caminhar surge naturalmente
como estas palavras me saem das mãos
rápidos pictóricos abrangentes
depósitos de ouro no mar.
a limpidez na mente destas crianças
e o seu rio livre de suas margens hostis
e o caminhar surge naturalmente
como estas palavras me saem das mãos
rápidos pictóricos abrangentes
depósitos de ouro no mar.
2000
Na plenitude existimos para lá de um brando sentimento
eis os alicerces desejados a matéria densa escura e suja
asas de verão num corpo volátil grave e branco
o meu estômago ensina-me a sorrir por entre nuvens de ouro
e trás consigo um rio arquitectónico
e o rugir imenso dos povos
que se destroem
vivem e dizem delirantes
eu sou a penetração das águas.
Sinto ser o ramo de uma árvore
onde podes sempre descansar
hoje quero sugerir o infinito e o belo
quero dar o prometido
uma luz como tu que me faça sentido
um pássaro azul
as chamas de um anjo branco.
E crescem-nos asas num turbulento peito
essa dor imensa e agonizante vaporosa de cor azia
em tempos lírios que brotam das pedras granitas
Salva-me ó Senhor do ventre tu que dominas a vida eterna
os rituais e os mistérios sagrados
que esta tua alma vingue
para águas profundas vertidas.
De uma única centelha de luz nasciam raios interligados
o mundo ondulante e fragmentado resistia
e os ventos rodopiantes e fálicos permaneciam intactos
Alguém murmura o verbo numa voz trémula
é o arquétipo da luz que desbrava a noite acumulada
No meu estômago pendiam círculos pictóricos
quando eis que uma deusa emerge no imprevisto
e traços curvilíneos sustentam as formas e o caminho
onde o espírito repousa novamente inalterável
e num ritmo novo abarca e semeia um grito
ecos da minha consolação
demiurgia.
Ali já se passaram séculos de tinta emocional
suores arrepiantes viagens alucinantes martírios de ignorância
e uma centelha apoderou-se de mim aliviando-me a dor
A solidão o desespero e a crueldade bateram-me as portas
e pequenas histórias libertaram-me no inconsciente do mundo
Faleci
encarnei no espaço sideral e ressuscitei das cinzas
vivi e criei personagens do mito
lutei contra moinhos invisíveis e fui amigo de pequenos deuses
No início era o verbo mas na essência
há imagens verdadeiramente alucinantes.
Eis um fogo azul e dominante que me arrasta luminoso
num salto permanente de visionário precoce
eis o sonho e uma nova realidade literal
a forma descomprimida e os gases libertadores
o auge e o velho dilema dourado outrora desmistificado
silenciado e crucificado aos ventos pragmáticos do tempo
que numa pausa irreverente é idolatrado e amado pelos Deuses
revolucionário.
Mulher que és vinda das brumas do além
que trazes contigo o doce néctar das estrelas poentes
e que ensinas sorrisos em templos escondidos abençoada és
E as tuas mãos que semeiam alegres o brilho nos meus olhos
têm asas
e juntos visitamos o impenetrável centro da natureza humana
onde a fonte jorra o princípio de todos os mistérios
Esqueço-me de mim
acompanho-te em delicadas nuvens
purifico-me
imagino um lago sereno e espelhado
e sinto que um fogo percorre as minhas entranhas
Eis que me encontro de novo contigo
somos a água onde os peixes dormem
e os deuses cantam.
Intensa âncora no espírito e no desejo ardente
pura consciência que branca desce em vertigem á terra
e que pelo conflito do refinamento mútuo ascende das profundezas
para no encontro sensual da sonolência despertar
em meus braços aquáticos as tuas rosas carnívoras
e juntos iluminar as trevas e gritar ao vento
os ecos de um amor eterno
para que os deuses aplaudam
satisfeitos.
Veloz coração que submisso se alegra em ascensão
perante uma árvore redentora de hostis e degradantes arrogâncias
pois ajoelho-me no caule de uma nuvem
que voraz engole a minha alma no Divino ritmo dos céus
E num alongado sopro
de regresso ao corpo agradeço e saboreio a tua presença
nesta curta merecida e quente longevidade eminente
maravilhosa alquimia
emocionante intuição na alma correctamente fundida.
Os instrumentos ruminavam
longos e curtos encontravam os ouvidos certos
e eu via os sons que rústicos sintonizavam
á procura da perfeita melodia
e nada
as cores prenunciavam-se ainda num espaço fechado
mas oculto no interior da grande alma de uma sala
só Tu Senhor
fizeste com que a dança do amor nascente florescesse límpida
nos olhos que semi-cerrados se abriram impacientes
para que livres os espíritos pudessem abraçar-nos.
Ser um só corpo
que da vista se alonga à mais ínfima partícula de um prado
e ser a Primavera mas o Outono finda
e o Inverno inicia uma centelha de Deus
que congelada em água de mim foge e dissolve-se como uma cascata
que alimenta e expande estes verdes luxuriantes
Esta imagem contém alguns ensinamentos
que à alma me sugam a dor
Oh, reflectir o silêncio deste prado
onde a própria terra contém os mais nobres sentimentos
de alguém que por aqui passou
mas era eu que namorava a brisa do verão
quando a terra
germinou.
Quando é chamado
em total humildade o Poeta sacrifica-se á sua nuvem
e transforma-se no pássaro da juventude
e acorda os deuses para receber a ementa do dia
e o ritual da água e o ritual da vida
o fluxo da herança e os tempos perdidos
a recordação do tempo futuro
a sobrevivência enquanto finda mais um dia
e as estrelas que ladram ao ouvido
a vinda do Senhor e do vento
numa gota de cor pérola refundida
e ambos bebemos do mesmo cálice da fantasia
sob ritmos inquietantes como pálpebras que brilham
numa distância muito pequena
entre a verdade e a mentira
Eis que sou um homem de fé
cruzei caminhos interditos e ocultei a minha imagem
a minha sombra bebia e fiz-me pó
as estrelas sempre me acompanharam
ainda hoje dizem que em todas as eras revolucionei
arquétipo do espaço translúcido dominei o tempo
sonhei e ajoelhei-me a seus pés
fui resgatado e acordei dentro de um espelho vermelho
a morte por mim tinha passado
rejuvenesci.
Que tenho eu a ver contigo mulher?
Eu sou feito do barro que se afeiçoa aos tempos
tu do negro vácuo que absorve as estrelas
e na trilha que ambos percorremos
tu do nada partilhas o que é eterno
eu conquisto as pedras e nelas a tua sabedoria
sendo que me dás uma filha eu dar-lhe-ei a minha vida.
eis os alicerces desejados a matéria densa escura e suja
asas de verão num corpo volátil grave e branco
o meu estômago ensina-me a sorrir por entre nuvens de ouro
e trás consigo um rio arquitectónico
e o rugir imenso dos povos
que se destroem
vivem e dizem delirantes
eu sou a penetração das águas.
Sinto ser o ramo de uma árvore
onde podes sempre descansar
hoje quero sugerir o infinito e o belo
quero dar o prometido
uma luz como tu que me faça sentido
um pássaro azul
as chamas de um anjo branco.
E crescem-nos asas num turbulento peito
essa dor imensa e agonizante vaporosa de cor azia
em tempos lírios que brotam das pedras granitas
Salva-me ó Senhor do ventre tu que dominas a vida eterna
os rituais e os mistérios sagrados
que esta tua alma vingue
para águas profundas vertidas.
De uma única centelha de luz nasciam raios interligados
o mundo ondulante e fragmentado resistia
e os ventos rodopiantes e fálicos permaneciam intactos
Alguém murmura o verbo numa voz trémula
é o arquétipo da luz que desbrava a noite acumulada
No meu estômago pendiam círculos pictóricos
quando eis que uma deusa emerge no imprevisto
e traços curvilíneos sustentam as formas e o caminho
onde o espírito repousa novamente inalterável
e num ritmo novo abarca e semeia um grito
ecos da minha consolação
demiurgia.
Ali já se passaram séculos de tinta emocional
suores arrepiantes viagens alucinantes martírios de ignorância
e uma centelha apoderou-se de mim aliviando-me a dor
A solidão o desespero e a crueldade bateram-me as portas
e pequenas histórias libertaram-me no inconsciente do mundo
Faleci
encarnei no espaço sideral e ressuscitei das cinzas
vivi e criei personagens do mito
lutei contra moinhos invisíveis e fui amigo de pequenos deuses
No início era o verbo mas na essência
há imagens verdadeiramente alucinantes.
Eis um fogo azul e dominante que me arrasta luminoso
num salto permanente de visionário precoce
eis o sonho e uma nova realidade literal
a forma descomprimida e os gases libertadores
o auge e o velho dilema dourado outrora desmistificado
silenciado e crucificado aos ventos pragmáticos do tempo
que numa pausa irreverente é idolatrado e amado pelos Deuses
revolucionário.
Mulher que és vinda das brumas do além
que trazes contigo o doce néctar das estrelas poentes
e que ensinas sorrisos em templos escondidos abençoada és
E as tuas mãos que semeiam alegres o brilho nos meus olhos
têm asas
e juntos visitamos o impenetrável centro da natureza humana
onde a fonte jorra o princípio de todos os mistérios
Esqueço-me de mim
acompanho-te em delicadas nuvens
purifico-me
imagino um lago sereno e espelhado
e sinto que um fogo percorre as minhas entranhas
Eis que me encontro de novo contigo
somos a água onde os peixes dormem
e os deuses cantam.
Intensa âncora no espírito e no desejo ardente
pura consciência que branca desce em vertigem á terra
e que pelo conflito do refinamento mútuo ascende das profundezas
para no encontro sensual da sonolência despertar
em meus braços aquáticos as tuas rosas carnívoras
e juntos iluminar as trevas e gritar ao vento
os ecos de um amor eterno
para que os deuses aplaudam
satisfeitos.
Veloz coração que submisso se alegra em ascensão
perante uma árvore redentora de hostis e degradantes arrogâncias
pois ajoelho-me no caule de uma nuvem
que voraz engole a minha alma no Divino ritmo dos céus
E num alongado sopro
de regresso ao corpo agradeço e saboreio a tua presença
nesta curta merecida e quente longevidade eminente
maravilhosa alquimia
emocionante intuição na alma correctamente fundida.
Os instrumentos ruminavam
longos e curtos encontravam os ouvidos certos
e eu via os sons que rústicos sintonizavam
á procura da perfeita melodia
e nada
as cores prenunciavam-se ainda num espaço fechado
mas oculto no interior da grande alma de uma sala
só Tu Senhor
fizeste com que a dança do amor nascente florescesse límpida
nos olhos que semi-cerrados se abriram impacientes
para que livres os espíritos pudessem abraçar-nos.
Ser um só corpo
que da vista se alonga à mais ínfima partícula de um prado
e ser a Primavera mas o Outono finda
e o Inverno inicia uma centelha de Deus
que congelada em água de mim foge e dissolve-se como uma cascata
que alimenta e expande estes verdes luxuriantes
Esta imagem contém alguns ensinamentos
que à alma me sugam a dor
Oh, reflectir o silêncio deste prado
onde a própria terra contém os mais nobres sentimentos
de alguém que por aqui passou
mas era eu que namorava a brisa do verão
quando a terra
germinou.
Quando é chamado
em total humildade o Poeta sacrifica-se á sua nuvem
e transforma-se no pássaro da juventude
e acorda os deuses para receber a ementa do dia
e o ritual da água e o ritual da vida
o fluxo da herança e os tempos perdidos
a recordação do tempo futuro
a sobrevivência enquanto finda mais um dia
e as estrelas que ladram ao ouvido
a vinda do Senhor e do vento
numa gota de cor pérola refundida
e ambos bebemos do mesmo cálice da fantasia
sob ritmos inquietantes como pálpebras que brilham
numa distância muito pequena
entre a verdade e a mentira
Eis que sou um homem de fé
cruzei caminhos interditos e ocultei a minha imagem
a minha sombra bebia e fiz-me pó
as estrelas sempre me acompanharam
ainda hoje dizem que em todas as eras revolucionei
arquétipo do espaço translúcido dominei o tempo
sonhei e ajoelhei-me a seus pés
fui resgatado e acordei dentro de um espelho vermelho
a morte por mim tinha passado
rejuvenesci.
Que tenho eu a ver contigo mulher?
Eu sou feito do barro que se afeiçoa aos tempos
tu do negro vácuo que absorve as estrelas
e na trilha que ambos percorremos
tu do nada partilhas o que é eterno
eu conquisto as pedras e nelas a tua sabedoria
sendo que me dás uma filha eu dar-lhe-ei a minha vida.
1999
Na pintura podes encontrar o meu íntimo mais profundo
como no sono de um sonho longínquo
na psicoterapia é o acordar desse sonho que envolve mistérios
que se fundem na essência da minha alma
e para que no futuro tudo e mais seja revelado
se um dia vier a escrever algo que te console a alma
que sejam palavras de amor
para que sempre e sempre te veja sorrir
como pétalas ao nascer do sol.
Não por necessidade mas por força maior o lar dos Cristos
onde o retorno é indispensável para os viajantes do anel de fogo
Nesta viagem rica na imagem que é fruto de todas as cores
imagina cada gesto numa imagem negra de fundo negro azulado
cada movimento tem um som único
e um contorno que lhes dá a forma e a vida
a própria transparência do equilíbrio e da flexibilidade desejada
mas vive bem este momento na tua mente
para que um dia o possas sentir no teu íntimo
e nas profundezas do teu ser sorrir
e verter o brilho da tua alma.
Na expectativa de poder observar o que é belo e diferente
como um simples e sublime movimento angélico
tão pronunciado e único
premeditado e articulado pelo dom da natureza
ofereço-te a minha nobre sensibilidade
e imagino como num grito que dança
a melodia que nos vai na alma
as lágrimas salgadas
e o suor dos que amam com intensidade.
A satisfação quase adiada nas minhas mãos
quando estas com rigor e fantasia
despem a tua complexa nudez ausente
e tocam o mais puro íntimo desconhecido mar onde te banhas
Num relâmpago a minha ira e na selva a loucura do teu amor
Então crias e recrias palavras num tom ausente e pálido
quase branco
ferozmente utilizas o teu corpo e sorris
e eu imagino a minha vida num segundo
pois penso e sinto da mesma forma que tu
por muito longe que possas estar já estás comigo
a viver intensamente este irresistível momento
pois não á dúvida de que ele existe
para além do espaço e do tempo.
Ao longe avisto uma colina
e com pedras invisíveis construo o nosso monumento
quando observo um dinossauro que luta não com uma serpente
mas com nove cabeças interplanetárias
cobertas por um véu escuro quase branco
Sob um terreno movediço os dias passam
e como oferenda aos Deuses da montanha ouvem-se pequenos sinos
tudo soa a falso neste labirinto mas as chamas internas
evaporam-se formando o teu rosto no horizonte
e eu sinto o teu sorriso no meu pensamento
mas o que mais atormenta o meu espírito
são as tuas lágrimas e a tua expressão de ternura
que tu mesmo sem palavras inconscientemente libertas.
Faço uma breve pausa e sinto o poder da mente
e imagino que o alimento existe no mistério que tu encerras
pois ouço a tua voz vinda de outras esferas
como uma nobre flor que tão branca e deliciosa desliza por entre nuvens
Eu sou uma pedra e mergulho em mim quando te toco
percorro as tuas margens e aqueço-te com o meu fogo azul
e quando uso a minha eloquente espada voo em direcção ao alto
e lá em cima as grandes coisas eu podia observar
mas as verdades já as tinha encontrado nas pequenas coisas
num gesto num sorriso num carinho
mas já estavas tão longe que só te consegui ver a alma
e na magia de um voo viajei ao teu encontro
por entre raios de sol em pequenos voos delirantes
até que atingimos ambos o pico desta montanha.
Na crista de um azul intenso subtilmente rasgado
pelo nobre e profundo círculo aveludado da pomba branca
a flacidez de um sonho hilariante
e a verdadeira natureza de um corpo requintado
lapidado e massajado rigorosamente ao pormenor
pela riqueza das minhas mãos.
Como todos
também eu sou soberano
e quando só nunca isolado estou
pois sozinho faço
quando não faço do silêncio um grito
a minha própria comunhão com o divino.
São cólicas existenciais vazios cerebrais e danças cardíacas
Colérica melancolia no teu sorriso
misto de odores que antes quentes agora frios
no meu olhar reflectem os teus movimentos
Mestre
como chegar ao teu reino
se a profundidade por aqui se fixou?
Assim como a lua e as estrelas também o sol
e todas as plantas do universo
mas eu
eu estou preso num espelho de fé
na luxúria de um caminho desconhecido
sou um diamante que não quer ver
que transborda sem saber porquê
e este brilho estantaneo jamais pode ser convocado
surge improvável para aqueles que menos esperam
os que têm sede e querem viver
mas quando finalmente parei de pensar percebi
que nas coincidências está o teu anonimato
que na minha dor por amor compensa sofrer.
É difícil crescer e lutar pela felicidade
como a semente que desperta do seu caloroso sono
e lentamente renasce desponta despoleta e rasga para respirar
mas eis o esplendor do nosso momento
onde o espírito vira a página como a Fénix que rasga o céu
e escreve um conto sobre a tua humanidade
onde no meio de uma tempestade no oceano
um mensageiro distribui um mapa transparente
com pequenos fios interligados por raios curativos
que indicam o caminho da tua senda
onde através dos sete raios do teu arco-íris
podes ver o retrato da tua aura
que sob a quente aurora reluz
e reflecte as cores da grande alma.
O passado é derrubado e uma nova tela surge no espaço
o guerreiro prepara as suas ferramentas
e uma nova intensidade floresce
são as cores da iniciação e da glória
Antes
rostos fragmentados pelo medo
agora
expressões de prazer invejáveis
Aqui não é permitida a entrada a qualquer um
pois o espírito é tremendo e poderoso
para saíres vitorioso e alcançares outros conceitos
tens que arriscar e deixar ir o medo
mas nunca te esqueças
que neste reino tudo é válido
pois os limites são a tua própria consciência.
Numa breve síntese do meu percurso e da minha experiência
posso concluir que todo o desafio
tem conjunto uma sublime e potente transformação
que para ser adquirida de uma forma harmoniosa na alma
exige um tempo paciente e consciente desse Divino momento
que inconscientemente gera no íntimo uma enorme satisfação
que se transforma numa inabalável paz de espírito
e como num centro imutável ausenta-se
fixo e intenso sobe aos céus cristalinos
transcende-se e remete-se para o infinito
á procura da nobre causa a que foi submetido
essa perda infindável
esse vácuo de recordação inatingível
alcançado e sempre perdido.
Não temas quando ao escutares o coração sintas que estás perdido
por vezes ele fala mais alto que a tua própria compreensão
aceita-o e não o apertes
estima-o
deixa que respire o ar que tu respiras
procura bem quem contigo caminha
e quando sozinho e sem sentido não desistas
escuta-o novamente e aguarda
tem paciência
acredita e partilha com ele
todas as imagens que o teu sangue estimula
amadurece o teu pensamento e está atento
pois irás transformar-te num novo guerreiro
e aprenderás que todos crescemos
ao nosso próprio ritmo.
Se tens um dom e ele te grita ao ouvido
aproveita todos os pedaços com que nele és construído
e não o percas de vista
grita com ele e não o abafes na tua solidão
pois é por ele que somos conduzidos
sem saber-mos para onde como quando ou porquê
pois assim como o meu guia o destino não tem nome
é transparente e vive dentro de mim
ambos exigem que seja fiel às minhas convicções
e dizem-me
arrisca nas tuas paixões e vive
pois nem tudo tem que ter o mesmo fim
com uma derrota temos duas vitórias a nosso favor
assim como a semente do amor
que quando morre
renasce sempre de uma forma sempre maior.
como no sono de um sonho longínquo
na psicoterapia é o acordar desse sonho que envolve mistérios
que se fundem na essência da minha alma
e para que no futuro tudo e mais seja revelado
se um dia vier a escrever algo que te console a alma
que sejam palavras de amor
para que sempre e sempre te veja sorrir
como pétalas ao nascer do sol.
Não por necessidade mas por força maior o lar dos Cristos
onde o retorno é indispensável para os viajantes do anel de fogo
Nesta viagem rica na imagem que é fruto de todas as cores
imagina cada gesto numa imagem negra de fundo negro azulado
cada movimento tem um som único
e um contorno que lhes dá a forma e a vida
a própria transparência do equilíbrio e da flexibilidade desejada
mas vive bem este momento na tua mente
para que um dia o possas sentir no teu íntimo
e nas profundezas do teu ser sorrir
e verter o brilho da tua alma.
Na expectativa de poder observar o que é belo e diferente
como um simples e sublime movimento angélico
tão pronunciado e único
premeditado e articulado pelo dom da natureza
ofereço-te a minha nobre sensibilidade
e imagino como num grito que dança
a melodia que nos vai na alma
as lágrimas salgadas
e o suor dos que amam com intensidade.
A satisfação quase adiada nas minhas mãos
quando estas com rigor e fantasia
despem a tua complexa nudez ausente
e tocam o mais puro íntimo desconhecido mar onde te banhas
Num relâmpago a minha ira e na selva a loucura do teu amor
Então crias e recrias palavras num tom ausente e pálido
quase branco
ferozmente utilizas o teu corpo e sorris
e eu imagino a minha vida num segundo
pois penso e sinto da mesma forma que tu
por muito longe que possas estar já estás comigo
a viver intensamente este irresistível momento
pois não á dúvida de que ele existe
para além do espaço e do tempo.
Ao longe avisto uma colina
e com pedras invisíveis construo o nosso monumento
quando observo um dinossauro que luta não com uma serpente
mas com nove cabeças interplanetárias
cobertas por um véu escuro quase branco
Sob um terreno movediço os dias passam
e como oferenda aos Deuses da montanha ouvem-se pequenos sinos
tudo soa a falso neste labirinto mas as chamas internas
evaporam-se formando o teu rosto no horizonte
e eu sinto o teu sorriso no meu pensamento
mas o que mais atormenta o meu espírito
são as tuas lágrimas e a tua expressão de ternura
que tu mesmo sem palavras inconscientemente libertas.
Faço uma breve pausa e sinto o poder da mente
e imagino que o alimento existe no mistério que tu encerras
pois ouço a tua voz vinda de outras esferas
como uma nobre flor que tão branca e deliciosa desliza por entre nuvens
Eu sou uma pedra e mergulho em mim quando te toco
percorro as tuas margens e aqueço-te com o meu fogo azul
e quando uso a minha eloquente espada voo em direcção ao alto
e lá em cima as grandes coisas eu podia observar
mas as verdades já as tinha encontrado nas pequenas coisas
num gesto num sorriso num carinho
mas já estavas tão longe que só te consegui ver a alma
e na magia de um voo viajei ao teu encontro
por entre raios de sol em pequenos voos delirantes
até que atingimos ambos o pico desta montanha.
Na crista de um azul intenso subtilmente rasgado
pelo nobre e profundo círculo aveludado da pomba branca
a flacidez de um sonho hilariante
e a verdadeira natureza de um corpo requintado
lapidado e massajado rigorosamente ao pormenor
pela riqueza das minhas mãos.
Como todos
também eu sou soberano
e quando só nunca isolado estou
pois sozinho faço
quando não faço do silêncio um grito
a minha própria comunhão com o divino.
São cólicas existenciais vazios cerebrais e danças cardíacas
Colérica melancolia no teu sorriso
misto de odores que antes quentes agora frios
no meu olhar reflectem os teus movimentos
Mestre
como chegar ao teu reino
se a profundidade por aqui se fixou?
Assim como a lua e as estrelas também o sol
e todas as plantas do universo
mas eu
eu estou preso num espelho de fé
na luxúria de um caminho desconhecido
sou um diamante que não quer ver
que transborda sem saber porquê
e este brilho estantaneo jamais pode ser convocado
surge improvável para aqueles que menos esperam
os que têm sede e querem viver
mas quando finalmente parei de pensar percebi
que nas coincidências está o teu anonimato
que na minha dor por amor compensa sofrer.
É difícil crescer e lutar pela felicidade
como a semente que desperta do seu caloroso sono
e lentamente renasce desponta despoleta e rasga para respirar
mas eis o esplendor do nosso momento
onde o espírito vira a página como a Fénix que rasga o céu
e escreve um conto sobre a tua humanidade
onde no meio de uma tempestade no oceano
um mensageiro distribui um mapa transparente
com pequenos fios interligados por raios curativos
que indicam o caminho da tua senda
onde através dos sete raios do teu arco-íris
podes ver o retrato da tua aura
que sob a quente aurora reluz
e reflecte as cores da grande alma.
O passado é derrubado e uma nova tela surge no espaço
o guerreiro prepara as suas ferramentas
e uma nova intensidade floresce
são as cores da iniciação e da glória
Antes
rostos fragmentados pelo medo
agora
expressões de prazer invejáveis
Aqui não é permitida a entrada a qualquer um
pois o espírito é tremendo e poderoso
para saíres vitorioso e alcançares outros conceitos
tens que arriscar e deixar ir o medo
mas nunca te esqueças
que neste reino tudo é válido
pois os limites são a tua própria consciência.
Numa breve síntese do meu percurso e da minha experiência
posso concluir que todo o desafio
tem conjunto uma sublime e potente transformação
que para ser adquirida de uma forma harmoniosa na alma
exige um tempo paciente e consciente desse Divino momento
que inconscientemente gera no íntimo uma enorme satisfação
que se transforma numa inabalável paz de espírito
e como num centro imutável ausenta-se
fixo e intenso sobe aos céus cristalinos
transcende-se e remete-se para o infinito
á procura da nobre causa a que foi submetido
essa perda infindável
esse vácuo de recordação inatingível
alcançado e sempre perdido.
Não temas quando ao escutares o coração sintas que estás perdido
por vezes ele fala mais alto que a tua própria compreensão
aceita-o e não o apertes
estima-o
deixa que respire o ar que tu respiras
procura bem quem contigo caminha
e quando sozinho e sem sentido não desistas
escuta-o novamente e aguarda
tem paciência
acredita e partilha com ele
todas as imagens que o teu sangue estimula
amadurece o teu pensamento e está atento
pois irás transformar-te num novo guerreiro
e aprenderás que todos crescemos
ao nosso próprio ritmo.
Se tens um dom e ele te grita ao ouvido
aproveita todos os pedaços com que nele és construído
e não o percas de vista
grita com ele e não o abafes na tua solidão
pois é por ele que somos conduzidos
sem saber-mos para onde como quando ou porquê
pois assim como o meu guia o destino não tem nome
é transparente e vive dentro de mim
ambos exigem que seja fiel às minhas convicções
e dizem-me
arrisca nas tuas paixões e vive
pois nem tudo tem que ter o mesmo fim
com uma derrota temos duas vitórias a nosso favor
assim como a semente do amor
que quando morre
renasce sempre de uma forma sempre maior.
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